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Eu estava viajando, em trânsito para o Brasil, quando o tema da vez era a descoberta de empresas offshore do ministro Paulo Guedes e do presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, vazadas pelo Pandora Papers. Bastou atualizar o que se passava nas redes sociais e na imprensa para ficar enojado com a tentativa de assassinato de reputação do meu ex-chefe e atual ministro da Economia.

Ao menos o caso serviu para uma breve aula aos brasileiros sobre offshore. Vamos lá:

1) Ainda bem que vivemos em um país aberto, como os países mais desenvolvidos, que nos permite investir em empresas em outras jurisdições. Gostaríamos de viver em um país em que a única possibilidade de investimento seja dentro do próprio país? Abrir offshore é a coisa mais natural do mundo;

2) Podemos investir em empresas nos EUA, na Europa, no Caribe. A escolha é nossa e depende exclusivamente das vantagens oferecidas. Imagina um modelo em que o estado nos obriga a permanecer com nossos recursos aplicados nele: seria coisa meio cubana, não?

3) O importante é que a origem do dinheiro seja fruto do nosso trabalho e que o investimento esteja declarado às autoridades fiscais. Para a a Receita Federal pelo valor de aquisição e lembrando que para o Banco Central pelo valor de mercado;

4) Não há nada de ilegal nisso, nada a se envergonhar. A única vergonha é uma mídia oportunista e tendenciosa que transforma o sucesso e a riqueza em pecado, sem separar o que é fruto de trabalho e investimento do que é fruto de roubo e corrupção.

Aqui vem o cerne da questão: ladrão é quem, como o Lula, desvia recursos do governo, pilha o estado com seus comparsas, enriquece na política. Quem ganhou dinheiro com seu trabalho no livre mercado tem todo direito de fazer um planejamento para proteger melhor seu patrimônio, ainda mais num país hostil como o Brasil, que teve desde a redemocratização inúmeros planos econômicos heterodoxos e até confisco. Sem segurança jurídica, o óbvio é quem tem dinheiro manter uma parte mais segura no exterior.

Alguns chegaram ao menos ao ponto de reconhecer essa obviedade, mas tentaram apontar o "conflito de interesses" do ministro da Economia ou do presidente do Banco Central, como se a gestão deles pudesse sofrer influência desses recursos em dólares. Que piada! Leandro Ruschel comentou: "Tem que ser muito burro para acusar Guedes de lucrar com alta do dólar. Segundo consta, o ministro tem um patrimônio aproximado de R$ 500 milhões. O investimento na offshore foi de US$ 10 milhões. Ou seja, ele ganha sobre 10% da carteira e perde nos outros 90%".

Paulo Guedes é um herói por ter tanto dinheiro legal, no Brasil e no exterior, e mesmo assim se dedicar à coisa pública, aturando esse tipo de coisa. No fundo todos sabem que o alvo é Bolsonaro. A oposição, desesperada, mira no ministro para desestabilizar a economia, torcendo pelo pior. É um jogo sujo, que tenta desestimular gente séria a trabalhar em prol do país.

Já que o assunto da moda é offshore, porém, que tal a imprensa averiguar uma aberta pela esposa de certo ministro supremo, em seu nome de solteira, para comprar um baita apartamento milionário em Key Biscayne, Miami? Talvez aí o ministro venha a público explicar que abrir offshore para comprar imóvel é algo bastante comum, até para reduzir riscos de eventuais passivos.

O crime não é ter offshore, tampouco é sério falar em conflito de interesses no caso de Guedes. Tudo não passa de narrativa fajuta, patética. Crime é roubar dinheiro público. Disso a oposição entende...

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