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Para entender

MPSP deflagra operação contra esquema financeiro na compra de usina paulista

Operação Crédito Oculto cumpre mandados em 29 endereços para apurar ocultação de transações suspeitas. (Foto: Reprodução/Instagram/EntrePay)

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou nesta quinta-feira (24) a Operação Crédito Oculto. A ação cumpre 29 mandados de busca e apreensão em diversos estados para desarticular uma organização criminosa que utilizava fintechs e bancos para ocultar o controle da Usina Itajobi, em Marapoama (SP), movimentando cerca de R$ 11,6 bilhões em transações suspeitas.

Quem são os principais alvos da investigação e como eles atuavam?

O principal alvo é Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Freixo Júnior controlava o Grupo Entre, que reunia empresas de tecnologia financeira (fintechs) como Entrepay e Acqio, liquidadas pelo Banco Central. Segundo as investigações, ele utilizou essas empresas para criar camadas de proteção que escondiam os verdadeiros donos da Usina Itajobi. Esses proprietários ocultos seriam figuras centrais em esquemas de lavagem de dinheiro para o PCC no setor de combustíveis, usando a usina como peça-chave.

Como funcionava o esquema financeiro para a aquisição da usina?

A estrutura era extremamente sofisticada e envolvia o trânsito rápido de grandes quantias por múltiplas contas. Em um dos episódios identificados, R$ 100 milhões foram transferidos para a usina passando por diversas 'contas gráficas' em fintechs em apenas alguns minutos. O esquema também incluiu operações no Banco Genial, onde investimentos em CDB foram usados para emitir cédulas de crédito bancário em favor de empresas de fachada. Esse dinheiro circulava por fundos de investimento criados especificamente para esse fim, culminando na compra da distribuidora de combustíveis Terrana.

Qual é a relação de Daniel Vorcaro com o Supremo Tribunal Federal nesse contexto?

Daniel Vorcaro possuía interesses bilionários no setor sucroalcooleiro, especificamente em precatórios que somavam R$ 10 bilhões. Mensagens interceptadas mostram Vorcaro tentando influenciar ministros do STF em um julgamento sobre indenizações devidas pela União por políticas de preços das décadas de 80 e 90. Ele chegou a pedir ajuda para reverter o posicionamento do ministro Gilmar Mendes. Embora o placar final tenha sido favorável aos interesses do banqueiro por 3 a 2, a investigação aponta que o setor buscava métodos de cálculo mais previsíveis e lucrativos via Justiça.

O que as instituições financeiras mencionadas dizem sobre as acusações?

O Banco Genial esclareceu que Humberto Tupinambá, um dos alvos das buscas, foi destituído da diretoria e não possui mais vínculo com a instituição desde maio de 2026. A banca afirmou que colabora ativamente com o Gaeco, fornecendo documentos sobre o Fundo Radford e realizando comunicações ao Coaf. A instituição reforçou que, após as suspeitas, aprimorou seus controles internos e governança de crédito. Outros citados, como Freixo Júnior e os representantes da Usina Itajobi, foram procurados, mas ainda não apresentaram defesa formal sobre os fatos apurados na operação.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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