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A identificação da bactéria Acinetobacter na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Adulto do Hospital Regional Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú, no litoral norte de Santa Catarina, colocou a equipe em alerta no fim de setembro.
O hospital reforçou imediatamente os protocolos de prevenção e controle de infecção. Quase um mês depois, o episódio ainda não foi encerrado.
Em nota enviada à Gazeta do Povo, a direção informou que não houve novos registros da bactéria desde que as medidas foram adotadas. Segundo o hospital, a situação "permanece sob monitoramento". O caso é acompanhado pela direção técnica e pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH).
Bactéria sobrevive em superfícies e se espalha pelo contato
Segundo o hospital, a Acinetobacter é comum em ambientes hospitalares. Ela pode ficar em superfícies e equipamentos por longos períodos — até um mês em superfícies secas, segundo o Manual MSD, uma das principais referências médicas do mundo.
É essa resistência no ambiente que torna o controle trabalhoso. "A bactéria não é transmitida pelo ar. A transmissão ocorre principalmente por contato, inclusive por meio das mãos e de superfícies ou equipamentos contaminados", ressaltou a direção hospitalar.
A bactéria costuma chegar ao paciente pelas mãos dos profissionais, por bancadas e por aparelhos usados de leito em leito. A presença da bactéria, porém, não significa necessariamente que o paciente desenvolveu uma infecção, ressalta o hospital. A pessoa pode carregar a bactéria sem desenvolver infecção.
O perigo aumenta nos locais em que estão os pacientes mais frágeis. Um estudo brasileiro publicado em 2023 na revista Clinical Infectious Diseases, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Laboratório Central de Saúde Pública do Paraná (Lacen-PR) e do Ministério da Saúde, analisou mecanismos de resistência a antibióticos em bactérias no país entre 2015 e 2022.
Ao contextualizar o problema, os autores destacam que a internação em UTI aumenta o risco de infecções relacionadas à assistência, sobretudo pelo uso de dispositivos invasivos, como ventiladores mecânicos e cateteres vasculares. Por isso, a resposta do Ruth Cardoso se concentrou em bloquear esse caminho de transmissão. Os pesquisadores descrevem o cenário das UTIs em geral, não o caso de Balneário Camboriú.
Limpeza reforçada continua até o encerramento do caso
Segundo a direção do hospital, as limpezas terminais (desinfecção completa de leitos e ambientes) foram intensificadas nas áreas críticas, e as bancadas passaram a ser higienizadas a cada seis horas. As equipes receberam capacitação sobre higiene das mãos e passaram a usar aventais com mais rigor no contato com os pacientes.
A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar também ampliou o acompanhamento dos internados e a supervisão das práticas de atendimento. A ausência de novos registros, contudo, não suspendeu nenhuma dessas medidas.
"Conforme as orientações sanitárias, o encerramento do episódio será avaliado após 30 dias contados a partir do último registro de crescimento da bactéria. Até lá, o hospital mantém o acompanhamento da situação e a adoção das medidas necessárias para a segurança dos pacientes e das equipes assistenciais", afirmou a direção.
Hospital passou à gestão estadual em 2025
O governo de Santa Catarina assumiu a gestão do Hospital Regional Ruth Cardoso em 2025. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, desde a estadualização, a unidade passa por intervenções na estrutura física, recuperação de equipamentos e reorganização dos serviços.
Entre as mudanças estão a reativação do centro de imagem, a retomada de exames e cirurgias eletivas e a ampliação da oferta de consultas em especialidades. As obras abrangem setores como pronto-socorro, internação, hemodiálise e centro obstétrico, além da recuperação gradativa de leitos e postos de enfermagem.
Entre as intervenções mais recentes, a secretaria cita a reforma da recepção da internação, a recuperação do piso externo e a revitalização do jardim. A Secretaria da Saúde também apontou a a implantação do prontuário eletrônico, a reposição de computadores e a criação de uma área de Engenharia Clínica Hospitalar, responsável pelo mapeamento dos equipamentos e pela organização das ações de manutenção e recuperação tecnológica.










