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Insônia

Dormir mal pode envelhecer seu cérebro mais rápido, aponta estudo

Mulher com insônia. Ela está deitada na cama com a mão na cabeça, desconfortável.
A má qualidade do sono está diretamente associada ao envelhecimento cerebral acelerado. (Foto: Andrea Piacquadio | Pexels)

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Dormir mal não afeta apenas o humor ou a disposição no dia seguinte. Evidências científicas cada vez mais robustas indicam que a má qualidade do sono está diretamente associada ao envelhecimento cerebral acelerado, impactando a memória, a função cognitiva e aumentando o risco de doenças neurodegenerativas, como a demência.

Um estudo conduzido pelo Instituto Karolinska, na Suécia, com dados de mais de 27 mil adultos de meia-idade e idosos, mostrou que pessoas com sono de pior qualidade apresentam cérebros que “parecem” biologicamente mais velhos do que sua idade real.

Esse achado reforça a importância do sono como um pilar central do envelhecimento saudável e da saúde do cérebro.

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O que é considerado má qualidade do sono?

A má qualidade do sono vai além de dormir poucas horas. Ela envolve um conjunto de fatores que prejudicam o sono reparador, mesmo quando a duração parece adequada. Entre eles estão:

  • a dificuldade para iniciar ou manter o sono (insônia);
  • sono fragmentado ou pouco profundo;
  • ronco frequente ou apneia do sono;
  • sonolência excessiva durante o dia;
  • ritmo biológico desalinhado (dormir e acordar muito tarde, por exemplo).

O sono insuficiente refere-se principalmente à quantidade de horas dormidas. Uma pessoa pode até dormir 7 ou 8 horas, mas se o sono for de baixa qualidade, o cérebro não se recupera adequadamente.

O estudo publicado na revista eBioMedicine utilizou exames avançados de ressonância magnética e modelos de inteligência artificial para estimar a idade biológica do cérebro. Os resultados indicaram que, a cada ponto a menos no índice de sono saudável, a diferença entre a idade cerebral e a cronológica aumentou em cerca de seis meses.

Além disso, pessoas com má qualidade do sono apresentaram cérebros, em média, um ano mais velhos do que sua idade cronológica. Vale ressaltar que esse efeito foi observado mesmo em indivíduos sem diagnóstico de demência.

O estudo fortalece a relação entre qualidade do sono e função cognitiva, indicando que o sono ruim pode acelerar processos neurodegenerativos antes mesmo do surgimento de sintomas clínicos.

Quais aspectos do cérebro são mais afetados pela insônia?

A má qualidade do sono está associada a alterações estruturais e funcionais importantes, como:

  • a redução do volume cerebral, especialmente em regiões ligadas à memória;
  • afinamento do córtex cerebral;
  • alterações na conectividade neural;
  • prejuízo da integridade da substância branca.

Essas mudanças estão relacionadas ao declínio da memória, da atenção, da velocidade de processamento e de outras funções cognitivas essenciais no dia a dia.

Ter um cérebro biologicamente mais velho é considerado um sinal precoce de risco para declínio cognitivo e demências, incluindo a doença de Alzheimer. Estudos populacionais já demonstraram que distúrbios do sono aumentam a probabilidade de comprometimento cognitivo leve, dificuldades persistentes de memória e um maior risco de desenvolver demência ao longo dos anos.

Por isso, a relação entre sono insuficiente e neurodegeneração é hoje um dos principais focos da neurociência do envelhecimento.

Diversos mecanismos ajudam a explicar como a má qualidade do sono afeta o envelhecimento cerebral. O estudo mostrou que níveis elevados de inflamação sistêmica explicam parte significativa do envelhecimento cerebral associado ao sono ruim.

Outro fator é o acúmulo de proteínas tóxicas, como beta-amiloide, devido à menor ativação do sistema de limpeza cerebral durante o sono.

Mulher deitada na cama, de olhos abertos. Ela está com dificuldade para dormir.Ter um sono contínuo e profundo é essencial para a saúde. (Foto: Cottonbro Studio | Pexels)

Há também a redução da eficiência do sistema glinfático, responsável por eliminar resíduos metabólicos do cérebro. Por fim, deve ser considerado o impacto cardiovascular, já que o sono ruim piora a saúde do coração e dos vasos, afetando o fluxo sanguíneo cerebral.

Esses fatores atuam de forma combinada, acelerando o desgaste do cérebro ao longo do tempo.

Dormir quantas horas por dia considerado saudável para proteger o cérebro?

De acordo com as evidências atuais, um sono considerado protetor para o cérebro envolve dormir entre 7 e 8 horas por noite.

Ter um sono contínuo e profundo, manter horários regulares para dormir e acordar, não apresentar sonolência excessiva durante o dia e evitar ronco frequente e distúrbios respiratórios do sono também são condições essenciais.

Essas características estão associadas a melhor sono e memória, além de menor risco de envelhecimento cerebral acelerado.

Sinais de que o sono pode estar prejudicando a saúde cerebral

Alguns sinais comuns no cotidiano podem indicar que a qualidade do sono está comprometendo o cérebro. Por exemplo:

  • esquecimentos frequentes;
  • dificuldade de concentração;
  • sensação de “mente lenta”;
  • irritabilidade persistente;
  • cansaço mental mesmo após dormir várias horas.

Esses sintomas não devem ser ignorados, especialmente na meia-idade. Para reduzir o impacto do sono ruim no cérebro, especialistas recomendam estabelecer uma rotina regular de sono.

Além disso, é importante reduzir o uso de telas à noite, evitar cafeína e álcool antes de dormir, manter atividade física regular e procurar avaliação médica em casos de insônia persistente, ronco intenso ou sonolência excessiva.

Dormir bem não é apenas descanso: é uma estratégia fundamental para proteger o cérebro, preservar a cognição e promover um envelhecimento cerebral mais saudável.

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