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Rodrigo Constantino

Rodrigo Constantino

Um blog de um liberal sem medo de polêmica ou da patrulha da esquerda “politicamente correta”.

Eleição

Uma conversa desarmada com os adultos indecisos

O apelo final é de proporção. A consistência que reivindico é a mesma de quando pedia o voto em Aécio, Serra ou Alckmin contra Lula e Dilma: o menos pior contra o PT. (Foto: Fotomontagem/Gazeta do Povo (Beto Barata/PL e Ricardo Stuckert/PR))

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Fiz uma live esta semana com um público específico em mente: o eleitor adulto e indeciso. Aquele que pensa em Caiado, em Zema, até em Renan Santos, ou então em anular o voto – porque rejeita Lula, mas também não engole Flávio Bolsonaro nem o bolsonarismo. A conversa foi desarmada justamente porque não era com quem já decidiu. Era com quem ainda hesita, e essa hesitação é o que pode reeleger o PT.

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Me acusam de ter voltado “rastejando” ao bolsonarismo. Nada disso. Minha prioridade nunca mudou: impedir a perpetuação do PT no poder. Escrevi o livro Estrela Cadente em 2005 sobre as contradições do partido, nunca votei nele, fui processado por Lula e cheguei a figurar em lista negra dessa turma. Critiquei Flávio quando a chapa ainda parecia incerta e nomes de menor rejeição pareciam mais competitivos. Reconheço as fragilidades do candidato. Mas a conversa não é com quem já vai votar nele – é com quem ainda não se convenceu.

No item corrupção, a eleição não compara dois nomes: compara dois pacotes. Lula foi condenado em três instâncias por nove juízes, com “provas sobradas” no caso do triplex e do sítio. A anulação veio de uma manobra de Fachin que mudou o foro, não de uma absolvição de mérito. Flávio enfrenta suspeitas – rachadinha arquivada, a história da loja de chocolates, a reportagem reciclada da Piauí, o filme sobre o pai bancado por Daniel Vorcaro – sem condenação nem prova fechada. Não se nivela a suspeita ao condenado.

Anular ou dispersar o voto no primeiro turno é abrir mão de encerrar a eleição cedo, economizar bilhões e evitar o jogo sujo que PT e STF fariam num segundo turno. Não se escolhe genro; escolhe-se quem vai gerir o país

No governo Bolsonaro, os escândalos foram escassos; a CPI da pandemia tentou transformar em corrupção uma compra de vacina que não se consumou. A manchete era sobre o presidente importunando uma baleia! Agora voltam Petrobras, Correios, o escândalo do INSS e o Banco Master, com gente próxima de Lula. Política é a arte do possível, não a escolha de um referencial moral. Equiparar o furto de um bombom ao desvio do INSS é tratar o sintoma como a doença.

Na democracia, rejeito a narrativa de que o bolsonarismo seja a ameaça e o lulismo não. Bolsonaro provavelmente sondou, sob pressão popular e diante da atuação descabida de Alexandre de Moraes, se haveria caminho legal – inclusive a leitura ambígua do artigo 142 como poder moderador, tese que Dilma também teria levantado. Nada foi executado, e ele estava em Orlando no 8 de janeiro. Não ordenar a dispersão não transforma silêncio em golpe.

Do outro lado, está o Foro de São Paulo com Fidel, a proximidade com Chávez, Maduro e Ortega, a admiração pelo modelo chinês, a tentativa do Conselho Nacional de Jornalismo em 2003, o PL das Fake News e o inquérito do fim do mundo a serviço de Lula. Há uma ala do bolsonarismo com método parecido com o do PT, da qual sou alvo. Mas a candidatura de Flávio, com Rogério Marinho na coordenação e Daniela Marques na economia, não representa esse grupo.

Na economia, a comparação é entre gestão reformista e dirigismo petista. Daniela Marques, associada a Paulo Guedes e ao mercado, está na linha de quem gosta de Zema ou reconhece a gestão de Caiado: contenção de gasto e responsabilidade fiscal, o que Lula trata como frescura ou “babaquice”. Estatais no vermelho, em contraste com o período anterior. Reformas de desburocratização, digitalização e flexibilização trabalhista conduzidas com Rogério Marinho, contra sindicalismo e centralismo burocrático. Caiado, Zema e Renan Santos estão alinhados a essa agenda. Quem vota nesses nomes por economia não tem motivo para preferir Lula.

