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Rodrigo Constantino

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Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Autonomia

Em defesa do Banco Central

Decisão técnica do Banco Central que liquidou o Master é alvo de pressão em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Todos os países desenvolvidos possuem um mercado de capitais robusto e, via de regra, um banco central independente. Não é uma solução perfeita, pois sempre existe o risco de captura da autarquia pelos próprios bancos estabelecidos, mas esse foi o mecanismo encontrado para blindar a instituição da politização, historicamente o maior risco para a inflação.

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Um banco central dominado pelo próprio governo é a pior combinação que existe, pois ele passa a seguir as decisões políticas e acaba, com isso, monetizando os rombos fiscais e produzindo inflação. O Brasil conhece bem esse histórico, assim como o de bancos estaduais que atuavam para financiar o rombo dos estados.

Foi no governo Bolsonaro que a independência do BC foi aprovada por lei. Um avanço institucional. A esquerda nunca engoliu bem essa mudança, pois sabe que um banco central subserviente aos interesses da política é um instrumento importante em seu projeto de poder.

Desconfie de quem se diz de direita e repete a ladainha esquerdista de que a taxa básica de juros é culpa do BC e dos grandes bancos, como se fosse uma grande conspiração da Faria Lima, ignorando o rombo fiscal do governo e sua trajetória explosiva e insustentável

Por isso José Dirceu gravou um vídeo aproveitando o caso do Banco Master para atacar o Banco Central do Brasil. Que Dirceu faça isso é algo esperado. O problema é que vários influenciadores de "direita" fizeram o mesmo. Agora veio à tona que esse ataque coordenado tinha o próprio Daniel Vorcaro por trás, oferecendo muito dinheiro para que tais influenciadores tivessem todos a mesma "opinião" ao mesmo tempo.

A enorme pressão contra o BC, sem precedentes, representa grande risco institucional. O TCU foi para cima do Banco Central com tudo, seguindo esse script. O "argumento" é que a liquidação do Banco Master foi precipitada, sendo que na verdade ela demorou bastante: os indícios de fraudes bilionárias estavam por toda parte.

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Um dos influenciadores que teria se vendido para Vorcaro gravou um vídeo alegando que não existem heróis nessa história, que seriam apenas "boatos". O desejo de nivelar todos por baixo é a marca de quem sabe ter feito algo errado. Muitos jornalistas com mais de um milhão de seguidores sequer foram procurados pela agência contratada pelo Master, pois possuem a reputação de rigor ético, e dois desses influenciadores procurados resolveram denunciar o esquema.

Cabe ao leitor adotar postura crítica sempre, desconfiar de quem muda de opinião de forma repentina, ou fala do que não entende direito. Esses casos de guinada abrupta existem em todo lugar. No Brasil temos Reinaldo Azevedo, autor de O País dos Petralhas, que virou o maior defensor dos petralhas, e nos Estados Unidos temos Tucker Carlson e Candace Owens, que passaram a atacar Israel e os Estados Unidos e defender o indefensável, como Putin ou o antissemitismo.

Voltando ao Banco Central, desconfie de quem se diz de direita e repete a ladainha esquerdista de que a taxa básica de juros é culpa do BC e dos grandes bancos, como se fosse uma grande conspiração da Faria Lima, ignorando o rombo fiscal do governo e sua trajetória explosiva e insustentável. O rentismo é um problema concreto, mas a culpa é do governo perdulário e irresponsável, não do "mercado". Quem diz o contrário ou não entende muito do tema, ou pode estar recebendo grana de alguém para repetir esse discurso.

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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