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Para entender

Por que Joinville vive um apagão de mão de obra mesmo criando tantos empregos?

Joinville lidera a criação de vagas formais em SC, mas enfrenta escassez de trabalhadores. (Foto: Divulgação/Tupy)

Joinville, a maior economia de Santa Catarina, enfrenta um paradoxo em 2026: a cidade gera vagas formais em ritmo acelerado, mas não encontra trabalhadores locais para preenchê-las. Com o desemprego no estado em apenas 2,7%, empresas precisam buscar candidatos em outras regiões do Brasil.

Qual é a gravidade da escassez de trabalhadores na cidade?

A situação é crítica. Santa Catarina opera com 2,7% de desocupação, um índice muito abaixo da taxa natural de desemprego do Brasil, estimada em 8%. Na economia, esse fenômeno é chamado de 'pleno emprego' e indica que quase todos os adultos dispostos a trabalhar já estão ocupados. Isso trava a expansão da indústria, pois não há folga no mercado para novas contratações ou substituições rápidas, colocando o estado no mesmo patamar de países como Japão e Suíça.

Como as empresas locais estão reagindo a essa falta de pessoal?

Para não parar a produção, grandes indústrias como a Tupy e a Britânia pararam de esperar o trabalhador aparecer e foram buscá-lo longe. Foram realizados processos seletivos em cidades como Belém, no Pará, oferecendo salários atrativos e pacotes de ajuda que incluem passagens, moradia no primeiro mês e auxílio-aluguel. Esse recrutamento à distância deixou de ser uma medida emergencial e tornou-se uma política estruturada de RH nas empresas joinvilenses.

Se existem mais de duas mil vagas abertas, por que os moradores não as ocupam?

Existe um descompasso de perfil. O problema não é falta de gente, mas sim a dificuldade de encaixar os candidatos disponíveis nos postos. Os principais obstáculos são a exigência de alta qualificação técnica (especialmente em tecnologia e operação de máquinas avançadas), as faixas salariais oferecidas e os horários das jornadas de trabalho. Há também barreiras para jovens aprendizes, que estudam de dia enquanto as empresas buscam quem possa trabalhar nesse período.

Quais são as áreas com maior déficit de profissionais?

A lacuna mais preocupante está na tecnologia da informação e na digitalização, setores vitais para a modernização das fábricas. Na indústria tradicional, faltam operadores e programadores de CNC (máquinas controladas por computador) e especialistas em automação industrial. Setores de serviços e construção civil também sofrem, mas o peso maior recai sobre o polo metalmecânico, que é o coração econômico da região.

O que está sendo feito para resolver o problema no curto prazo?

A prefeitura e a Fiesc investem em qualificação acelerada por meio do Senai e parcerias como o 'Joinville mais TEC'. Além disso, o governo municipal realiza feiras de oportunidades nos bairros para aproximar as vagas dos moradores. No campo social, o programa 'Porta aberta' prepara as empresas e a infraestrutura pública para acolher migrantes e imigrantes, garantindo apoio psicossocial e integração para as famílias que chegam de fora do estado ou de outros países.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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