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Com a maior naturalidade do mundo, a imprensa noticia que Benedito Gonçalves, do STJ, assumiu a corregedoria nacional de Justiça. Ele ficará no cargo até 2028. O corregedor nacional é responsável por analisar denúncias disciplinares contra juízes, fiscalizar a atuação de tribunais, além de coordenar diretrizes para garantir celeridade na atuação da Justiça. Ou seja, Benedito é o grande fiscal dos juízes brasileiros!
E isso não choca nossos jornalistas. Nem os traz à memória a famosa frase, dita ao pé do ouvido de Alexandre de Moraes durante sua posse como presidente do TSE: “Missão dada, missão cumprida”. Qual era a missão, exatamente? Parece que a mídia não tem muita curiosidade de perguntar ou saber. Mas as especulações são livres – e um tanto óbvias, cá entre nós.
Como corregedor-geral da Justiça Eleitoral (TSE), Benedito foi relator das ações de investigação judicial eleitoral (Aije) que resultaram na inelegibilidade de Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto por 8 anos, por abuso de poder político/econômico e uso indevido dos meios de comunicação (incluindo o 7 de Setembro). Nem um pouco parcial, imagina!
Mas não podemos culpar apenas o Poder Judiciário. Afinal, Benedito foi aprovado pelo Senado, por 53 votos a 16.
Em abril de 2024, Benedito participou de um evento jurídico em Londres patrocinado pelo Banco Master (de Daniel Vorcaro). Houve uma degustação paralela de whisky Macallan, com custo estimado em R$ 3,3 milhões. O contato do ministro estava salvo no celular de Vorcaro (apreendido pela PF). Haja decoro!
No G1, da Globo, há destaque para muitas “lutas raciais” do ministro, mas nenhuma menção ao episódio que realmente o tornou nacionalmente famoso, quando se vangloriou de ter cumprido a missão dada por Moraes. Não recordaram tampouco da cena igualmente marcante do presidente Lula dando seis tapinhas em seu rosto durante a cerimônia, com uma intimidade – e superioridade – que só um chefe faria com seu empregado querido – e submisso.
Não foi o caso de o jornal lembrar do episódio que viralizou, do seu filho sem noção usando marcas de luxo que, juntas, valiam mais de milhão, ostentando breguice e riqueza incompatível com sua renda ao mesmo tempo. De onde veio essa grana toda? A imprensa não quis saber.
Na delação premiada de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, o empresário relatou reuniões com Benedito entre 2013 e 2014 para tratar de causas da empreiteira no STJ. Houve menções a julgamentos favoráveis e pedido de apoio para uma possível indicação ao STF. Muito republicano!
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Em setembro de 2025, o governo Trump revogou o visto americano de Benedito, no contexto de sanções a autoridades ligadas a processos contra Bolsonaro e Alexandre de Moraes. Os americanos entendem que Benedito é um militante político disfarçado de ministro do STJ, mas o Brasil lulista enaltece justamente esse tipo de gente.
E assim seguimos com nosso Poder Judiciário nas piores mãos possíveis, aparelhada por militantes petistas, por gente sem escrúpulo, justamente os que vão defender a Constituição e julgar os juízes. Complicado, não?
Mas não podemos culpar apenas o Poder Judiciário. Afinal, Benedito foi aprovado pelo Senado, por 53 votos a 16. O Poder Legislativo, não custa lembrar, é presidido por Davi Alcolumbre. A Câmara tem como presidente Hugo Motta. Ambos estiveram com Lula numa reunião recente e anunciaram, logo depois, acordo para destravar pautas eleitoreiras do interesse do presidente. Quanto custará ao país essa negociata?
É o que chamam de “harmonia entre os poderes”, pelo visto. E o brasileiro só se ferrando, sem picanha, sem esfiha e sem liberdades básicas!

Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




