O que os jingles eleitorais perderam? Por que a cinebiografia de Michael Jackson é tão ruim e mesmo assim fez tanto sucesso? E o que uma série de pegadinhas pode ensinar sobre bondade? Esses são os assuntos do episódio mais recente do “Saideira”, disponível no YouTube da Gazeta do Povo.
O que aconteceu com os jingles políticos?
O primeiro bloco, o “Saideira” se inspira numa reportagem de Omar Godoy para a editoria Ideias sobre os jingles das eleições brasileiras. A inteligência artificial mudou radicalmente a maneira de produzir música, permitindo que campanhas criem canções em grande quantidade e nos mais variados estilos. Há funk, piseiro, rock, rap e até uma forte aproximação com o louvor evangélico.
Mas a facilidade de produzir música trouxe uma pergunta interessante: será que ficou mais difícil produzir um jingle que fique realmente na cabeça das pessoas?
Durante a conversa, Francisco Escorsim, o próprio Omar Godoy e Paulo Polzonoff Jr. analisam algumas das escolhas musicais dos candidatos. Lula, por exemplo, aparece associado ao funk dos anos 1990, numa tentativa evidente de dialogar com um público mais jovem e com uma determinada estética popular. Ronaldo Caiado aposta em uma combinação de rock pop e rap, enquanto Renan Santos segue por um caminho mais roqueiro e dramático.
E aí vem a nostalgia. O trio relembra jingles que, independentemente da votação obtida pelos candidatos, conseguiram sobreviver na memória dos brasileiros. É o caso de Eymael e sua famosa marchinha, criada ainda em 1985 por um alfaiate amigo do candidato.
A comparação é inevitável: por que alguns jingles grudam na cabeça durante décadas, enquanto tantos dos atuais desaparecem poucos dias depois da eleição?
Talvez a resposta esteja justamente na simplicidade. Ou talvez não. O “Saideira” deixa a pergunta aberta, enquanto brinca com a memória musical das campanhas brasileiras.
Michael Jackson: ruim ou péssimo?
O segundo assunto é bem menos eleitoral e bastante mais pop: a cinebiografia de Michael Jackson.
Paulo Polzonoff Jr. não economiza na avaliação e classifica o filme como a “bomba do ano”. Francisco Escorsim critica o didatismo e a falta de imaginação da narrativa. Para ele, o filme simplifica demais a trajetória do cantor ao organizar personagens e acontecimentos numa divisão infantil entre bonzinhos e mauzinhos.
Omar Godoy, que assistiu ao filme numa sala IMAX, oferece uma perspectiva diferente. O som poderoso ajuda a recuperar uma dimensão fundamental da obra: a música. E, apesar das limitações do roteiro, o filme pode cumprir uma função importante ao apresentar Michael Jackson a uma geração que talvez conheça mais as controvérsias em torno do artista do que sua discografia.
A discussão passa ainda por aquilo que o filme deixou de fora, especialmente a formação de Michael e a influência de figuras como Diana Ross.
No fim, fica uma questão que vale para quase toda cinebiografia: até que ponto contar a história de uma pessoa exige mostrar também suas contradições?
E se todos ao seu redor fossem atores?
Para fechar o programa, o assunto muda completamente. O trio conversa sobre a série “Na Mira do Júri”, disponível na Amazon Prime Video.
A premissa é quase absurda: uma pessoa comum é colocada em uma situação inteiramente controlada sem saber que todos ao seu redor são atores. O resultado lembra, em alguns momentos, o humor de “The Office”, mas o experimento vai além da comédia.
A produção procura descobrir pessoas genuinamente boas, mas não simplesmente ingênuas. Os participantes são submetidos a pequenas situações cotidianas nas quais podem escolher entre a indiferença e a gentileza, entre o egoísmo e a disposição de ajudar.
É aí que a conversa do “Saideira” ganha uma dimensão inesperada.
Francisco Escorsim aproxima o comportamento observado na série da ideia de santidade nas pequenas coisas: não os grandes gestos feitos para serem vistos, mas aquelas escolhas aparentemente insignificantes em que o caráter de uma pessoa aparece quando ninguém está aplaudindo.
De jingles eleitorais a Michael Jackson e de uma série de humor a uma reflexão sobre virtude, a nova edição do “Saideira” passeia por assuntos aparentemente distantes e encontra uma coisa em comum entre eles: o jeito como música, cultura e entretenimento revelam aquilo que somos e aquilo que queremos parecer.
Assista ao novo episódio do “Saideira” no YouTube da Gazeta do Povo.



