
Um estudo recente realizado pelo Instituto Karolinska, na Suécia, revela que a má qualidade do sono acelera o envelhecimento biológico do cérebro em até um ano. A pesquisa, que analisou 27 mil adultos, associa noites mal dormidas ao aumento do risco de demência e declínio da memória.
O que a ciência descobriu sobre a relação entre sono e idade cerebral?
Pesquisadores utilizaram inteligência artificial e exames de ressonância magnética para comparar a idade real das pessoas com a idade biológica de seus cérebros. Eles descobriram que indivíduos com sono de baixa qualidade possuem cérebros que parecem mais velhos do que o esperado. Para cada perda de qualidade no descanso, a idade cerebral pode avançar cerca de seis meses em relação à idade cronológica.
Dormir pouco é o único problema para a saúde da mente?
Não. A má qualidade do sono vai além do número de horas no relógio. Ela inclui fatores como a dificuldade para pegar no sono (insônia), acordar várias vezes durante a noite, ronco frequente ou apneia e sentir sonolência excessiva durante o dia. Mesmo quem dorme 8 horas pode ter prejuízos se o descanso for interrompido ou superficial, pois o cérebro não consegue completar seu ciclo de recuperação.
Quais partes do cérebro sofrem mais com a falta de descanso?
A insônia e o sono ruim provocam mudanças físicas na estrutura cerebral. O estudo aponta a redução do volume do cérebro e o afinamento do córtex, especialmente em áreas ligadas à memória e atenção. Além disso, a comunicação entre os neurônios fica prejudicada. Essas alterações são sinais precoces de risco para doenças graves, como o Alzheimer, mesmo em pessoas que ainda não apresentam sintomas.
Por que o sono ruim causa tanto desgaste físico nos neurônios?
Existem mecanismos de limpeza no nosso cérebro que só funcionam plenamente enquanto dormimos. Um deles é o sistema glinfático, que remove resíduos tóxicos produzidos durante o dia. Sem o sono profundo, essas toxinas e proteínas prejudiciais se acumulam. Além disso, noites ruins aumentam a inflamação no corpo e pioram a saúde dos vasos sanguíneos, dificultando a chegada de sangue e oxigênio ao cérebro.
Como proteger o cérebro e garantir um envelhecimento saudável?
A recomendação é manter uma rotina de 7 a 8 horas de sono por noite. Para melhorar a qualidade, especialistas sugerem reduzir o uso de telas (celular e TV) antes de deitar, evitar cafeína e álcool à noite e praticar atividades físicas regularmente. Ter horários fixos para dormir e acordar ajuda o corpo a manter o ritmo biológico em dia, servindo como uma estratégia essencial para preservar a memória e a cognição.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.