Na segurança pública, o recorte é o mesmo. Quem admira Caiado admira o governador que não deixou o MST se enraizar em Goiás e levou a sério policiamento ostensivo e endurecimento penal. A agenda de Flávio – encontro com o ministro de segurança de El Salvador, castração química de pedófilos, fim da saidinha, classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas junto ao governo Trump – está no mesmo campo, e no oposto do tratamento de traficantes como vítimas, dos “diálogos cabulosos” com o PCC e da recusa de Lula em adotar a classificação de grupos terroristas. Caiado e Zema, no segundo turno, estão no mesmo lado de Flávio. Votar neles no primeiro, sem chance real, só atrasa o que já se sabe.

No Supremo, o risco é mais quatro indicados no estilo de Flávio Dino, ou um ministro como Jorge Messias, quiçá Gleisi Hoffmann, contra nomes que Flávio poderia escolher. Kassio Nunes é erro do pai, pressionado pelo centrão e por Ciro Nogueira – ainda assim incomparável a Dino e Moraes. Não espero nomeações de ruptura, um Ives Gandra ou um Sebastião Coelho: a sabatina no Senado limita o possível, como Lula sentiu na derrota de Messias.

Espero uma tentativa de reequilibrar os poderes, anistia dos presos políticos – interesse direto, por ser seu pai a maior vítima – e impeachment de Moraes, sem vingança, depois de conversas de Flávio com Fux e Gilmar e de Rogério Marinho com ministros. Não vai transformar o Brasil na Suíça. Vai estancar a sangria, contra o aprofundamento do controle e a conversão do STF em extensão do PT.

Na geopolítica, Flávio está próximo de Trump, pragmático com a China e comprometido em recompor a relação com Israel – alinhado às democracias liberais ocidentais. Lula levou o Irã ao BRICS, colocou Alckmin ao lado de grupos terroristas financiados pelo regime dos aiatolás, demoniza Israel, enfrenta os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial, toma partido de Putin na guerra da Ucrânia e aproxima o país de uma condição de província chinesa. Para quem acha que, com todos os defeitos, o Brasil deveria estar do lado do Ocidente contra o eixo do mal, a escolha não deixa dúvida.

No último item, minorias, sustento que feminismo e movimentos identitários defendem mais a esquerda do que as minorias que dizem representar. Cito o silêncio diante de Margaret Thatcher, conservadora e cristã, e diante de denúncias contra aliados, como a mulher de Marcelo Freixo, além das grosserias de Lula. A ameaça de perseguição a minorias em 2018 foi Fake News, alarme falso. Um governo de direita tende a tratar o indivíduo, não a fabricar política de identidade.

O método do PT é dividir: evangélicos contra católicos, homens contra mulheres, negro contra branco, pobre contra rico. Portanto, nos itens corrupção, democracia, economia, segurança, STF e geopolítica pesam todos para Flávio. Minorias nem entra como critério – e o PT perde pontos por criar discórdia, cotas e incentivos errados.

O apelo final é de proporção. A consistência que reivindico é a mesma de quando pedia o voto em Aécio, Serra ou Alckmin contra Lula e Dilma: o menos pior contra o PT. Flávio, com todos os problemas do nome, do entorno e do bolsonarismo mais fanático, émelhor do que o PSDB daquela época.

Anular ou dispersar o voto no primeiro turno é abrir mão de encerrar a eleição cedo, economizar bilhões e evitar o jogo sujo que PT e STF fariam num segundo turno. Não se escolhe genro; escolhe-se quem vai gerir o país. Minha projeção, a mesma que fiz em 2014 antes de ir para os Estados Unidos, é de nova implosão se Lula acelerar o gasto e tratar responsabilidade fiscal como frescura. A prioridade é Lula perder. Ou perde o Brasil.

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