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O apresentador Luciano Huck ultrapassou o presidente Jair Bolsonaro em índice que mede a popularidade nas redes sociais. O resultado é de monitoramento da consultoria Quaest, que elabora desde janeiro do ano passado o IDP (Índice de Popularidade Digital).
O levantamento considera cinco dimensões: fama dos personagens públicos (número de seguidores), engajamento (comentários e curtidas por postagem), mobilização (compartilhamento das postagens), valência (reações positivas e negativas às postagens) e presença (número de redes sociais em que a pessoa está ativa).
Desde janeiro de 2019, quando a Quaest iniciou o monitoramento, Bolsonaro era o campeão isolado de popularidade dentre dez possíveis presidenciáveis observados. Em dezembro, contudo, o presidente foi ultrapassado pela primeira vez.
O novo topo do ranking é agora ocupado por Huck, que alcançou índice 75,36. Bolsonaro ficou com 66,24. Bem abaixo vem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 29,09. Os valores se referem à atividade nas redes de 1º a 31 de dezembro de 2019.
Antes que os "isentões" fiquem muito animados, porém, é preciso lembrar que Huck é popular como apresentador, não como político. Suas investidas na política, de olho em 2022, são recentes, e não é isso que o torna tão popular nas redes, e sim o papel de bom moço desempenhado em seu programa de televisão.
Claro que uma coisa pode levar à outra, e basta lembrar de Donald Trump. Não é segredo que o ministro Paulo Guedes, antes de "casar" com Bolsonaro, estava "namorando" com Huck, quem havia convencido a considerar a possibilidade de se candidatar. Guedes tinha identificado características no apresentador importantes para uma vitória, num momento de cansaço dos eleitores com os políticos profissionais.
Tive a oportunidade de conversar com Guedes durante a campanha sobre isso, e ao menos um traço no perfil de Bolsonaro estava ausente em Huck: a imagem de antipetista. Enquanto a eleição for uma espécie de plebiscito sobre o lulopetismo, quem for mais "neutro" terá poucas chances, já que o voto diz respeito, antes de mais nada, à rejeição ao bandido esquerdista.
Aquele selfie orgulhoso de Huck com Lula, portanto, vai assombra-lo por algum tempo ainda. Isso sem falar do rótulo de "candidato da Globo", e também o viés "progressista" nos costumes, fora a questão da segurança.
Enfim, há espaço à esquerda para um FHC mais novo e simpático, carismático e que vem de fora da política. Mas faltam ao Huck certas qualidades para a maioria cansada do "progressismo". O selo de liberal na economia ele consegue com Arminio Fraga, mas nas demais áreas haverá desconfiança legítima.
O que não quer dizer que não ofereça perigo ao bolsonarismo. Tanto que o ataque já começou faz tempo, com a narrativa do jatinho subsidiado pelo BNDES. É a tentativa de neutralizar o potencial adversário antes mesmo de ele decidir se lançar nessa aventura.
Mas Huck parece cada vez mais animado com o desafio e o mundo político. As articulações começaram e, em Davos, o apresentador já falou como candidato. Será interessante acompanhar isso...





