Com a enxurrada de informações via internet, muitos pacientes utilizam a ferramenta para aprofundar seu conhecimento sobre certa doença e até investigar o possível diagnóstico para seus sintomas. Mas muitos tendem a confiar demais nesses dados, o que pode ser prejudicial. "Por vezes, são informações muito úteis, mas o paciente tem que saber o que fazer com elas. É necessário que procurem um profissional e utilizem as informações para sanar suas dúvidas", diz o oncologista Marcelo Oliveira, do Centro de Excelência em Tratamento de Câncer.
A orientação é que o paciente fique atento. A internet traz tanto informações fieis quanto aquelas que podem provocar confusão. "Tem muita gente mal intencionada, que diz que adoçante causa câncer, por exemplo. E mesmo se forem fontes fidedignas, às vezes, a informação está correta, mas descrita de uma maneira que pode ficar mal entendida", afirma Nelson Marcelino, clínico geral e cardiologista do Hospital Santa Cruz.
Um exemplo é a doença ocular ceratocone, que deixa a sensação de vista borrada e provoca coceira e mudança rápida de grau. Ao digitar os termos "ceratocone cegueira" em sites de busca na internet encontramos links que a relacionam com a perda da visão. A informação está incorreta, de acordo com a oftalmologista Luciane Moreira, responsável pelo setor de lentes de contato e ceratocone do Hospital de Olhos do Paraná. "Em 90% dos casos pode ser tratada com lentes de contato e óculos. Nos 10% restantes, com transplante de córnea, muito seguro hoje em dia."
Para a médica, a exposição a muita informação e de fontes não confiáveis pode afetar o lado psicológico. "A maioria chega assustada. Tive um paciente com ceratocone que demorou a marcar consulta pois achava que a perda da visão seria inevitável."
Conversa
A comunicação ainda é a palavra chave. O paciente que conversa com seu médico, expõe detalhadamente seu histórico de sintomas e recebe toda a atenção do profissional tem maior garantia de diagnóstico e tratamento corretos. Na maioria dos casos, os médicos consideram que nos primeiros 15 minutos é possível saber o que o paciente tem. "As informações dadas por ele significam 80% da consulta para nós. Depois vem o exame físico, para estabelecer com confiança o melhor diagnóstico", diz Marcelino.
Segundo o especialista, a relação médico-paciente é complexa e depende da sensibilidade do profissional. "O médico precisa ter contato visual com o paciente e não ouvir com os olhos grudados em uma tela de computador. Outra questão é evitar muitas anotações durante a conversa ou passar informações utilizando termos técnicos, que podem confundir". O profissional que tem empatia e percebe as necessidades do paciente terá mais facilidade em tratá-lo. "Quando o médico tem pressa e não deixa o paciente falar, ele sai muito frustado", diz o oncologista Marcelo Oliveira.



