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Governo Tarcísio

São Paulo freia leilão de parques na véspera para refinar contrato

Governo de SP freia leilão de parques na véspera de certame na B3, em movimento que acompanha pré-campanha.
Gestão Tarcísio fez 16 leilões e atraiu R$ 385,5 bilhões, mas agora faz pauta estratégica para o período eleitoral (Foto: Pablo Jacob/Governo de São Paulo)

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A gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no governo de São Paulo suspendeu o terceiro leilão em um mês: trata-se da concessão de parques urbanos estaduais previsto para ocorrer na bolsa de valores brasileira, a B3. A entrega dos envelopes ocorreria na última quarta-feira (1º), enquanto a sessão pública de abertura das propostas comerciais estava marcada para a próxima terça-feira (7).

A Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) do estado paulista afirmou à Gazeta do Povo que o leilão será remarcado, mas ainda não informou nova data para o certame. "A medida considera contribuições e solicitações apresentadas por potenciais interessados e permitirá a avaliação de aprimoramentos à modelagem, reforçando o compromisso do estado com a competitividade, a transparência e a segurança jurídica do processo. A nova data da sessão de entrega e abertura dos envelopes será divulgada oportunamente", disse a pasta em nota.

A parada do leilão de parques se soma a outras duas previstas para o mês: a concessão de obra no complexo ferroviário da Estrada de Ferro de Campos do Jordão e a de remoção e guarda de veículos. O último leilão concluído pelo estado, da nova sede do governo paulista, ocorreu em fevereiro e não há novas previsões até o final do ano.

Calendário eleitoral interfere na agenda de investimentos

Estratégica, a pausa ocorre mesmo com a priorização do Programa de Parcerias e Investimentos e de Concessões pela gestão Tarcísio: desde 2023 foram realizados 16 leilões e atraídos R$ 385,5 bilhões em investimentos privados. Além dos ajustes técnicos informados oficialmente, o calendário eleitoral costuma pesar no apetite dos investidores.

Em 2024, a própria agenda de leilões do governo paulista foi reorganizada para depois das eleições municipais — a Gazeta do Povo mostrou que quatro leilões de concessões foram marcados para a semana posterior ao segundo turno, em atendimento a pedidos de investidores que preferiam esperar o fim da disputa eleitoral nos municípios.

Na ocasião, Tarcísio se envolveu pessoalmente na campanha à reeleição de Ricardo Nunes (MDB) à prefeitura de São Paulo e, com o aliado reeleito, a gestão remarcou os certames na bolsa com o capital político em alta.

Suspensão de leilões se repete em outro ambiente político

Agora, o cenário se repete em outro ambiente político: a eleição nacional de 2026 reorganiza alianças, agendas e expectativas de mercado. O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) tem em Tarcísio o principal capital político no estado de São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

Há ainda o custo político dos próprios leilões: concessões e privatizações seguem sendo alvo de críticas de parlamentares e movimentos ligados à esquerda. No caso dos parques urbanos, as críticas incluem questionamentos jurídicos sobre a concessão de bens públicos, impactos sociais e ambientais, elitização dos espaços e preocupação com aumento de custos para os frequentadores.

Na última sexta-feira (26), a Assembleia Legislativa de São Paulo sediou audiência pública para discutir o programa de concessões de parques urbanos estaduais e municipais à iniciativa privada. O encontro, promovido pelo deputado Maurici (PT), reuniu especialistas e defensores de áreas verdes, como o vereador Nabil Bonduki (PT).

Edital prevê contrato de 30 anos e receitas acessórias à concessionária

O mais recente edital de concessão suspenso pela gestão pública paulista prevê a concessão administrativa das atividades de conservação, operação, manutenção e apoio à visitação de seis áreas:

  • Parque Estadual do Belém Manoel Pitta
  • Parque da Juventude Dom Paulo Evaristo Arns
  • Parque Ecológico do Tietê — núcleos de lazer Engenheiro Goulart, Maria Cristina Hellmeister de Abreu e Itaim Biacica
  • Parque Engenheiro Antonio Arnaldo de Queiroz e Silva — Núcleo de Lazer Vila Jacuí

Pelo edital, o contrato terá prazo de 30 anos e valor estimado de R$ 72,3 milhões. O critério de julgamento é o menor valor da contraprestação pública a ser paga pelo estado, a partir do maior desconto sobre a contraprestação pública máxima, fixada em R$ 37,6 milhões.

Além da contraprestação pública, a concessionária poderá explorar potenciais receitas na área da concessão. O decreto que autorizou a abertura da licitação também admite a exploração de atividades compatíveis com o objeto da concessão como fonte de receita, por meio das chamadas Unidades Geradoras de Caixa, sujeitas a compartilhamento com o poder concedente.

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