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O ex-governador Romeu Zema foi para cima do Estado hipertrofiado e disse que vai privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, cortar supersalários e reduzir ministérios: “Privatizar Petrobras e Banco do Brasil (…) Vamos vender também as estatais que só dão prejuízos (…) Vou passar a faca em supersalários”. Essa mensagem é importante especialmente num país em que o Estado se agigantou de tal forma que a verdadeira luta de classes se dá entre pagadores e consumidores de impostos.
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A agenda de redução do Estado sempre foi fundamental para a direita. Não tem cabimento algum o Estado ser empresário, manter empresas sob seu controle, mesmo em “setores estratégicos”. Como autor do livro Privatize Já, mostrei tanto com argumentos teóricos como com inúmeros casos empíricos, no Brasil e no mundo, as vantagens de se privatizar estatais e defender o livre mercado. Infelizmente, ainda há muita gente que discorda, como toda a esquerda e uma ala da “direita” defensora do PCO e Aldo Rebelo.
Ao pregar as privatizações, Zema vai ao encontro do que desejava Jair Bolsonaro no final do seu governo. Com seu Posto Ipiranga Paulo Guedes, o liberal que cuidava de toda área econômica, Bolsonaro chegou a falar abertamente em privatizar os Correios e até a Petrobras. Seu filho Flávio Bolsonaro prometeu um “bolsonarismo centrado” e uma agenda liberal a empresários, afirmando que seu futuro governo, caso eleito, será nos moldes daquele de seu pai: “Darei continuidade ao que o Paulo Guedes começou”. Flávio defendeu abertamente privatizações e corte de impostos, pautas liberais.
Os 'conservadores russos' que vivem agora de bater no Zema, ao lado de Reinaldo Azevedo e outros esquerdistas, condenam qualquer privatização como algo 'entreguista'. O modelo que os inspira é o chinês
Há uma enorme falácia repetida por alguns “conservadores”: a de que JBS, Odebrecht e a "Faria Lima" querem o liberalismo e as privatizações. Não! Eles adoram o PT, as estatais e os fundos de pensão corruptos. Adoram a corrupção que só o governo hipertrofiado permite. O livre mercado é contra tudo isso. Eles amam o capitalismo de Estado, pregado justamente pelos “desenvolvimentistas”. Ciro Gomes é um nome muito mais palatável para essa turma do que Romeu Zema ou Flávio Bolsonaro.
O único banco estatal que financia o agronegócio nos Estados Unidos, por exemplo, é o Bank of North Dakota. Não há um análogo ao Banco do Brasil. O Bank of America é privado. Não existe tampouco uma Petro USA, mas sim dezenas de empresas privadas, nacionais e estrangeiras, competindo no mercado de energia. A revolução do fracking e do shalegas só foi possível graças a esse ambiente capitalista, e hoje os Estados Unidos são um dos maiores produtores de petróleo, sem qualquer estatal cuidando disso.
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Mas os “conservadores russos” que vivem agora de bater no Zema, ao lado de Reinaldo Azevedo e outros esquerdistas, condenam qualquer privatização como algo “entreguista”. O modelo que os inspira é o chinês. Eles querem falar em nome da direita e de Bolsonaro, que chegou a defender a privatização da Petrobras e cujo ministro Posto Ipiranga era o liberal Paulo Guedes. Essa turma adora o Estado! Direita? Nem aqui, nem na China…
Como disse o colunista Fabiano Lana no Estadão: “O famigerado liberalismo atacado pelo manifesto do PT melhorou espetacularmente as condições sociais”. Tanto Jair como Flávio Bolsonaro se cercam de economistas liberais, como Paulo Guedes e Adolfo Sachsida. Mas eles deveriam deixar claro publicamente que certos “aliados” não falam em seu nome, já que são figuras que deploram as privatizações, a economia livre e o mercado de capitais. Essa turma estranha é contra até o Banco Central independente, conquista importante do governo Bolsonaro, que aproximou o Brasil do modelo de todo país desenvolvido.
São pessoas que, por ignorância ou má fé, misturam liberais clássicos com “liberais” como Arminio Fraga e João Amoedo, “progressistas” que defendem pautas de esquerda, como George Soros. Eles fazem um tremendo esforço para colocar conservadores contra liberais, ignorando que todo conservador é liberal na economia. O “pai do conservadorismo” moderno, Edmund Burke, era um liberal Whig. Bastiat, Benjamin Constant, Milton Friedman, Friedrich von Hayek, Ludwig von Mises e tantos outros liberais são leitura obrigatória para todo conservador legítimo.
O problema é que essa gente de “direita” não lê, não quer se informar. Prefere repetir slogans prontos e vazios que mais parecem retirados da cartilha do PSOL. Falam com desprezo dos milionários, do mercado de capitais, da meritocracia. Preferem fundos de pensão envolvidos em vários casos de corrupção. Com uma “direita” dessas, os verdadeiros conservadores nem precisam de adversários à esquerda. Felizmente Zema e Flávio ignoram esse discurso tacanho e pregam privatizações e menos estado. Eis o caminho certo para endireitar o país!
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos









