
Santa Catarina concentra 41% dos alertas de desastres naturais no Brasil. A combinação de relevo acidentado e o encontro de massas de ar quentes e frias torna o estado o mais exposto a eventos extremos, como chuvas torrenciais, furacões e tornados, causando prejuízos bilionários anuais.
Como a posição geográfica de Santa Catarina influencia o clima?
O estado está em uma zona de transição onde massas de ar geladas vindas do Polo Sul colidem com massas quentes da Amazônia. Esse choque térmico gera uma grande instabilidade na atmosfera, facilitando a formação de tempestades severas, raios e ventos fortes. Além disso, o relevo com serras próximas ao mar força o ar úmido a subir e esfriar rapidamente, o que provoca as chamadas chuvas orográficas, muito comuns na região litorânea.
Quais são os principais desastres naturais registrados no estado?
O histórico catarinense é marcado por eventos extremos. Em 1974, uma grande enchente atingiu Tubarão; em 2004, o estado sofreu o impacto do Catarina, o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul. Mais recentemente, o Vale do Itajaí enfrentou tragédias com deslizamentos. A região também é um dos principais pontos de formação de ciclones extratropicais no planeta e faz parte de um corredor onde podem ocorrer microexplosões e tornados.
Qual é o impacto econômico e humano desses eventos?
Estudos mostram que o estado perde, em média, R$ 1 bilhão por ano devido a desastres climáticos. Entre 1991 e 2019, mais de 11 milhões de pessoas foram afetadas por algum tipo de evento adverso. Anualmente, cerca de 400 mil catarinenses sentem os impactos diretos de enchentes ou vendavais, e a tendência é que esses sistemas se tornem ainda mais frequentes e intensos devido ao aquecimento global e fenômenos como o El Niño.
Como funciona o sistema de alertas para proteger a população?
Santa Catarina é o estado com maior adesão aos alertas da Defesa Civil no país. O sistema funciona via SMS (pelo número 40199) e também por uma tecnologia chamada Cell Broadcast, que envia mensagens automáticas com som e texto para quem tem celulares 4G e 5G, sem a necessidade de internet ou cadastro prévio. Esse monitoramento é feito 24 horas por dia por uma equipe de especialistas no Centro Integrado em Florianópolis.
O que está sendo feito para reduzir os danos das enchentes?
O governo tem investido em infraestrutura de contenção, especialmente no Alto Vale do Itajaí, com obras em barragens que aumentam a capacidade de segurar grandes volumes de água. Além disso, a rede de monitoramento foi ampliada, saltando de 42 para 172 estações que medem rios e chuvas em tempo real. Também são entregues kits de pontes e assistência humanitária para garantir que comunidades isoladas recebam ajuda rápida.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









