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Escolher o vice para sua chapa eleitoral não é tarefa simples. A escolha do vice não é baseada em quem gostamos mais, e sim em quem pode agregar mais votos. Isso pode se dar por palanque direto em um colégio eleitoral importante, ou pela imagem que o vice agrega para a chapa. Lula, visto (com razão) por muitos como um esquerdista radical, colocou o empresário da Coteminas como seu vice em sua primeira disputa vitoriosa para a Presidência.
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Geraldo Alckmin cumpriu papel similar na última eleição: servir como um selo de moderação para acalmar os mercados e eleitores em geral quanto ao risco de radicalização socialista. Com Alckmin, a velha imprensa e economistas como Arminio Fraga e Elena Landau podiam falar em “frente ampla democrática”, mesmo que Alckmin tenha tido o papel basicamente de posar ao lado de tiranos que Lula admira.
Existem vices mais discretos, e existem vices mais ativos. Há ainda a escolha por precaução. Me parece o caso de Mourão como vice de Jair Bolsonaro: receoso de um impeachment, Bolsonaro quis colocar um general para “intimidar” a oposição. Mas Mourão se mostrou bem mais domesticável pela mídia do que Bolsonaro gostaria.
Que o Flávio e seu partido escolham aquele ou aquela que realmente for contribuir para atrair votos e facilitar a governabilidade, sem sacrificar os nossos valores conservadores. Democracia, porém, é concessão
Chegamos, então, à escolha do vice na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Vários nomes vêm sendo ventilados, mas alguns com mais frequência. A ala bolsonarista fala muito no deputado Luiz Phillippe de Orleans e Bragança, nosso “Príncipe”. Trata-se de um excelente nome... como deputado, ou senador. Mas como vice, infelizmente acho que pouco agrega. Dobradinha do PL já não atrairia nenhum outro partido para o bloco. E o perfil do eleitor que vota em Luiz Phillippe já é o mesmo do que vota no Flávio. Parece redundante.
Falam na senadora Tereza Cristina, do Progressistas, com boa entrada no agronegócio. Foi ministra do próprio governo Bolsonaro. De postura moderada, mais de centro do que conservadora, Tereza pode ajudar Flávio perante o eleitorado feminino, onde há maior rejeição ao seu nome, em que pese ser mais mito do que ciência essa crença de que mulher vota em mulher. Mas a escolha da Tereza daria uma sinalização maior de aproximação do Flávio ao centro, reforçando sua imagem de “Bolsonaro moderado”.
Já mencionaram também o nome de Renata Abreu, deputada federal por São Paulo desde 2015 e presidente nacional do Podemos. Suas credenciais são boas: votou a favor do processo de impeachment de Dilma Rousseff; já durante o governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos; em abril de 2017 foi favorável à Reforma Trabalhista; em julho de 2019, votou a favor da Reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro.
Como diz trecho de uma reportagem da Oeste: “Renata possui características que passaram a ser valorizadas nessa etapa da pré-campanha. Está no terceiro mandato como deputada federal e foi reeleita em 2022, com pouco mais de 180 mil votos em São Paulo. Comanda nacionalmente o Podemos, partido de centro sem escândalos de corrupção na ficha corrida, e mantém interlocução com diferentes correntes políticas”.
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Por fim, temos o mais falado de todos, Romeu Zema, do Novo. Zema foi governador por dois mandatos em Minas Gerais, reeleito no primeiro turno. Antes, teve sucesso como empresário na iniciativa privada. Ou seja, agrega a experiência executiva que falta ao Flávio, apesar de isso não ser impeditivo de fazer um bom governo: seu pai tampouco tinha tal experiência e se cercou de gente boa e competente, dando a eles autonomia operacional. Os casos de Paulo Guedes e Tarcísio Freitas ilustram bem isso.
Além da experiência administrativa, Zema traria o palanque do segundo maior colégio eleitoral do país, lembrando que há aquele mito: quem vence em Minas, vence no Brasil. Isso talvez seja pelo fato de MG representar um microcosmos do país. O Vale do Jequitinhonha é uma espécie de Nordeste ali dentro. Logo, Zema agregaria bastante à candidatura do Flávio.
Mas há um trade-off que deve ser levado em conta: Zema como candidato solo vai focar sua energia contra Lula nos debates, e no segundo turno, sendo mesmo Flávio contra Lula, ele certamente vai apoiar Flávio. O próprio Zema lembrou que foi Jair Bolsonaro quem disse que ter várias candidaturas à direita era algo positivo. Trazer Zema para o time já no primeiro turno, portanto, pode ter esse custo de perder um debatedor afiado que já estaria fechado com o PL no segundo turno de qualquer forma.
Como fica claro, são escolhas difíceis, e certamente a campanha do PL está avaliando outros nomes que não trouxe aqui. De minha parte, como alguém liberal com viés conservador, que tem como prioridade derrotar o Lula, minha escolha seria provavelmente o Zema. Mas os outros nomes também agregam e podem fazer sentido. Que o Flávio e seu partido escolham aquele ou aquela que realmente for contribuir para atrair votos e facilitar a governabilidade, sem sacrificar os nossos valores conservadores. Democracia, porém, é concessão.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos









