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Rodrigo Constantino

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Meio século do “assalto do século”

  • PorRodrigo Constantino
  • 08/08/2013 15:36
Meio século do “assalto do século”
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Na madrugada de 8 de agosto de 1963, uma gangue liderada por Bruce Reynolds parou o trem que viajava de Glasgow para Londres carregado de dinheiro vivo após um feriado bancário. Os ladrões adulteraram um sinal para fazer o trem parar, golpearam o piloto com uma barra de ferro e tomaram o segundo vagão, que transportava os valores.

A Folha fez uma reportagem sobre o aniversário do “assalto do século”, que completa hoje 50 anos. Em tempos de relativismo moral em alta, bandidos e mocinhos se misturavam, a zona cinzenta aumentou de tamanho, e os criminosos se tornaram heróis para muitos.

Segundo os pesquisadores Nick Russell-Pavier e Stewart Richards, o assalto já deu origem a 27 livros, 17 documentários de TV e quatro longas-metragens. Em março deste ano, o funeral de Reynolds virou uma espécie de celebração do crime quase perfeito. O glamour do roubo cinematográfico ainda encanta muita gente.

Bem menos glamouroso, mas nem por isso menos rentável, são os roubos frequentes que ocorrem no Brasil sobre trilhos. Os assaltantes britânicos levaram £ 2,6 milhões em dinheiro vivo na época, hoje equivalentes a £ 46 milhões ou R$ 158 milhões, a serem repartidos igualmente.

Ronald Biggs veio se refugiar no Brasil (e todo bandido de filme em Hollywood não escolhe o Brasil para fugir?). Mal sabia ele que seu crime é “fichinha” perto daqueles praticados por gente do nosso governo. Duvida? Então seguem trechos do meu livro Privatize Já:

A estatal Valec, responsável pela construção da Norte-Sul, fez um levantamento em junho de 2012 que apontou uma necessidade de despesa extra na casa dos R$ 400 milhões para consertar falhas na estrutura e nos trilhos.

Erros grosseiros foram encontrados, tanto nos trilhos como nos pátios logísticos. O atual presidente da empresa, José Eduardo Castello, declarou em entrevista ao jornal Valor Econômico: “Tocaram os trilhos e não fizeram os pátios, ou seja, hoje não tenho onde carregar o trem. Ainda que toda a linha estivesse pronta, não teria onde estacionar para receber e entregar a carga”.

A ferrovia teve sua construção iniciada em 1987, durante o governo Sarney. Duas décadas depois de total abandono, as obras foram retomadas em 2007, ano em que a Vale assumiu, por R$ 1,4 bilhão, em pleno governo do PT (como veremos mais à frente) a concessão dos mais de 700 quilômetros da parte norte da ferrovia. 

Com cerca de dois mil trabalhadores envolvidos nas obras e com um orçamento total de US$ 6,7 bilhões, a Norte-Sul é um dos maiores empreendimentos de transporte do mundo. Não surpreende mais nenhum leitor deste livro o fato de que tantos recursos sob controle estatal produzam atrasos, superfaturamento e claros sinais de incompetência.

O Tribunal de Contas da União (TCU) tem acompanhado de perto as obras, chegando a recomendar sua paralisação por conta de irregularidades encontradas. Em 2010, o TCU exigiu que a estatal Valec fizesse a correção de diversos itens do edital da ferrovia, levando a uma redução de quase R$ 170 milhões no orçamento original. O TCU verificou que o dormente, para dar um exemplo, custava R$ 300 para a estatal, enquanto na Transnordestina, negócio privado, ficava por R$ 220.

A polícia já constatou superfaturamento de pelo menos R$ 129 milhões só na construção de trechos da ferrovia em Goiás. A apuração trecho a trecho aponta sobrepreço de 20% no orçamento inicial. O ex-presidente José Francisco das Neves, o Juquinha, chegou a ser preso pela Polícia Federal na operação “Trem pagador”, no começo de julho de 2012.

Ele comandou a empresa de 2003 a 2011, período em que seu patrimônio deu um salto espetacular. Quando chegou à Valec, Juquinha tinha patrimônio declarado de R$ 1,5 milhão, e o último dado somava R$ 18 milhões, sendo que, pelos cálculos dos investigadores, só os bens identificados até o momento da prisão chegavam a R$ 60 milhões! 

Como Ronald Biggs pode ver, existem formas bem mais fáceis de se roubar trens. Basta ter uma poderosa estatal à disposição cuidando do setor. Mas uma coisa há em comum: esses ladrões adoram o Brasil como destino final…

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