103721

Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Saúde
  3. Farmácia de manipulação precisa seguir 200 normas

Medicamentos

Farmácia de manipulação precisa seguir 200 normas

Consumidor precisa ficar atento se o local escolhido para manipular seu remédio é confiável e segue as regras estabelecidas

  • Dâmaris Thomazini
A farmacêutica Rejane Gue Hoffmann esclarece as dúvidas da professora Inês Sasaki sobre o uso dos manipulados |
A farmacêutica Rejane Gue Hoffmann esclarece as dúvidas da professora Inês Sasaki sobre o uso dos manipulados
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

A morte de dez pessoas no município de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, em dezembro de 2011, vítimas da manipulação incorreta de um medicamento antiparasitário, colocou a credibilidade das farmácias que manipulam remédios em xeque. No Brasil, existem mais de 7 mil farmácias de manipulação: 409 delas estão registradas no Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR) e 108 ficam em Curitiba.

A farmacêutica integrante da comissão de farmácias de manipulação do CRF-PR, Rejane Gue Hoffmann, acredita que o problema em Minas foi um fato isolado. “As informações sobre as mortes mostram que houve um descumprimento da legislação que regula o setor, pois as farmácias de manipulação não podem produzir medicamentos em lote, sem uma prescrição individualizada. É proibido deixar medicamentos prontos para serem revendidos”, alerta.

Para abrir as portas, um estabelecimento como esse precisa cumprir pelo menos 200 exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do órgão de fiscalização do município onde está instalado. “As normas garantem segurança desde a aquisição da matéria prima até o produto final”, diz Rejane. Proprietária de um estabelecimento de manipulação há 12 anos em Curitiba, a farmacêutica Tânia Valéria Pirolo Assad afirma que erros nessa atividade são inadmissíveis. “Para evitar problemas, as farmácias precisam ter pesagens monitoradas e informatizadas das substâncias, pois isso evita a troca de medicamentos.”

Uma das dicas para reconhecer estabelecimentos confiáveis é verificar se os documentos fornecidos pela Anvisa, pelo CRF e pela vigilância sanitária local estão expostos aos clientes e dentro do prazo de validade. “O certificado de regularidade perante o Conse­­lho Regional mostra o horário de funcionamento da farmácia e diz quem é seu responsável técnico; a licença sanitária municipal e a autorização de funcionamento liberada pela Anvisa são documentos renovados anualmente”, explica Dagmar Tere­­zinha Kessle, presidente da regional paranaense da Asso­­ciação Nacional de Farma­­cêuticos Magistrais (Anfar­­mag).

Também a rastreabilidade do processo de fabricação dos medicamentos é uma exigência da Anvisa. “Com isso é possível mostrar o que exatamente foi feito durante a fabricação do remédio. As regras são rígidas e é preciso segui-las para continuar no mercado”, avalia a farmacêutica Tânia. A profissional também é a responsável técnica pelos medicamentos produzidos em sua farmácia, ou seja, responde legalmente por tudo o que acontece no local, independentemente de ter feito ou não a manipulação. “Os processos de produção precisam garantir a segurança em relação à falha humana e não deixar o profissional e o cliente vulneráveis. Para tudo existe checagem e o procedimento é seguro”, reforça.

Proximidade entre clientes e profissionais

Cerca de 20 cápsulas e vá­­rias gotas de medicamentos manipulados fazem parte da rotina da professora do ensino médio Inês Bender Sasaki, 55 anos. No balcão da farmácia de manipulação, a professora aproveita para tirar dúvidas sobre o uso dos remédios e seus efeitos colaterais, receitados pela médica de confiança. “Confio na indicação médica e tenho o mesmo sentimento em relação ao farmacêutico. Não tenho como desconfiar da segurança da manipulação, pois preciso me tratar e acredito que o estabelecimento seja sério”, diz.

A proximidade entre clientes e farmacêuticos é recomendada pelos profissionais do setor, pois faz com que o paciente esteja mais protegido. “As pessoas às vezes esquecem que o responsável pelo medicamento é o farmacêutico. Assim como confiam em um médico, elas precisam ter um profissional de farmácia de confiança e conhecer o responsável técnico pelo estabelecimento de manipulação”, diz a farmacêutica do CRF-PR Rejane Gue Hoffmann.

Em 2010 foram divulgados casos de médicos que recebiam comissões pela indicação de farmácias a seus pacientes. Para evitar problemas, no momento de procurar uma farmácia de manipulação com a receita em mãos, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) afirma que o consumidor precisa ter a sua liberdade respeitada. O objetivo é evitar a criação de um vínculo comercial entre médicos e farmácias.

“A escolha é um direito do consumidor. Se ele não conhece nenhuma farmácia de manipulação, deve solicitar ao médico a indicação de pelo menos três estabelecimentos. Indicar apenas um não é ético. Além disso, o paciente não deve permitir nunca que sua receita seja enviada do consultório direto para a farmácia”, alerta a presidente regional da Associação Nacional de Farma­­cêuticos Magistrais (Anfar­­mag), Dagmar Terezinha Kessler.

Interatividade

Você já teve problemas com medicamentos manipulados? Conte sua história.

Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br

As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE