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Moraes mantém Bolsonaro em prisão domiciliar e manda devolver armas

Ministro acolheu parecer da PGR que não viu falta grave em pistola apreendida com militar do GSI.
Ministro acolheu parecer da PGR que não viu falta grave em pistola apreendida com militar do GSI. (Foto: André Borges/EFE)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em prisão domiciliar. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (3). Não foi especificada uma duração para o benefício, mas o magistrado afirmou que "não há dúvidas" de que houve melhora no quadro geral de saúde do ex-presidente.

"No presente momento, a manutenção de prisão domiciliar humanitária mostra‑se razoável, adequada e proporcional, sobretudo porque, afastados os fatores impeditivos anteriores e presentes as excepcionalidades humanitárias, é possível sua concessão mesmo para os condenados em regime fechado, desde que isso não represente a impossibilidade ou dificuldades na integral execução da pena privativa de liberdade transitada em julgado", diz a decisão.

Além disso, foram mantidas as medidas cautelares e revogado o porte da pistola Glock 9 mm apreendida com um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O registro do ex-presidente como Colecionador, Atirador, Desportivo e Colecionador também foi revogado.

Com isso, a defesa tem 48 horas para entregar à Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília dez armas, sendo seis pistolas, duas carabinas e duas espingardas. O descumprimento pode fazer com que o ex-presidente retorne ao regime fechado.

Na decisão, o ministro concordou com o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) que não viu falta grave no episódio da arma. Em depoimento à Policia Civil do Distrito Federal, o ex-presidente alegou que entregou a pistola ao sargento Estácio Leite da Silva Filho para que ela fosse consertada.

Leia a decisão na íntegra.

Relembre o histórico da prisão de Bolsonaro

Moraes autorizou a prisão domiciliar humanitária pelo período de 90 dias para que o ex-presidente se recuperasse de uma broncopneumonia bacteriana bilateral. A decisão foi assinada no dia 24 de março. Após duas semanas internado, Bolsonaro foi para a casa, mediante uma série de medidas cautelares como, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de acesso a redes sociais. 

Faltando poucos dias para o fim do prazo, uma arma de fogo do ex-presidente foi apreendida com um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). O servidor disse que levaria a pistola Glock 9mm para o conserto após uma pane.  

Relator da execução penal de Bolsonaro, Moraes cobrou explicações da defesa e da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A defesa admitiu que o ex-presidente solicitou o conserto da pistola, mas negou vínculo entre o pedido e o término do período de prisão domiciliar humanitária. 

De acordo com os advogados, a equipe de segurança decidiu remover o percussor da arma — peça fundamental para o disparo — após observar que o Bolsonaro vinha fazendo uso de medicamentos psiquiátricos. 

Sobre o questionamento do ministro a respeito do momento para a realização da manutenção na arma, ocorrida às vésperas do fim do prazo de 90 dias, a defesa alegou que foi uma "mera coincidência". Os advogados registraram que o ex-presidente não possui interesse na restituição da arma enquanto perdurar a atual situação de custódia. 

Já a PM reconheceu que os veículos dos agentes do GSI que atuam na segurança de Bolsonaro não são vistoriados, pois “não adentram a garagem ou área interna da residência, permanecendo estacionados em via pública durante a execução do serviço”. 

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso e tomou o depoimento de Bolsonaro no último dia 23. O ex-presidente confirmou que apenas pediu ao segurança para avaliar a pistola Glock 9mm, que não estava funcionando. 

Um dia depois, Moraes pediu uma manifestação da PGR sobre o caso, apontando possível “falta grave” que poderia levar à regressão do regime de cumprimento de pena. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, considerou que o episódio não caracteriza, a princípio, uma infração que justifique a revogação da domiciliar. 

No parecer seguinte, que dizia respeito especificamente ao encerramento do prazo, Gonet reiterou seu posicionamento, defendendo a manutenção da prisão domiciliar e o recolhimento da arma. Como embasamento, o procurador-geral da República citou um trecho do relatório da PF que reconhece que Bolsonaro possui registro válido da Glock.  

Defesa de Bolsonaro pediu prorrogação da domiciliar  

Na manifestação, enviada a Moraes no dia 23 de junho, os advogados citaram o precedente do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em que o STF reconheceu que a idade avançada e a necessidade de tratamento contínuo justificam a medida para a preservação da dignidade humana e da saúde. 

Eles afirmaram que, em casa, Bolsonaro conta com a supervisão de familiares para a administração de remédios e dieta fracionada, além de acesso rápido a suporte médico. "A manutenção das condições atuais reduz significativamente os riscos de descompensação clínica e de eventos potencialmente graves", diz o documento.  

Saúde de Bolsonaro 

No pedido de prorrogação, os advogados afirmaram que, embora Bolsonaro apresente estabilidade clínica no momento, essa condição é resultado direto do controle rigoroso e contínuo das múltiplas comorbidades realizado no ambiente doméstico. 

O documento foi protocolado junto com um novo relatório elaborado pelos médicos Claudio Birolini, Leandro Echenique e Brasil Caiado. Segundo eles, Bolsonaro é um paciente com "quadro de multimorbidade complexa". Entre as condições listadas estão: 

  • Histórico de pneumonias aspirativas recorrentes e risco permanente de broncoaspiração;
  • Sequelas permanentes de múltiplas cirurgias abdominais e episódios de obstrução intestinal;
  • Instabilidade postural e distúrbio de equilíbrio, com elevado risco de quedas;
  • Necessidade de doses elevadas de medicamentos para o controle de crises recorrentes de soluços.

A equipe médica afirmou ainda que o uso de medicações de ação central exige monitoramento constante, pois podem afetar a cognição e aumentar o risco de quedas. Além disso, o relatório destaca que o ex-presidente realizou recentemente uma cirurgia ortopédica no ombro direito e segue em processo de reabilitação fisioterápica. 

Linha do tempo  

  • 18 de julho de 2025 - Bolsonaro é submetido a uma série de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição do uso de redes sociais. 
  • 04 de agosto de 2025 - Moraes ordenou a prisão domiciliar do ex-presidente após ele cumprimentar manifestantes durante uma manifestação, via chamada de vídeo, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 
  • 11 de setembro de 2025 - Bolsonaro é condenado a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicialmente fechado, pela suposta tentativa de golpe de Estado. 
  • 22 de novembro de 2025 - Bolsonaro é preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por tentar violar sua tornozeleira com um ferro de solda. 
  • 25 de novembro de 2025 - Moraes declara o trânsito em julgado da ação penal do golpe (AP 2668) e ordena o cumprimento imediato da pena. A medida representa o encerramento do processo. Bolsonaro permaneceu preso na sede da PF. 
  • 15 de janeiro de 2026 - Moraes determina a transferência de Bolsonaro da sede da PF para a Papudinha, dentro do Complexo da Papuda. 

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