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Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

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Wagner Moura e Marighella: a ligação perfeita

O ator Wagner Moura terá sua estreia como diretor em filme sobre Marighella, o guerrileiro comunista que inspirou vários jovens brasileiros e estrangeiros com seu manual de guerrilha. Acho a escolha bastante adequada. Esquerdistas radicais se entendem, mesmo quando um era terrorista, e o outro é apenas da esquerda caviar, aquela que admira o terrorismo, enquanto enche o bolso com o lucro capitalista na exploração desses terroristas.

Meu trabalho será humanizar o herói Marighella, descobrir do que ele tinha medo, procurar seus conflitos. Em um determinado momento de sua participação na resistência armada à ditadura, ele entendeu que a luta estava perdida. Essa já seria uma falha trágica. Mas, assim mesmo, ele não foi para o exílio. Lutou até morrer, no Brasil – diz Moura.

Eis aí uma tarefa complicada: humanizar alguém que amava a Humanidade mais do que os homens de carne e osso. Outros mostraram essa mesma determinação, essa insistência em suas convicções, lutando até morrer pela causa. Hitler vem à mente. Che Guevara idem. Será que é algo notável? Ou será que estamos falando de seres dogmáticos e sedentos por violência?

Filho do guerrilheiro, o advogado Carlos Augusto Marighella, de 65 anos, vê o filme de Moura como uma chance de levar o sonho de seu pai às massas.

— Tenho o desejo de ver meu pai ser reconhecido como um herói nacional — afirma Carlos Augusto.

Mas das 760 páginas escritas por Magalhães, alimentadas por 256 entrevistados, Moura tenta extrair o máximo de distanciamento para não cair em maniqueísmos.

— Não quero reduzir a esquerda à imagem de boazinha nem reduzir os militares a monstros malvados. Quero contradições para fazer um filme que funcione como entretenimento, mas tenha conteúdo — diz o ator.

Alguém duvida que o filho do guerrilheiro terá seu desejo atendido? A imparcialidade de Wagner Moura, aquele que defende o PSOL, é espantosa: ele não quer reduzir a esquerda à imagem de boazinha, nem os militares a monstros malvados. Que lindo! É quase isso, para ele. Mas como seu compromisso é com a verdade, ele vai achar uma ou outra falha na esquerda, e quem sabe uma qualidade nos militares…

Em tempo: o filme tem orçamento previsto de R$ 10 milhões. Como é legal enaltecer comunistas com tantos recursos capitalistas, não é mesmo? Quanto o próprio diretor vai lucrar com o filme? Só no capitalismo é possível “vender” comunismo dessa forma; pois no comunismo, os capitalistas acabam no paredón.

* * *

Para quem quiser ter uma ideia melhor do esquerdismo radical de Wagner Moura, segue um texto meu sobre uma entrevista que ele deu à Caros Amigos (ele não fala com a VEJA, pois ela é de “direita”):

Pede para sair, Capitão Nascimento!

O ator Wagner Moura, Capitão Nascimento para os “íntimos”, deu uma entrevista na revista Caros Amigos, aquela que faz proselitismo de esquerda. Durante a entrevista, o ator afirmou que não fala com a revista VEJA, pois sua linha editorial é de “extrema direita”. Wagner Moura disse ainda que não poderia dar entrevista para uma revista que publica textos de Diogo Mainardi (publicava). Wagner Moura é apenas mais um “intelectual” brasileiro; um personagem famoso que, por isso, julga-se culto e preparado para falar de política e economia. O pior é que tem audiência, não apenas para os filmes, mas para suas “ideias”…

Em outra entrevista, agora à Folha, o ator de “Tropa de Elite” veio com essa, quando o repórter perguntou se ele continuava a favor de Lula:

“Pô cara, vou te falar, acho que Lula… [pausa] Eu tenho uma admiração grande pelo cara. Ele tem feito muita coisa legal. E eu ainda acredito na esquerda, não na boba, utópica, mas em um Estado intervencionista. Acho o liberalismo uma coisa perigosa. Deixar as coisas andarem nas mãos da iniciativa privada é perigoso. O Estado tem que ter poder. Se o Estado não cuidar da gente, não vai ser a IBM que vai cuidar.” *

Viram que profundo? Wagner Moura não gosta mais da esquerda utópica, mas sim daquele Estado intervencionista, clarividente e honesto, que vai “cuidar” de todos nós. O liberalismo é muito perigoso, afinal de contas. Onde já se viu empresas competindo para atender melhor a nossa demanda? IBM, Dell, Microsoft e Apple, cada uma delas tentando produzir coisas mais baratas e melhores, sob a ótica do consumidor. Isso é muito perigoso! Precisamos da proteção do Estado intervencionista, sem utopias. Somos crianças indefesas em busca de uma babá, e nada melhor do que políticos poderosos para esta tarefa. Quem precisa da IBM quando se tem Lula ou Sarney?

Quando vejo esta verborragia de atores, cineastas, arquitetos ou cronistas simpáticos, sempre penso em como a natureza costuma ser seletiva na distribuição de talentos. “Deus não dá asas à cobra”, diz o ditado. Wagner Moura é, sem dúvida, um grande ator! Mas como pensador político… vai acabar no PSOL! Por isso respeito tanto a máxima de “cada um no seu quadrado”, ou “cada macaco no seu galho”. Gostaria de ter um décimo do talento teatral de Wagner Moura, nem que fosse só para encenar em família. Mas jamais faria Shakespeare no teatro. O público não merece isso.

E o público também não merece a cabecinha oca de Wagner Moura quando se trata de política. Melhor ficar só com o Capitão Nascimento mesmo. Não gostou? Então pede para sair!

* Wagner Moura, no fundo, gosta do capitalismo e das empresas capitalistas, incluindo multinacionais. Ao menos na hora de fechar contrato para comerciais muito bem pagos. Ele foi o garoto propaganda da TIM, a empresa de telefonia italiana. E foi o escolhido para uma grande campanha da Totvs, empresa de tecnologia em busca do legítimo lucro condenado pela esquerda caviar. Santa hipocrisia!

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Sobre / 

Rodrigo Constantino

Economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja.com, jornal O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal.

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