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Trocar madeira por aço galvanizado em uma ponte vai custar um pouco mais que R$ 3,44 milhões e até 120 dias para a obra em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí — o valor é uma fração dos R$ 688 milhões que Santa Catarina levou cerca de três décadas para investir em um material semelhante na Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, segundo levantamento de uma CPI da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
O valor aplicado em Rio do Sul cobre a reforma completa da ponte Viriato Alves Garcia, que liga o Centro da cidade ao bairro Canoas. A obra prevê a substituição integral do tabuleiro de madeira por piso em aço galvanizado na faixa de veículos, além de nova passarela de pedestres, rampas com inclinação e guarda-corpo em perfis metálicos, segundo a prefeitura.
A capacidade seguirá limitada a três toneladas ou 800 quilos por roda, com altura máxima de 2,5 metros. Do investimento, cerca de R$ 500 mil vêm de emenda parlamentar; o restante é recurso próprio da cidade.
"A substituição da estrutura em madeira por metal, aliada aos reforços previstos no projeto, vai garantir mais segurança, durabilidade e melhores condições de uso para motoristas e pedestres", avaliou o secretário de Infraestrutura de Rio do Sul, Fernando César Souza, ao justificar a intervenção pela relevância da travessia para o deslocamento entre o centro e o bairro.
É essa mesma lógica, da segurança e durabilidade a partir da troca de material, que levou a prefeitura a buscar como referência a ponte mais célebre do estado.
Uma referência que custou décadas
A inspiração da ponte de Rio do Sul em piso metálico vem de uma solução adotada na Hercílio Luz depois de quase um século de uso. Desde a inauguração, em 1926, até o fim da década de 1960, o piso da Hercílio era formado por vigas de madeira robustas, como imbuia, concebidas para um projeto que previa linha férrea e circulação de veículos.
Entre 1967 e 1969, esse piso de madeira foi substituído por pavimento de asfalto assentado sobre chapas de aço, o que acrescentou uma estrutura de sustentação sob a pista e aumentou significativamente o peso próprio do pavimento. Nos estudos de recuperação da ponte, um dos problemas apontados foi justamente essa sobrecarga adicional sobre a estrutura metálica.
Segundo o engenheiro Edison da Rosa, coordenador técnico da recuperação, uma das metas da nova solução foi reduzir o peso do piso, e por isso se optou por gradis metálicos em aço galvanizado, “um tipo de tela estrutural usado em outras pontes ao redor do mundo”, explicou ele.
O engenheiro aponta que o gradil metálico instalado na Hercílio Luz tem cerca de 9 centímetros de espessura, bem menos que o antigo asfalto, e diminui o peso no vão central, além de “permitir a passagem da água da chuva e facilitar a manutenção, porque placas podem ser substituídas de forma localizada sem grandes intervenções sobre o pavimento”.
Em Rio do Sul, a ponte Viriato Alves Garcia não vai receber o mesmo tipo de gradil, e sim chapas lisas de aço galvanizado na faixa de veículos e piso em chapa xadrez na área de pedestres. A prefeitura cita a Hercílio Luz como referência pela lógica de trocar a madeira por aço galvanizado para ganhar durabilidade e segurança, usando uma solução mais simples e dimensionada para veículos leves em uma travessia de 87 metros, em vez de replicar a engenharia complexa e de maior investimento da ponte pênsil da capital.
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O que muda na estrutura da ponte em Rio do Sul
- Passarela de pedestres: será reformada e ajustada aos padrões técnicos de acessibilidade. A largura útil será ampliada para 1,5 metro, cerca de 50 centímetros a mais do que a medida atual.
- Piso e rampas: o espaço dos pedestres terá piso em chapa xadrez de três milímetros, também em aço galvanizado. As rampas de acesso serão adequadas com inclinação de até 8,33%, em conformidade com a legislação vigente.
- Segurança: o guarda-corpo atual, composto por cabos de aço e telas de alambrado, será substituído por perfis metálicos e novas telas com altura de 1,13 metro, muito mais resistentes.
- Estrutura principal: a base metálica original da ponte será preservada, mas passará por reforços estruturais e receberá uma nova pintura. Os acessos às cabeceiras também receberão melhorias.
Reabertura prevista para outubro
Enquanto a Hercílio Luz segue sob monitoramento e inspeções diárias como parte de um "plano contínuo de manutenção estrutural", segundo a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade, a empreiteira contratada por Rio do Sul trabalha com um prazo mais curto e mais rígido.
Com início dos serviços no último dia 22 de junho e prazo de execução de até 120 dias, a expectativa é que a travessia, hoje desviada pela ponte Waldemar Bornhausen e, provisoriamente, pelo tráfego em mão dupla na rua Coelho Neto, seja devolvida à cidade por volta de 20 de outubro.









