
O câncer é uma das doenças com maior letalidade em todo o mundo, sendo que o colorretal (de intestino) é a segunda causa mais comum, ficando atrás somente do câncer de pulmão. Nos países com alto consumo de fast-foods, industrializados e baixa ingestão de fibras a incidência do tumor é maior. No Brasil, ele só perde para próstata, pulmão e estômago nos homens e para mama e colo do útero nas mulheres. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é de que no ano passado tenham ocorrido 26,9 mil novos casos no país.
O que hoje preocupa os médicos é a diminuição da faixa etária das pessoas atingidas por esse tipo de câncer, levando em conta que um dos fatores de risco para o aparecimento da doença é ter idade superior a 50 anos. "Pacientes entre 20 e 30 anos com câncer colorretal não era tão comum anos atrás", diz Armando Melani, chefe do departamento de cirurgia oncológica do digestivo baixo do Hospital de Câncer de Barretos (SP), referência nacional no assunto. Melani afirma que quanto menor a idade do paciente, mais agressivo é o tumor.
Os números mostram que é preciso estar em alerta. Uma irregularidade intestinal permanente pode ser indício de algo errado. "É considerado normal evacuar até três ou quatro vezes ao dia. Mas, também não é anormal não ir ao banheiro em um período de até quatro dias. O importante é que esse espaço de tempo seja regular", afirma Antonio Cury, cirurgião oncológico e coordenador de pós-graduação do Instituto Jacques Perissat (IJP). Se o hábito mudar, seja para a constipação ou para o desarranjo, e permanecer irregular por mais de dez dias, é preciso ficar atento. "É importante observar se há dificuldades para evacuar, sangramento ou presença de secreção, o que deve ser decisivo para procurar o médico", diz.
Como todo câncer, para ser melhor tratado, o de intestino também precisa ter um diagnóstico precoce. O exame mais eficaz é a colonoscopia. "A Organização Mundial de Saúde recomenda que após os 50 anos todos devem fazer pelo menos uma colonoscopia a cada 10 anos", afirma Cury. Se houver ocorrência na família, o exame é recomendado a partir dos 40 anos. Se a pessoa já teve anteriormente outro tumor, doenças inflamatórias no intestino ou pólipos lesões benignas , é preciso manter constante acompanhamento, independentemente da idade. O pólipo, por exemplo, se não for retirado, pode transformar-se em câncer ao longo de até 15 anos.
Alimentação
Todas as frutas, além dos vegetais e cereais, são fontes de fibras, essenciais para o bom funcionamento e proteção do intestino. Entre os vegetais, pode-se destacar os folhosos, como o alface, agrião e acelga. "Os cereais devem ser consumidos na forma integral, pois refinados perdem muito nutriente", indica Carla Corradi Perini, professora de nutrição clínica da Pontifícia Universidade Católica Paraná.
O alto consumo de carnes vermelhas causa acúmulo de ácido graxo, que em excesso inibe as defesas da célula e aumenta a disposição do organismo em desenvolver tumores, segundo Marcelo Oliveira, oncologista clínico do Núcleo de Estudos Oncológicos. "Uma dieta pobre em fibras e rica em gordura animal pode ser responsável por até 75% dos casos de câncer de cólon e reto", diz.








