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Linhagem de labradores

“Cães heróis” se aposentam após missões de resgate pelo Brasil

Cães de resgate do Corpo de Bombeiros de SC
Leia é a representante da terceia geração de cães de resgate do Corpo de Bombeiros de SC. (Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Arquivo/Governo de SC)

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Dois labradores do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina foram aposentados após anos de serviços prestados durante uma cerimônia em Porto União (SC), no norte do estado. Iron, com mais de dez anos, e Léia, filha dele, que tem oito anos, fazem parte da linhagem do primeiro animal de busca da corporação catarinense, que foi batizado de Brasil e atuou nos resgates a partir de 2003.

Condutor de Iron, o cabo Josclei Tracz relata que o labrador atuou por mais de uma década no serviço de resgate. O binômio — termo usado para a dupla formada por um bombeiro e um cão — participou de mais de 70 ocorrências e obteve sete certificações, uma delas internacional. Além disso, a dupla esteve presente em missões de busca de tragédias nacionais, entre elas o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), em 2019.

Segundo a corporação, Iron integrou duas das quatro equipes catarinenses enviadas a Minas Gerais. Durante as buscas, ele sofreu um ferimento na pata dianteira provocado por um espinho, precisando de uma cirurgia no hospital de campanha. Após dez dias, ele voltou para as buscas e passou a integrar a quarta equipe de bombeiros de Santa Catarina.

“Fomos na primeira equipe, descansamos e depois partimos de novo para Brumadinho. Depois ainda participamos de resgates em Petrópolis (RJ), Presidente Getúlio (SC) e nas enchentes do Rio Grande do Sul em 2024”, recorda.

Iron costuma atuar em buscas terrestres de rotina, muitas vezes em mata fechada. Em fevereiro de 2020, o cão localizou um homem de 86 anos que havia desaparecido há mais de 24 horas, após deixar um lar de idosos em Xanxerê (SC). O idoso já estava desidratado.

Cães de resgate do Corpo de Bombeiros de SCIron integrou duas equipes de buscas após a tragédia em Brumadinho. (Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Arquivo/Governo de SC)

Em outra ocorrência, em Chapecó (SC), Iron foi levado a um terreno suspeito e, durante a varredura da equipe, o cão localizou ossadas de duas pessoas. Tracz lembra que ele latiu ao se aproximar de um poço, que não apresentava odor aparente, na avaliação dos bombeiros. Iron recebeu a certificação em busca de restos mortais, categoria implementada no estado a partir de 2021.

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Léia: a terceira geração de cães de resgate da linhagem em SC

Já Léia, filha de Iron e neta de Brasil, foi entregue ainda filhote ao cabo David Canever, do Corpo de Bombeiros de Canoinhas, responsável pelo treinamento da representante da terceira geração da família dos cães de resgate. Ele relata que os dois construíram juntos a carreira na corporação, com treinos diários em áreas de mata, zona urbana, meios aquáticos e exercícios de busca noturna. Assim, Léia conquistou certificações em busca urbana, rural e de restos mortais. 

Em fevereiro de 2022, a cadela integrou o grupo de seis cães enviados para apoiar o Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro na tragédia de Petrópolis, cidade da região serrana fluminense com histórico de enxurradas e destruição em decorrência das fortes chuvas durante o verão. Ela trabalhou junto com o pai, o cão Iron, nas buscas no Morro da Oficina, principal ponto de deslizamento do desastre.

Os bombeiros destacam que os cães de busca não vivem em canis. Eles moram na casa dos condutores, com quem comem, dormem, brincam e treinam, ficando em prontidão 24 horas por dia. “Escolhi, peguei, levei para casa, fiz o treinamento e passei nas provas de certificação com ele [Iron]. É intensa a atividade e, com cães tem um diferencial muito forte: não é só cuidar de você, tem que também cuidar do seu parceiro”, declara Tracz.

Santa Catarina foi uma das primeiras corporações brasileiras a adotar esse modelo em que o cão é integrado à família do condutor, e hoje outras instituições replicam a estratégia. A corporação explica que o treinamento é baseado exclusivamente em reforço positivo e que a raça escolhida é o labrador, por reunir olfato apurado, temperamento dócil e boa capacidade de relacionamento com humanos em situações de estresse extremo. 

Todos os cães operacionais da corporação descendem da mesma árvore genealógica inaugurada por Brasil, com cruzamentos planejados para reduzir a incidência de problemas genéticos como atrofia de retina e displasia de cotovelo.

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