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Participei hoje cedo de uma entrevista com Gabriel Orozco, missionário da Venezuela que conseguiu fugir para o Brasil em 2021. Ele atravessou a fronteira pela mata, acompanhado da mulher e dos três filhos pequenos, enquanto um "coiote" os ajudava e apontava para os maiores perigos da travessia. Deixou pai e irmãos para trás, na miséria, sentindo que havia falhado em sua luta pela liberdade.
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Quando Hugo Chávez assumiu o poder, Gabriel tinha apenas 9 anos. "Roubaram minha adolescência", diz. Ele cresceu com um regime opressor socialista, e sua vida inteira adulta, até 2021, foi sob o regime tirânico de Maduro. Seu pai foi da Colômbia para a Venezuela há 40 anos, e criou uma grande construtora. Ela foi destruída pelo regime.
Com o projeto deliberado de destruir a iniciativa privada para gerar dependência do Estado, o governo da Venezuela se recusava a vender insumos para a empresa, pois o pai de Gabriel não era ligado ao partido socialista no poder. A miséria atingiu a todos: cerca de 8 milhões de venezuelanos buscaram o exílio em outros países, e os que ficaram passam fome, milhões usufruindo de uma só refeição por dia.
Os venezuelanos não se importam com o petróleo ou o diamante: eles pensam em suas famílias, na fome, na liberdade. Por isso enxergam em Trump uma chance para resgatar a democracia e a prosperidade perdidas com os socialistas
Perguntei a Gabriel quais as lições que nós, brasileiros, podemos extrair dessa tragédia toda na Venezuela. Ele respondeu: a indiferença. Muitos venezuelanos não foram votar lá atrás, pois consideravam todos os políticos iguais. Entre Chávez e Caprilles, muitos não ligavam qual seria o governante. Alguns cristãos repetiam que a política era o ambiente do diabo.
Houve traição de muitos da "direita" também, que depois se mostraram aliados do chavismo. Enquanto isso, com o povo desarmado e a oposição perseguida e desmobilizada, a ditadura foi avançando. Milhares de presos políticos passaram por tortura, jornalistas foram presos e as instituições foram aparelhadas.
Gabriel conclui que nada mais poderia ser feito de dentro do país, sem ajuda internacional. Enquanto gente de fora acusa Trump de "imperialista", Gabriel e os demais venezuelanos enxergam o presidente americano como uma esperança para restaurar a democracia na Venezuela.
Ele sabe que não será fácil nem de imediato, pois a presidente interina, Delcy Rodriguez, é parte da estrutura chavista com seu irmão Jorge, com os ministros Cabello e Padrino. Trump, municiado por análises da CIA, concluiu que era preciso trabalhar num primeiro momento com esses criminosos para manter a ordem, mas espera-se que a pressão americana seja suficiente para uma transição de regime.
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O futuro da Venezuela é incerto, mas é do interesse americano não permitir que a China siga explorando seu petróleo. E como Gabriel disse, os venezuelanos não se importam com o petróleo ou o diamante: eles pensam em suas famílias, na fome, na liberdade. Por isso enxergam em Trump uma chance para resgatar a democracia e a prosperidade perdidas com os socialistas.
Sobre o Brasil, Gabriel foi claro: pensem bem em quem votar este ano, pois essa escolha pode fazer toda a diferença no futuro. Pode ser a diferença entre a opressão na miséria e a prosperidade na liberdade. Socialistas sempre produzem um quadro de opressão e miséria. Depois é tarde demais.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos





