STF: vergonha internacional
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Por favor, me peçam qualquer coisa, que eu veja uma live inteira do MBL com os outros oito pobre coitados da sua audiência restante, que eu volte a usar uma camisa do Novo em homenagem ao Amoedo tucano, que eu pague cinquenta flexões de uma vez, mas não me peçam para explicar a um amigo gringo a decisão do STF desta terça. Isso seria missão impossível.

O editorial da Gazeta do Povo resumiu com perfeição: "Vergonha para o STF, luto para o Brasil". A mudança de voto da ministra Cármen Lúcia, após um voto técnico impecável de Kássio Marques e de uma reação desequilibrada de Gilmar Mendes, foi a coisa mais bizarra já vista ali. Eis como o jornal descreve:

Todos os “novos elementos” citados por Cármen Lúcia para mudar seu voto já eram conhecidos quando ela tinha votado contra a suspeição de Moro, o que invalida sua argumentação.

O jornal conclui: “Cada um passará à história com o seu papel”, vociferou Gilmar Mendes durante sua manifestação, e ele tem razão. Quanto ao presidente da Segunda Turma, sua atuação sistemática na desconstrução da Lava Jato já lhe garantiu com folgas a forma como ele passará à história. É Cármen Lúcia que, nesta terça-feira, acrescentou uma mancha ao seu legado. Pois o que ocorreu nesta sessão da Segunda Turma não foi apenas uma enorme injustiça contra Moro ou contra a Lava Jato. As portas foram abertas para se inviabilizar o bom combate à corrupção. O Brasil tem todas as razões para estar de luto.

Alexandre Garcia, em sua coluna na mesma Gazeta, também sintetiza com perfeição o absurdo desta terça: "STF inverte as coisas: o bandido agora é Moro e o mocinho, Lula". Garcia considera que o circo de ontem também derruba outra tese boba:

Isso derruba mais uma narrativa: a de que a anulação das condenações de Lula em Curitiba eram para “salvar” Sergio Moro. Alguns levaram a sério essa afirmação, até saiu em colunas nos jornais. Agora eu me pergunto: o que os mais de 100 corruptos condenados na Lava Jato de Curitiba estão fazendo? Com toda certeza, uma festa, porque eles poderão usar o mesmo argumento de que Moro não foi imparcial. Afinal, depois dessa ênfase de tribuno de Gilmar Mendes, certamente eles terão esperança de serem inocentados.

O pior crime que pode existir é quando um pai mata o próprio filho. É contra a natureza, já que o filho espera do pai a proteção, o amor, o carinho, a educação e a segurança. Numa analogia com o sistema democrático, o pior crime que existe é quando o guardião da Constituição é o mesmo que a mata. Recorrer a quem?

Já disse antes e repito: o maior adversário do Brasil hoje não é o bandido escancarado, mas o dissimulado que finge haver normalidade institucional em nosso país, para dar um verniz de respeitabilidade aos cúmplices dos bandidos. Quem tem esse STF não precisa de nações inimigas e ameaças externas.

Foi o próprio José Dirceu quem alertou: "É questão de tempo para a gente tomar o poder". E ele emendou que isso não precisava significar necessariamente vencer pelas urnas. Ao trair Bolsonaro, sair da forma que saiu e virar o lacrador isentão que virou depois, Moro cometeu o maior erro de sua vida: achou que era viável bajular e ficar bem com comunistas. Será engolido de vez. E o Brasil junto, pelo visto...

E se duvidar Lula ainda vai receber indenização do estado, no que depender desse Supremo companheiro. Nesse contexto aterrador, quem bate panela contra Bolsonaro e não contra o STF pode até não saber, mas quer o PT de volta. E digo mais: merece! O problema é que nós brasileiros decentes não merecemos...

O deputado Paulo Eduardo Martins disse tudo: "Não tenho palavras para descrever o que estou sentindo. Só palavrões". Já o deputado Marcel van Hattem desabafou: "Placar de 3 a 2 a favor da impunidade no país. Quem se demonstra parcial, na verdade, é a maioria da segunda turma do STF". Seu colega de partido Paulo Ganime também subiu o tom: "Mensagem do STF para a sociedade: No Brasil vale a pena ser hacker, corrupto, bandido. Mas se você tentar combater a corrupção você será considerado suspeito e tudo que você fez não valerá para nada, mesmo se validado por colegiado de instância superior".

São dias sombrios e preocupantes para nossa Pátria. Todo brasileiro de bem estava triste nesta terça, com uma sensação misturada de revolta e impotência. Que Deus tenha misericórdia dessa nação, como costuma dizer Paulo Martins. E salve-se quem puder!

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