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Para entender

EUA aprovam novo remédio oral que amplia sobrevida no câncer de pâncreas

Aprovado nos EUA, medicamento oral quase dobrou a sobrevida mediana de pacientes em estudo de fase 3. (Foto: Unplash)

A agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, autorizou o uso do medicamento daraxonrasib para tratar adultos com câncer de pâncreas metastático. Administrada via oral uma vez ao dia, a terapia atua bloqueando a proteína RAS, responsável pelo crescimento do tumor. A decisão, anunciada em agosto de 2026, baseia-se em estudos que mostram um aumento expressivo no tempo de vida dos pacientes.

Como o novo medicamento age contra as células cancerígenas?

O daraxonrasib atua em um alvo genético específico chamado via RAS, que está alterado em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas. Em uma situação saudável, as proteínas dessa família ajudam a controlar o crescimento das células, mas quando sofrem mutações, elas funcionam como um interruptor que fica ligado direto, mandando o tumor crescer sem parar. O remédio é um inibidor que consegue se ligar à proteína em seu estado ativo e 'desligar' esse sinal nocivo. Por ser multisseletivo, ele consegue interferir no avanço da doença de forma mais abrangente do que as técnicas antigas.

Quais foram os resultados práticos observados nos pacientes?

Os dados do estudo internacional de fase 3 mostraram que o medicamento praticamente dobrou o tempo médio de sobrevida em comparação com a quimioterapia tradicional. Enquanto os pacientes tratados com o método antigo viveram, em média, 6,7 meses, aqueles que tomaram o novo comprimido atingiram uma média de 13,2 meses. Além disso, o risco de morte foi cerca de 60% menor no grupo que utilizou a nova terapia. É importante destacar que esses valores são médias estatísticas de um grupo de 500 pessoas e servem para mostrar que o tratamento é mais eficaz que o padrão disponível até então.

Quais são as regras para o uso e os possíveis efeitos colaterais?

A aprovação da FDA é voltada para adultos com o tipo mais comum de câncer de pâncreas que já está em estágio de metástase (espalhado para outros órgãos). O paciente deve ter passado por pelo menos um tratamento anterior ou não ter condições de saúde para enfrentar quimioterapias pesadas com múltiplas drogas. Como qualquer tratamento forte, ele apresenta efeitos colaterais comuns, como cansaço, náuseas, vômitos, diarreia e erupções na pele. No entanto, o estudo apontou que menos pessoas precisaram interromper o tratamento por causa desses efeitos do que aquelas que fizeram quimioterapia.

O tratamento já está disponível para pacientes no Brasil?

Ainda não há autorização para a venda regular deste medicamento no Brasil. Embora a aprovação nos Estados Unidos seja um passo científico gigantesco, a comercialização em território brasileiro depende obrigatoriamente de uma avaliação e do registro oficial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa. Até que esse processo aconteça, médicos brasileiros veem a novidade como uma esperança futura e uma mudança de estratégia importante, já que o câncer de pâncreas costuma ser descoberto em estágios avançados e historicamente possui poucas opções de tratamento que funcionem bem.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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