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Rodrigo Constantino

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Poder

O bolsonarismo ainda vive

Jair Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). (Foto: Isaac Fontana/EFE)

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O ministro Barroso estava num convescote dos comunistas da UNE quando disse: “Nós derrotamos o bolsonarismo”. Não só era a confissão de um crime, já que ministros supremos precisam ser apartidários e imparciais, como era um anúncio muito precoce. O bolsonarismo, ao que tudo indica, segue não apenas vivo, mas forte.

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Como mostra uma reportagem da Folha de SP, a uma semana do fim da janela partidária, o PL já alcançou a marca de 105 deputados federais. É a maior bancada de um partido na Câmara dos últimos 25 anos. E isso não se deve aos lindos olhos azuis de Valdemar, com certeza. É fruto de um movimento que ainda respira e atrai multidões, mesmo com seu líder preso.

Não resta dúvida de que há inúmeros parlamentares sem convicção ideológica ali. O PL, afinal, agrega uma ala do tal centrão fisiológico também. Mas é inegável que o crescimento do partido se deu a partir da chegada de Jair Bolsonaro, e que o ex-presidente continua sendo o principal cabo eleitoral da direita.

Tanto é verdade que Bolsonaro ainda assusta o sistema que Alexandre de Moraes decidiu por uma prisão domiciliar inovadora, repleta de cautelares, justamente para afastá-lo das articulações políticas e das campanhas de seus aliados

Isso tem ligação com méritos do próprio Jair, como um governo sem escândalos de corrupção, o despertar da esperança patriótica no povo e ministérios técnicos, como também deriva da própria perseguição sofrida pelo ex-presidente e seu entorno. A tentativa de destruir o bolsonarismo por meio do abuso de poder supremo teve um efeito bumerangue: o povo percebeu a injustiça e reagiu.

Há, ainda, o fator do antipetismo. Cada vez mais gente se dá conta, finalmente, de que o governo Lula é um fiasco total. Ser oposição a esse desgoverno, portanto, é questão de bom senso e pragmatismo político. Dentro do PL, como já disse, existe uma ala que pouco se importa para valores e princípios, mas é crescente o grupo que tem como missão derrubar Lula e restaurar o Estado de Direito no país.

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Os deputados mais calcados nesses princípios conservadores são os que mobilizam mais gente, como o caso do jovem Nikolas Ferreira. Pesquisa recente mostra que Nikolas é o deputado com imagem mais positiva, enquanto outra pesquisa mostra que o nível de rejeição a Lula entre os jovens de 16 a 24 anos ultrapassa a impressionante marca de 70%. O futuro não parece muito promissor para a esquerda radical, e a contracultura de hoje é ser conservador.

Tanto é verdade que Bolsonaro ainda assusta o sistema que Alexandre de Moraes decidiu por uma prisão domiciliar inovadora, repleta de cautelares, justamente para afastá-lo das articulações políticas e das campanhas de seus aliados. O STF sabe que o bolsonarismo ainda respira, e que toda a asfixia imposta pelos ministros não foi suficiente para matá-lo ou sequer enfraquecê-lo.

A maior prova disso é a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro crescendo e ultrapassando as intenções de voto em Lula no segundo turno. Tentaram enterrar Bolsonaro e o bolsonarismo vivos, mas não foram capazes. Agora resta tentar “neutralizar” a força conservadora, pressionando e chantageando o PL para que seja mesmo um partido típico do centrão, sem oferecer qualquer ameaça ao sistema podre e carcomido. Espero que fracassem nessa empreitada...

Conteúdo editado por: Jocelaine Santos

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