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Rodrigo Constantino

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Caixa de Pandora

Lucro da Caixa cresce 10,3% no primeiro semestre, a R$ 3,1 bi

A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido de 3,1 bilhões de reais no primeiro semestre de 2013, um crescimento de 10,3% na comparação ao mesmo período do ano passado – e o melhor resultado da história do banco para os seis primeiros meses do ano. No segundo trimestre, o lucro líquido foi de 1,8 bilhão de reais, aumento de 39,7% em relação ao primeiro trimestre do ano.

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A inadimplência da Caixa Econômica Federal, considerando os atrasos acima de 90 dias, alcançou 2,27% em junho, melhora de 0,22 ponto porcentual na comparação com março, de 2,34%. Em um ano, porém, o indicador apresentou piora de 0,20 p.p.

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A Caixa continua sua trajetória de forte expansão do crédito, com avanço de 42,5% da sua carteira de financiamentos no segundo trimestre ante o ano anterior, em uma estratégia oposta à adotada pelos grandes bancos privados, mas que tem impulsionado o seu lucro.

Como diria o Whitesnake, “Here I go again“. Os bancos estatais, como fica evidente, são os grandes responsáveis pela bolha de crédito em gestação no país. Com patamares de alavancagem bem maiores do que os bancos privados, eles seguem expandindo a carteira em taxas de crescimento assustadoras. Tudo com fins políticos e eleitoreiros, claro.

Não se iludam com a baixa inadimplência atual. Em primeiro lugar, ela pode se mostrar passageira. Ainda temos um nível de emprego elevado no país, pois esse é o último local em que chega a crise. Em segundo lugar, a Caixa atrai bons devedores com sua política agressiva de crédito, só que isso produz efeito negativo no mercado como um todo.

Como a Caixa tem o respaldo do estado e objetivos mais políticos (“democratização do crédito”) que econômicos, ela consegue capturar boa parte do mercado, prejudicando os demais bancos. Foi exatamente assim nos Estados Unidos, com Fannie Mae e Freddie Mac. E a inadimplência também era muito baixa antes da bolha estourar. Aí era tarde demais, e elas quebraram. Como nosso BNH no passado, lembram?

Escrevi um artigo sobre isso com base nos balanços do final de 2012. De lá para cá, a tendência só se agravou: bancos privados pisaram no freio do crescimento, receosos com o risco de inadimplência no futuro, enquanto os públicos “sentam o pau na máquina”, como se tudo estivesse às mil maravilhas na nossa economia. Segue trecho:

O brasileiro já se encontra bastante endividado. O modelo de consumo calcado em crédito se esgotou. A economia não cresce e a inflação segue elevada. O inverno chegou para as cigarras. Os bancos privados percebem isso, mas sofrem forte pressão do governo para expandirem ainda mais o crédito.

Os bancos públicos assumem a iniciativa, roubando mercado de forma irresponsável. Já correspondem a quase metade do total de crédito do país, lembrando que Marx e Engels defendiam o controle estatal do crédito como instrumento para a revolução comunista.

Quando Pandora abriu a caixa que ganhara de presente, contra todos os alertas, ela espalhou pelo mundo vários males. Sobrou na caixa a esperança, a última que morre. Espera-se que o governo saiba parar com essa política inflacionária a tempo. Caso contrário, teremos muito sofrimento depois. Assim diz Cassandra, cuja maldição era prever o futuro, mas não ser escutada…

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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