
O ômega 3, ácido graxo encontrado em peixes, responsável por diversos benefícios à saúde, ainda desperta um sem número de dúvidas, principalmente quanto ao preparo dos alimentos que o contém. Cozinhar os peixes por muito tempo faz com que as propriedades nutricionais sejam alteradas?
Segundo Raul Von der Heyde, professor de Nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no preparo dos alimentos sempre ocorre uma perda, não só do ômega 3, mas de outros compostos que integram o produto. "Certamente a sardinha in natura tem quantidade maior de ômega 3 do que a cozida", diz. Apesar da redução, ele garante que a quantidade que se perde é pequena e que a maior parte é mantida.
Os ômegas 3, 6 e 9 são ácidos graxos, também conhecidos como gorduras insaturadas, que se diferenciam quimicamente pela posição em que há uma ligação dupla do elemento carbono. Esta diferença na composição dos ômegas é suficiente para que cada um deles apresente características particulares.
Entre os benefícios do ômega 3 estão a redução das placas de gorduras nas artérias e funções vaso dilatadoras, coagulantes e antiarrítmicas. "Funções relacionada à memória e à concentração nas atividades também são beneficiadas com o consumo de ômega 3", diz Kettelin Arbos, professora de Tecnologia de Alimentos na Faculdade Evangélica do Paraná. O ômega 6 se destaca principalmente na redução de gorduras e do colesterol. Já o ômega 9 está sendo estudado há menos tempo, mas a expectativa é que, em breve, ele seja utilizado intensamente no tratamento de inflamação no intestino, artrite reumatóide, asma, hipertensão e até do câncer.
Alguns alimentos concentram os três tipos de ômega. É o caso dos peixes de águas frias e profundas, como a sardinha, o salmão, o arenque e a tilápia. "A sardinha é bem recomendada por ter na sua composição um equilíbrio na quantidade de ômega 3 e 6", diz Kettelin.
Hortaliças de cor verde-escura, como couve, espinafre e brócolis, são importantes fontes de ômega 6 e o ômega 9 é encontrado em abundância nas nozes, castanhas e amêndoas e no abacate.
Os óleos de linhaça, milho, soja e, principalmente, o de canola também possuem uma quantidade considerável dos três ômegas. "Mas não dá para exagerar, porque nem todos os componentes dos óleos são benéficos. E utilizados em frituras eles costumam perder o valor nutritivo", lembra o chefe do setor de cardiologia do Hospital Santa Cruz, Rubens Darwich.
O mais indicado
O ômega 3 é o mais importante dos três ácidos graxos, segundo o cardiologista da Paraná Clínicas, José Antônio Pantaroli. "A recomendação médica geralmente está relacionada ao consumo dessa substância e os benefícios já comprovados que ela promove", explica. A opinião é compartilhada por Darwich, que faz um alerta para os tratamentos à base de ômega 3. "Os benefícios são comprovados, mas é fundamental que a ingestão seja apenas uma complementação de uma alimentação adequada e da qualidade de vida". Segundo ele, uma pessoa que consome muito ômega 3, mas não pratica atividades físicas, por exemplo, não vai deixar de ter problemas de saúde.
Moderação
O professor de Nutrição da Universidade Federal do Paraná Raul Von der Heyde destaca que é necessário fazer uma ressalva em relação ao consumo do ômega 6. "Se consumido em quantidades muito grandes, pode se tornar um vilão e eliminar também a gordura boa". Já para Darwich, não pode haver exagero no consumo de qualquer tipo de ômega, principalmente na forma de cápsulas, que geralmente são receitadas pelos médicos. "O ideal é ingerir alimentos que possuam os ômegas para que não seja necessária a suplementação por meio de medicamentos", diz.








