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Na primeira entrevista do Flow em 2022, o filósofo Luiz Felipe Pondé, sentindo-se um garotão ao lado dos dois entrevistadores, muito descontraído, passou a defender que as sociedades tratem os não vacinados como párias mesmo, passíveis de perder empregos e não poder frequentar locais públicos. Também teceu elogios à "organização" chinesa, associando a quantidade de gente com a necessidade de um regime como o ditatorial que possuem há décadas.

Li quase todos os livros de Pondé, e o admirava. De uns tempos para cá, desde que foi para a TV Cultura e passou a se meter demais em política, descascando Bolsonaro como a pior coisa da nossa democracia, fiquei com o pé atrás e desconfiado. Essa entrevista foi a pá de cal mesmo. Coube ao jovem Monark defender alguma liberdade em meio a tanta pregação coletivista e autoritária.

Detalhe: Pondé reconhece que a vacina não impede contágio do vírus! Ou seja, ele sabe não se tratar de uma cura milagrosa, de uma panaceia, e admite ser mais um etapa num processo. Não obstante, ele acha que quem se recusa a tomar o imunizante deve pagar com suas liberdades básicas, sofrer com o ostracismo, ser retirado da vida social.

Dando um passo adiante do nosso filósofo tupiniquim, em artigo no LA Times, Michael Hiltzik, que já recebeu um Pulitzer, comemorou a morte de Kelly Ernby, promotora contrária a obrigatoriedade da vacinação. Zombar da morte de anti-vaxxers é macabro, sim, mas necessário”, disse o jornalista.

Essa gente perdeu totalmente a noção! Sim, estão a um passo de se tornarem cruéis como os nazistas, que desumanizaram seus adversários a ponto de chegar ao Holocausto num clima de banalização. Comemorar a morte de alguém só por ser contra vacina obrigatória?! São esses os nossos humanistas?!

Lacombe desabafou em coluna recente contra essa turma: Criam tipos penais e, num coro desafinado, ficam repetindo “fake news, desinformação, discurso de ódio”! Apoiam milícias digitais, agências de checagem, uma “polícia de conteúdo” que escolhe a dedo o que “investigar”. Apoiam covardes que organizam linchamentos e cancelamentos de quem ousa desconfiar, questionar, expor dúvidas, pedir explicações. É proibido o debate, é proibida a discordância. É obrigatório aceitar a verdade oficial. Estamos há muito tempo nisso. Os arrogantes donos da verdade vão corroendo as liberdades, destruindo a democracia que juram defender. Censuram, calam, banem das redes sociais, prendem quem tem a certeza de que, como nos Estados Unidos, no Brasil não há crime de opinião. E ainda recebem aplausos por isso!

O jornalista Guga Chacra, ao me ver divulgado esse texto, resgatou a campanha de boicote que fiz lá atrás contra artistas defensores do PT: "sempre bom lembrar que vc pregou o boicote e cancelamento de 58 artistas, intelectuais e jornalistas por terem opinião diferente da sua. Tentou proibir o debate. Queria que fosse obrigatória a sua verdade". Entendo seu desespero. Costumo expor as incoerências diárias do jornalista global a muita gente.

Essa campanha de boicote tem muitos anos, e não era para interditar o debate. O que eu fiz foi uma campanha para que conservadores e liberais não mais consumissem produtos e serviços de defensores da permanência de petistas no poder, para eles sentirem no bolso. Não tentei "cancelar" ninguém ou tirar as pessoas das redes. Era época de mensalão, que não era "minha verdade", mas um fato.

Não entender a diferença aqui é chocante. Exemplo: o jornalista pode fazer uma campanha com seus colegas de esquerda para não mais consumirem produtos de liberais. Ok. Agora, isso é totalmente diferente de pressionar as redes sociais e até autoridades estabelecidas para nos banir do debate. Em tempo: aqueles "intelectuais" defendiam uma quadrilha no poder, não custa frisar.

O que os canceladores têm feito hoje, com aplausos de jornalistas como o Guga, não tem qualquer ligação com isso. Eles marcam TwitterSafety para que a rede social retire postagens que questionam efeitos das vacinas, por exemplo. Eles defendem que a Justiça crie o "crime de opinião" para prender quem discorda deles. Eles puxam da cartola um "discurso de ódio" para defender o uso de coerção estatal contra quem pensa diferente. Eles querem que empresas sejam forçadas a demitir quem não se vacinou. Boicote voluntário é uma coisa; uso do aparato estatal, que detém o monopólio da violência legal, para banir da sociedade quem não adere ao pensamento único da elite é algo bem diferente!

Mas talvez numa mistura de cinismo e ignorância, essa turma nem se dá conta de que agem como os novos soldados nazistas. E não adianta repetir que isso é ofensivo com as vítimas do nazismo. Ninguém está afirmando que a postura deles é sinônimo de eliminar seis milhões de judeus. O que está sendo dito, ao contrário, é que essa mentalidade é justamente aquela que permitiu a ascensão desses monstros ao poder! Desumanizaram os adversários, pregaram a "saúde perfeita", defenderam o coletivismo que encara o indivíduo como meio descartável, e com base nisso foram capazes de avançar com o nefasto regime.

Nessa batalha, existem os heróis da resistência. O tenista Djokovic é um deles, e por isso mesmo um jornalista como Guga acaba o atacando tanto, sem compreender como ele pode ter se tornado um herói. Esses jornalistas não valorizam a liberdade! No futuro, quando pessoas mais sensatas analisarem as loucuras desses anos, Djokovic será um nome que virá à tona como o de alguém que resistiu à tirania e lutou pela liberdade básica. Seus detratores serão esquecidos, como medíocres com a síndrome do guarda da esquina.

Detalhe: o tenista australiano Bernard Tomic testou positivo para covid-19. Já é o quarto "imunizado" com a vacina, ao contrário de Djokovic, que testa positivo. Mas o problema é o Djokovic e a ausência da vacina em seu corpo, mesmo que ele tenha imunidade natural. Vocês acham mesmo que é pela ciência? Ou pior: pelas vidas? Já ficou bem claro para todos que não. Criaram o clubinho dos limpinhos e inteligentinhos, que Pondé ontem denunciava e hoje parece ser o líder, e aqueles do lado de fora, os párias sociais. Esses podem até morrer, que será "necessário" comemorar essas mortes. Tudo em nome da vida, claro!

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