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Descoberta científica

Cientistas descobrem que mutação em um único gene pode causar doenças mentais

Gene que pesquisadores estudam para identificar transtornos mentais.
Descoberta científica em mutação genética pode ser um grande passo para tratamento de doenças mentais. (Foto: Sangharsh Lohakare | Unsplash)

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Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Universidade de Leipzig, na Alemanha, descobriu que uma mutação do gene GRIN2A — responsável por regular a comunicação entre neurônios — está intimamente ligada ao desenvolvimento de transtornos mentais.

Em artigo publicado na revista Nature, os pesquisadores demonstraram que essa alteração gênica reduz a atividade do receptor NMDA, cuja função é auxiliar na comunicação neural, fator esse que aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de doenças mentais.

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Como foi conduzido o estudo que relacionou a mutação do GRIN2A a transtornos mentais?

Os cientistas da Universidade de Leipzig reuniram 121 indivíduos, sendo que 85 deles apresentaram uma mutação do GRIN2A. Destes, quase um terço (27%) culminou no desenvolvimento de algum transtorno mental.

Além disso, os pacientes exibiram sintomas estritamente psiquiátricos, cenário que exclui implicações ambientais ou de contexto social entre as causas da doença.

A descoberta da equipe alemã sugere que, em um subgrupo específico de pacientes, essa mutação isolada pode desempenhar papel central em patologias que afetam o funcionamento cerebral.

"Conseguimos mostrar que certas variantes desse gene estão associadas não só com a esquizofrenia, mas também com outras doenças. O que é impressionante é que, no contexto de uma alteração GRIN2A, esses distúrbios já aparecem na infância ou adolescência, em contraste com a manifestação mais típica, na idade adulta", revela o diretor do Instituto de Genética Humana do Centro Médico da Universidade de Leipzig, Johannes Lemke, em entrevista à instituição.

O gene GRIN2A é responsável pelo controle e comunicação elétrica dos neurônios. Alterações em sua composição reduzem a capacidade do receptor NMDA e geram mutações nas transmissões neurais do cérebro.

Como essa é uma característica comum em vários transtornos mentais, os pesquisadores decidiram focar seu estudo em possíveis terapias experimentais que tratem essa disfunção.

Terapia experimental com L-serina apresenta resultados promissores, mas ainda exige cautela científica

O estudo também lançou nova luz sobre pesquisas anteriores que investigavam a deficiência do receptor NMDA, associada à mutação do gene GRIN2A. Esses trabalhos apontam para o uso clínico da L-serina — um aminoácido essencial para a formação de proteínas, neurotransmissores e lipídios cerebrais — como uma estratégia promissora para atenuar os sintomas da esquizofrenia.

Pessoa com esquizofrenia, em que os cientistas descobriram evolução no tratamento da doença.Pesquisadores estudam tratamento voltado para esquizofrenia, a partir da mutação em um único gene. (Foto: Uday Mittal | Unsplash)

Quatro participantes do estudo de Leipzig eram portadores da doença. Todos foram tratados com a L-serina e apresentaram melhorias notáveis. Entre elas:

  • o desaparecimento de alucinações;
  • remissão dos sintomas de paranoia;
  • melhora do comportamento social.

Mas Lemke ressalta que, como o ensaio com o aminoácido foi realizado antes do estudo principal, cujo objeto de estudo era o gene GRIN2A, o tratamento com L-serina ainda não pode ser considerado um método terapêutico definitivo, apesar de possuir características promissoras para o futuro.

Acerca do estudo principal do gene GRIN2A, os cientistas ressaltam que a amostra pequena de 121 pacientes limita conclusões definitivas. Entretanto, os resultados obtidos são animadores e podem definir um novo subgrupo de transtornos restritos a defeitos gênicos, ao largo de transtornos com raízes multifatoriais.

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