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Trump tem certamente uma pegada nacionalista. Ele tem usado as tarifas para suas negociações comerciais, o que gera alguma dúvida nos mais desatentos de que ele não passa de um protecionista. Ele pressiona algumas empresas a investir no próprio país, dentro de sua visão geopolítica, o que pode suscitar a desconfiança de que pretende controlar decisões empresariais. Mas daí a concluir que o modelo em mente é o chinês vai uma longa distância...
Aquela que separa analistas sérios do Estadão, um jornal tucano que simplesmente odeia Trump. Em seu editorial de hoje, o jornal usa o liberal Hayek já no título, para alertar que os Estados Unidos seguem no "caminho da servidão". Nesta quinta-feira, o mesmo Estadão reproduziu com orgulho a "reportagem" da The Economist que conclui que o Brasil alexandrino dá lições democráticas aos Estados Unidos, uma piada pronta!
Diz o jornal: "À luz das evidências históricas, as políticas comerciais e industriais de Trump só podem ser descritas como uma espécie de masoquismo econômico. A crença de que tarifas protegem empregos foi desmoralizada repetidas vezes. Elas encarecem insumos, corroem margens de lucro e destroem mais postos de trabalho do que geram. A ilusão de que o governo pode cultivar indústrias 'estratégicas' com subsídios e participação acionária já produziu fiascos memoráveis, de fábricas fantasmas a empresas zumbis sustentadas apenas por favores políticos".
Quem ainda não entendeu que Trump não quer subir tarifas em geral, mas sim utilizar a ameaça de maiores tarifas para conseguir justamente um mundo mais livre e justo, precisa reavaliar suas análises
Quem ainda não entendeu que Trump não quer subir tarifas em geral, mas sim utilizar a ameaça de maiores tarifas para conseguir justamente um mundo mais livre e justo, precisa reavaliar suas análises à luz dos fatos, não da ideologia ou do ódio. Mas o Estadão não consegue fazer isso quando se trata de Trump, pois o odeia quase tanto quanto Jair Bolsonaro. Daí que a conclusão do jornal é que Trump é uma mistura de Bernie Sanders com Xi Jinping! É rir para não chorar...
Enquanto isso, alheio a todos os alertas catastrofistas do jornal tucano, o mercado financeiro segue otimista, e o S&P 500 está simplesmemte em seu "all time high", ou seja, na máxima histórica. O jornal pode ganhar muito dinheiro se colocar suas ações onde estão suas palavras e apostar contra tudo e todos. É só vender América e partir para o abraço quando tudo desmoronar...
Ou então o jornal pode, se sua previsão continuar a se mostrar equivocada, admitir o erro da análise e concluir de uma vez por todas que sofre da Trump Derengement Syndrome, aquela patologia que acomete nove em cada dez tucanos.

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




