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Para muita gente, o simples ato de escutar o presidente Lula falando já dá nos nervos. É compreensível: o petista está na cena política há décadas, e nunca desceu do palanque. Age como se não tivesse sido presidente por três mandatos, além do governo Dilma, cuja campanha associava diretamente a ex-guerrilheira ao ex-metalúrgico, sem falar do mesmo ministro das Finanças.
Em suma, nos últimos vinte anos, o PT governou por 17, e mesmo assim Lula finge ser novidade, com promessas fantasiosas e sem qualquer reconhecimento pelos fracassos evidentes. Em linguagem mais clara, Lula mente que nem sente, e não seria diferente na entrevista para o Jornal Nacional. Ossos do ofício, tive que acompanhar, e posso resumir: Lula mentiu o tempo todo.
Logo de cara, César Tralli abriu perguntando sobre o caso Lulinha, o que colocou o presidente na defensiva. E ali já começaram as mentiras escabrosas. Lula disse, por exemplo, que trata o filho como trata os demais 215 milhões de cidadãos, sem qualquer privilégio. Chegou a dizer que nunca tentaria afastar um delegado federal responsável pela investigação, o que, de fato, fez. Lula tentar bancar o republicano quando todos sabemos do esforço petista para enterrar a CPMI do INSS é realmente o cúmulo do cinismo.
Mas não ficaria “só” nisso, naturalmente. “Marisa morreu pelas falsas acusações da Lava Jato. Fábio tem obrigação de não ter feito nada de errado”, disse Lula, mostrando ser o sujeito mais cínico do planeta! Lula se vendeu como um injustiçado que foi condenado por perseguição política, ignorando que nove juízes e desembargadores o condenaram por corrupção passiva, em três instâncias, com “provas sobradas”.
No único momento em que Lula disse a verdade, ele desdenhou da preocupação geral com o endividamento público.
“Fui inocentado da acusação da chacra”, mentiu Lula, que nunca foi inocentado e que era o dono de fato do sítio que tinha pedalinhos no nome dos netos, e que estava no nome de Fernando Bittar, laranja por ser “amigo” do filho Lulinha.
Quando a entrevista incluiu o nome de Roberta Luchsinger, a outra “amiga” de Lulinha, Lula chegou ao ápice da cara de pau. Disse que conversas telefônicas não dizem absolutamente nada, chamou Roberta de “pilantra” e ainda soltou essa: “Malandro é igual em todo lugar do mundo”. Logo em seguida, Lula malandramente tentou mudar o assunto de Lulinha pra Master.
Sem ajuda do entrevistador, Lula perdeu a paciência e soltou a maior pérola de todas: disse que nem conhecia a Roberta, que nunca esteve com ela. Imediatamente várias pessoas nas redes sociais resgataram várias imagens dos dois juntos, inclusive postagens em que a Roberta demonstra carinho e intimidade para com o pai de seu “amigo”. Para mentir de forma tão descarada assim o sujeito tem que ser um mentiroso profissional mesmo!
“Não sou procurador nem juiz”, disse Lula para alegar que não vai prejulgar o filho, enquanto acusa todos os adversários sem qualquer prova. A vida toda Lula meteu rótulos em seus adversários, tratados como inimigos mortais, e nunca teve melindre de acusá-los das piores coisas com base em qualquer factoide. Mas, no caso do seu filho, tudo não passa de “ilação”.
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Em outro tema espinhoso para o presidente, os entrevistadores quiseram saber o motivo do avanço do crime organizado no país e na Bahia, já que o PT controla o estado há vinte anos e está no comando do governo federal desde 2003, com pequeno intervalo de Temer e Bolsonaro. Lula tergiversou, tentou fugir pela tangente, mas não foi capaz de apresentar um só argumento. Restou, então, afirmar que nenhum governador conseguiu enfrentar o problema. Ou seja, Lula quer ser reeleito admitindo que não sabe o que fazer para conter o crime organizado, que ele se recusa a classificar como terrorista.
No único momento em que Lula disse a verdade, ele desdenhou da preocupação geral com o endividamento público, que está se aproximando de dez trilhões de reais, afirmando: “A dívida pública não me preocupa”. Isso todos podemos notar. E por isso mesmo os investidores estão tão apavorados e a taxa de juros não cai, mantendo-se no incrível patamar de 14% ao ano.
A dúvida inevitável que surge ao acompanhar uma entrevista dessas é a seguinte: como foi que um sujeito desses foi eleito três vezes e ainda emplacou seu “poste” outras duas? Que tipo de país permite uma coisa dessas? O que isso diz sobre o Brasil, do ponto de vista moral e intelectual? Não é por acaso que o país vai tão mal em segurança pública, educação, saúde, transporte e crescimento. Como esperar algo diferente?

Rodrigo Constantino é economista pela PUC com MBA de Finanças pelo IBMEC, trabalhou por vários anos no mercado financeiro. É autor de vários livros, entre eles o best-seller “Esquerda Caviar” e a coletânea “Contra a maré vermelha”. Contribuiu para veículos como Veja, O Globo e Gazeta do Povo. Preside o Conselho Deliberativo do Instituto Liberal. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.




