Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Obesidade

Cirurgia bariátrica pode levar à osteoporose

Estudo aponta que, sem cuidados com a alimentação, pessoas submetidas à redução de estômago apresentam perdas de cálcio e vitamina D

Em 2006, um caso aparentemente simples chamou a atenção da nutricionista clínica com atuação na área de metabolismo Mariana Paganotto. Uma paciente que tinha passado por uma cirurgia bariátrica havia três anos comentou que, após escorregar em casa, havia quebrado o braço.

A partir de exames mais detalhados, veio a surpresa: a paciente tinha níveis abaixo do normal de cálcio e vitamina D e sua taxa de um hormônio produzido pela glândula paratireoide, o PTH, era muito elevada. Isso significava que, por algum motivo, o organismo não estava repondo suas taxas de cálcio e vitamina D, causando uma fragilidade.

O caso intrigou tanto a nutricionista e professora do curso de Nutrição das Faculdades Integradas do Brasil que o assunto virou sua pesquisa de mestrado na Univer­­si­dade Federal do Paraná. "Verifi­quei que ao causar perda rá­­pida de peso e uma mudança na ab­­­sorção dos nutrientes, entre eles o cálcio e a vitamina D, a cirurgia bariátrica tende a gerar uma perda acentuada na massa óssea dos pós-operados, podendo levar a problemas co­mo fraturas e até osteoporose", explica.

Para realizar a pesquisa, Maria­na acompanhou pacientes que foram submetidos à cirurgia de redução de estômago há pelo menos um ano e pessoas que não passaram pelo procedimento. Na comparação entre os dois grupos, a pesquisadora descobriu que os pacientes operados tinham menor massa óssea na coluna lombar, decorrente principalmente do emagrecimento muito acelerado, da perda de massa muscular, da baixa ingestão de cálcio e vitamina D e da falta de exercícios físicos.

Apesar de os resultados poderem causar polêmica entre os defensores da cirurgia, Mariana alerta que a sua pesquisa não recrimina o procedimento. "A cirurgia traz benefícios. Proporciona perda de peso, o que diminui os riscos de diabete e doenças cardiovasculares. Meu foco foi mostrar que os pacientes precisam ser bem orientados sobre a importância da prática de execícios e a reposição de nutrientes."

Segundo a pesquisadora, os re­­sul­tados comprovam que é preciso de­­senvolver hábitos alimentares saudáveis e fazer acompanhamento nutricional por toda a vida. "Como a pessoa passa a comer pouco, precisa se alimentar com qualidade e periodicamente fazer re-educação alimentar monitorada por um profissional capacitado para saber que alimentos escolher para ter absorção máxima dos nutrientes necessários."

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.