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O mundo entrou em pânico novamente. A variante africana chamada Ômicron - pularam o nu para não confundir ou "new" (novo) e o xi para não melindrar o "chefinho" - se espalha e causa medo. Fronteiras são fechadas. Infectados ficam isolados. Especialistas fazem alertas. Os mercados despencam.
Mas provavelmente os investidores temem mais as autoridades do que o próprio vírus. Explico. Vivemos num mundo em que o medo se espalha muito rápido e muita gente olha para os governos como salvação. O que essas autoridades decidirem - para nos proteger, supostamente - terá apoio grande daqueles que esperam que "algo seja feito".
Esse mindset produz hiperatividade estatal, tudo em nome da ciência. Fecha fronteira, proíbe circulação, exige máscara, passaporte vacinal e tudo voltará ao normal - em mil dias! A crença mais comovente dos verdadeiros "negacionistas" é a de que tecnocratas e políticos podem impedir o contágio do vírus. Até aqui falharam miseravelmente, mas quem liga?
Eis o que não consigo compreender, ao menos não pela ótica da ciência ou da política pública: por que todos estão tão obcecados com a transmissibilidade da nova cepa em vez de focar somente na letalidade? Ora, mesmo como leigo eu sei que o contato com o vírus - em qualquer de suas variantes - será basicamente inevitável. Em algum momento quase todos serão contaminados! O que realmente importa é a taxa de mortalidade.
Diga-me: como foi a tentativa até aqui de evitar a disseminação da variante delta? O mais estranho é essa obsessão com a transmissibilidade vir justamente dos que mais defendem a vacina, e que chegaram a vendê-la como uma panaceia. Ora, se já sabemos que as vacinas não impedem o contágio ou a disseminação, então não é muito mais relevante olhar para hospitalização e óbito? Sim, o número de casos explodiu, mas felizmente o número de mortes não aumentou na mesma proporção. E isso pode ser exatamente graças às vacinas!
Vejo as medidas draconianas de fechar fronteiras e cancelar eventos como inócuas na melhor das hipóteses, e perigosas na mais provável, não do ponto de vista de saúde pública, mas das liberdades e também da economia - que, já sabemos, importa e muito para salvar vidas. Fica a sensação de que muita gente gostou mesmo dessa coisa de controle social, de ditar nossos passos em cada detalhe. Inúmeras incertezas sobre a nova variante, especialistas locais acalmando o mundo ao afirmar que a letalidade não é elevada, mas ainda assim há pressão para o "fazer algo", como se esses políticos pudessem mesmo nos proteger do vírus. É muita fé na burocracia...





