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Maturidade. Essa é a palavra que melhor define a postura do senador Flávio Bolsonaro num vídeo que ele gravou esse fim de semana e teve grande repercussão nas redes sociais. O pré-candidato a presidente fala em deixar diferenças menores para trás, compreender que parlamentares que votam quase sempre de acordo com as pautas bolsonaristas são aliados, não inimigos, e que toda a direita, inclusive a turma de centro-direita, deverá estar unida contra o inimigo comum: Lula.
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O momento da mensagem é oportuno também: muitas intrigas têm sido produzidas dentro da direita. Flávio deu nome aos bois: Tarcísio, Michelle, Zema, Caiado, Ratinho e muitas outras lideranças vão estar unidas no segundo turno contra o projeto totalitário do PT, que vem destruindo o Brasil.
Flávio mostra uma visão política que, infelizmente, alguns de seus apoiadores não possuem. Há pressão, por exemplo, para que o Partido Novo e Zema declarem logo apoio ao Flávio, mas como isso seria possível se haverá candidatura própria do partido? Fica claro que esse apoio será apenas no segundo turno, o que faz sentido.
O filho de Jair Bolsonaro sabe que precisará dos votos de gente de centro que odeia Lula, mas que tem implicância com seu pai. Por isso logo na largada se colocou como o Bolsonaro moderado, aquele que tomou duas doses de vacina e tudo
Há boas razões estratégicas para mais de uma candidatura de direita no primeiro turno. São mais candidatos batendo no Lula, dividindo a atenção (ataques) da velha imprensa, e permitindo que diferentes perfis de eleitores exerçam suas preferências, todos com viés antipetista.
O filho de Jair Bolsonaro sabe que precisará dos votos de gente de centro que odeia Lula, mas que tem implicância com seu pai. Por isso logo na largada se colocou como o Bolsonaro moderado, aquele que tomou duas doses de vacina e tudo. Flávio vem tentando acalmar a turma do mercado também, que tinha clara preferência por Tarcísio. E o governador de SP já declarou seu apoio à sua candidatura, ainda que de forma tímida.
O principal argumento dos que queriam Tarcísio candidato é que a rejeição a um Bolsonaro é maior. Por isso mesmo cabe ao Flávio se esforçar para reduzir essa rejeição. Esse vídeo vai nessa direção, demonstrando maturidade política, colocando o senador como um presidenciável responsável.
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As divisões internas vão continuar, até por conta das disputas de nichos eleitorais. Hoje mesmo há uma reportagem mostrando essa disputa interna em São Paulo, com núcleos distintos de Eduardo Bolsonaro, Michelle e Tarcísio apoiando nomes diferentes, e Jair como "fiel da balança". Os ataques que alguns bolsonaristas fazem ao Novo entram nessa categoria também: é disputa de espaço político, nada mais.
No fim do dia, porém, deverão estar todos juntos contra Lula. Flávio, sendo o nome mais provável para estar no segundo turno, vai precisar desse apoio. Por isso deve se afastar da ala bolsonarista mais raivosa e intransigente, que enxerga "traição" por toda parte, nas menores diferenças. Ele terá que atrair o voto daquele típico "isentão" que estará inclinado a votar nulo. Não se vence só com os votos da própria bolha...
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos





