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Rodrigo Constantino

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Trump endurece com militares venezuelanos: “vão perder tudo”

Na semana em que a oposição venezuelana, com o apoio de Washington, prepara a chegada de ajuda internacional ao país em desafio ao presidente Nicolás Maduro, o chefe de Estado americano, Donald Trump, deu um ultimato aos militares que se mantêm ao lado do regime chavista. Num discurso dirigido à comunidade venezuelana dos EUA, Trump exortou militares a abandonarem Maduro e aceitarem a oferta de anistia do autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó. E, já de olho nas eleições presidenciais do ano que vem, mandou um recado claro à ala mais à esquerda do Partido Democrata, voltando a afirmar que “os EUA nunca serão uma nação socialista”.

Falando na Universidade Internacional da Flórida, em Miami, o presidente destacou a chegada à Colômbia do primeiro avião americano carregado de ajuda aos venezuelanos e — acusando Maduro de “matar o povo de fome” — fez um apelo aos chefes das Forças Armadas e de segurança, o principal sustentáculo do regime chavista.

— Militares que apoiam esse regime põem em risco seu futuro e o de seu país por um homem controlado por Cuba e protegido por um exército privado de soldados cubanos. Maduro não é um patriota venezuelano. É um fantoche cubano — afirmou Trump. — Os olhos do mundo estão em vocês, e não é possível se esconder diante dessa escolha. Vocês podem escolher a oferta de anistia do presidente Guaidó. Se escolherem esse caminho, ajudarão a garantir um futuro próspero. Ou podem escolher seguir apoiando Maduro. Nesse caso, não haverá saída: vocês perderão tudo.

O jogo de poder é complicado na Venezuela, pois os militares do alto escalão são cúmplices de Maduro no butim da nação, e temem pagar por seus crimes se o chefe cair. Por outro lado, precisam avaliar as chances reais de Maduro permanecer no poder, pois se sua situação ficar mesmo insustentável, uma negociação para acelerar o processo pode proteger parte desses militares. Tanto que Guaidó aceitou incluir uma anistia entre as ofertas para mudança de regime.

A pressão que o presidente Trump tem colocado tem sido fundamental para a desestabilização da ditadura socialista. Se Maduro de fato cair, muito disse será devido a essa mudança de postura do governo americano. Podemos apenas imaginar como estaria agindo Barack Hussein Obama, aquele que fechou acordos de pai para filho com o Irã e Cuba, enquanto viu a América se afastar do aliado tradicional no Oriente Médio, Israel.

Obama certamente estaria falando em “diálogo” entre as partes, em uma “saída negociada” e acenando com benesses para Maduro se ele “aliviasse” a opressão. Foi a tática que usou com Cuba, que segue sob uma terrível tirania. E isso porque Obama já seria “moderado” no Partido Democrata atual. Os pré-candidatos para 2020 são quase todos socialistas, e preferem nem criticar Maduro. Um Bernie Sanders como presidente estaria provavelmente enviando ajuda… para o ditador!

Trump, assim como Reagan antes dele, é acusado de ser “beligerante”, e os “especialistas” previram catástrofes mundiais por conta dessa postura. O que temos até agora, porém, é o ditador atômico da Coreia do Norte falando mais manso e disposto a ceder, e o tirano socialista da Venezuela cambaleando e quase caindo.

Claro que não será tão fácil. Palavras não bastam, sanções ajudam, mas não resolvem. É preciso, no final do dia, ter uma ameaça crível de ação militar por trás, para dar peso às palavras duras. Os militares venezuelanos precisam acreditar que Trump fala sério e é meio “maluco”, e que pode mesmo tomar uma ação concreta contra o regime. Se eles tiverem essa crença, poderão concluir que a única opção é dar uma rasteira em Maduro e negociar uma anistia, a alternativa sendo cair junto com o chefe.

Rodrigo Constantino

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Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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