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O presidente Lula não vive seu melhor momento eleitoral. Pesquisas mostram que sua rejeição tem batido recorde e já há um empate técnico no segundo turno. Mas outros indicadores, menos diretos, também revelam o quadro de maior tensão no PT.
Em sua coluna de hoje no Globo, Vera Magalhães fala dessa perda de favoritismo do Lula, que tenta desviar o assunto por conta do desgaste causado pelo escândalo envolvendo seu filho Lulinha. Vera não morre de amores pelos Bolsonaro, para dizer o mínimo, e se até ela reconhece essa mudança de clima, então é porque bateu desespero no lulismo mesmo. Diz a colunista logo no começo:
"O vento virou, e o favoritismo que vinha sendo atribuído a Lula desde o escândalo 'Dark Horse' e os entreveros na família Bolsonaro se esvaiu diante das revelações das andanças de Lulinha por gabinetes estrelados de Brasília. Levado de volta ao incômodo tema da corrupção às vésperas do início da campanha na TV, e sem ter mais como se esquivar de debates e sabatinas como fez até aqui, o petista busca desesperadamente mudar de assunto. O irônico é ter de contar com o Congresso, que já está em ritmo de letargia eleitoral, para ter alguma boa notícia para apresentar ao eleitor".
Lula apostou tudo na vitória logo no primeiro turno, pois sabe que sua rejeição é alta e atingiu seu teto, sem ter de onde tirar mais votos.
É justamente aqui que entra as constantes reuniões que Lula vem mantendo com Alcolumbre. No último encontro, Hugo Motta, presidente da Câmara, também participou. Lula quer votar a proibição da escala 6x1 antes da eleição, para se apresentar como um defensor dos trabalhadores. É pura medida populista, que na prática prejudica o trabalhador, impedido de trabalhar mais para ganhar mais, só que poucos eleitores compreendem com maior profundidade o tema.
A campanha de Lula foi ao TSE tentar impedir vídeos sobre o aumento de preços, num claro ato de censura autoritária que denota desespero também. A “sensação” de perda do poder de compra da moeda existe e é generalizado, pois o brasileiro está, de fato, mais pobre. Ninguém confia mais nos indicadores oficiais do IBGE, pois a realidade no dia a dia do mercado mostra algo bem diferente. A economia vai mal, eis a verdade. Com a Braskem, o Brasil bateu o recorde de R$ 180 bilhões em dívidas em recuperação judicial e extrajudicial. Mais de 80% das famílias estão endividadas. Lula não consegue mais vender otimismo ao eleitor.
Enquanto isso, uma reportagem da Veja mostra que um acordo de vários ícones do centrão dentro da federação União-PP pode ajudar a candidatura do Flávio na reta final. O principal nome seria o de Rueda, mais próximo de Flávio, e haveria um aval para que vários parlamentares gravassem vídeos de apoio ao filho de Jair, apesar da neutralidade oficial dos partidos. Mais do que o peso eleitoral desse apoio, há o sinal dessa guinada: o centrão é um termômetro, pois não gosta de apostar em cavalo perdedor, e existem notícias de que o STF atuou para impedir o apoio desses partidos ao PL de Flávio. Se, mesmo assim, houver essa debandada, isso significa que muitos já estão antecipando a vitória do bolsonarismo.
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Lula apostou tudo na vitória logo no primeiro turno, pois sabe que sua rejeição é alta e atingiu seu teto, sem ter de onde tirar mais votos. Flávio, num eventual segundo turno, tem como atrair os votos de quem vai de Caiado, Zema e Renan Santos. O próprio Zema já declarou que vota num copo contra Lula. O antipetismo é um sentimento muito forte ainda, e muitos entendem que mais quatro anos de Lula pode ser o caos total. Flávio conta com isso para vencer. Se o segundo turno for um plebiscito sobre o lulismo, não sobre suas próprias qualidades, ele tem maiores chances.
Enquanto Lula sofre com o caso Lulinha e o escândalo do INSS dentro de seu gabinete, com o Marcola envolvido até o pescoço, Flávio conseguiu atrair para sua campanha o engajamento maior de Tarcísio, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira, grandes puxadores de votos. Lula escorrega e Flávio acerta o tom. O brasileiro alimenta a esperança de que 2026 será finalmente o ano da aposentadoria de Lula!
Metodologia das pesquisas citadas na coluna
Avaliação do Governo Lula: A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-06773/2026. O levantamento foi contratado pela Globo em parceria com o jornal O Globo.
Pesquisa para presidente: 2.400 entrevistados pela Gerp de 21 a 25 de agosto de 2026. A pesquisa foi contratada pela Associação das Emissoras de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Aesp). Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,0 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-03547/2026.

Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




