
O Brasil confirmou quatro casos humanos de febre do Nilo Ocidental neste mês de agosto de 2026, com registros localizados nos estados de São Paulo e Santa Catarina, além de uma ocorrência provável sob investigação no Piauí. A doença é uma infecção viral transmitida por mosquitos comuns, o que acende um alerta para a vigilância sanitária sobre a circulação do vírus em áreas urbanas e silvestres.
Como ocorre a transmissão da febre do Nilo Ocidental para as pessoas?
A febre do Nilo Ocidental é causada por um arbovírus, o mesmo grupo da dengue e da febre amarela. A transmissão acontece principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, os populares pernilongos. O ciclo natural do vírus ocorre entre os mosquitos e as aves silvestres. Os humanos e cavalos são considerados hospedeiros acidentais; eles podem adoecer ao serem picados por um mosquito infectado que antes picou uma ave contaminada, mas não transmitem a doença para outros mosquitos, pois a quantidade de vírus no sangue humano costuma ser baixa para fechar esse ciclo.
Quais são os principais sintomas e como identificar a gravidade da doença?
Identificar a doença é um desafio, pois cerca de 80% dos infectados não apresentam sintomas. Quando surgem, os sinais mais comuns são febre, dor de cabeça, cansaço, dores musculares, náusea e manchas na pele. O perigo real aparece quando a infecção atinge o sistema nervoso, o que ocorre em cerca de um a cada 150 casos. Nesses quadros graves, o paciente pode apresentar confusão mental, rigidez na nuca, convulsões e paralisia. Pessoas idosas ou com imunidade baixa são as que correm maior risco de desenvolver essas complicações neurológicas severas, que podem levar ao óbito.
É possível diferenciar essa febre de doenças como dengue e zika?
Nos dias iniciais, os sintomas são muito parecidos com os da dengue, zika e chikungunya, o que pode causar confusão. Algumas pistas ajudam no diagnóstico: a chikungunya gera dores intensas nas juntas e a zika costuma causar conjuntivite. Na febre do Nilo Ocidental, o surgimento precoce de sintomas neurológicos é o grande diferencial. O diagnóstico laboratorial também é complexo, pois, como todos esses vírus pertencem à família dos flavivírus, os testes de anticorpos podem apresentar uma reação cruzada, exigindo exames moleculares específicos para confirmar qual vírus está agindo.
Quais medidas devem ser tomadas para prevenir a infecção pelo vírus?
Como ainda não existe vacina ou tratamento antiviral específico no Brasil, a melhor estratégia é evitar a picada do mosquito. Recomenda-se o uso de repelentes, instalação de telas em portas e janelas e o uso de roupas compridas, especialmente no início e no fim do dia. No combate ao transmissor, o cuidado deve ser redobrado: além de eliminar água parada, é fundamental cuidar do saneamento e drenagem, pois o pernilongo Culex se reproduz facilmente em águas ricas em matéria orgânica, como bueiros e valas, locais diferentes dos preferidos pelo mosquito da dengue.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.




