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Terceira idade

Idosos brasileiros são mais frágeis

Estudo realizado com paulistanos mostra que quase metade dos idosos têm problemas, como fadiga muscular, falta de força e perda de peso

  • Adriano Justino e Carlos Coelho
A professora Yeda Duarte que coordena o estudo, pesquisa agora as causas da fragilidade |
A professora Yeda Duarte que coordena o estudo, pesquisa agora as causas da fragilidade
 
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Os idosos brasileiros são muito mais frágeis do que os estrangeiros. A grave constatação é fruto de um extenso estudo da Faculdade de Saúde Pública (FSP), entidade ligada à Universidade de São Paulo (USP). Segundo dados recentemente divulgados, os brasileiros não conseguem envelhecer com a mesma qualidade de vida dos moradores de outros países. Por aqui, quase metade dos idosos analisados (46%) têm problemas, como fraqueza muscular, fadiga e perda involuntária de peso, enquanto a média mundial é de 7% a 10%.

Entitulada de Sabe (Saúde, Bem-estar e Envelhecimento), essa pesquisa vem sendo desenvolvida há dez anos e agora está em sua terceira fase, que vai analisar os porquês dessa situação. “Pensa-se sempre em fazer as pessoas viverem mais. Mas é importante que essa longevidade venha acompanhada de qualidade de vida. Por isso, o que pretendemos agora é definir os fatores que determinam a fragilidade, causadora de tanto sofrimento e dependência em nossos idosos”, diz Yeda Duarte, professora da Escola de Enfermagem da USP e uma das coordenadoras do estudo.

A Sabe analisou quase 700 idosos paulistanos com mais de 65 anos. A fase crítica, porém, surge a partir dos 75 anos. Em um primeiro momento, 14% dos analisados com idade igual ou superior a essa apresentavam um quadro caracterizado como síndrome da fragilidade. Quando analisados apenas dois anos depois, esse mesmo grupo teve um aumento espantoso: 46% deles tinham os sintomas da síndrome (fraqueza, dificuldade de fazer exercícios, falta de força e perda de peso).

Os números assustam pela sua grandeza. Chegam a ser mais representativos do que o de países mais pobres, como Cuba, México e Vene­zuela, onde a fragilidade chega, em média, a atingir 35% da população.

Além disso, os brasileiros estão se fragilizando mais cedo. Na faixa dos 65 aos 75 anos, 15% dos idosos estudados já apresentam o quadro e 49% deles está no caminho disso. Valores que a pesquisadora classifica como “muito elevados”.

Segundo Yeda, embora o estudo tenha sido realizado com moradores da capital paulista, seus resultados podem ser estendidos aos paranaenses. “Acreditamos que essa não seja uma realidade local, mas nacional. Podem haver mudanças nas porcentagens de cidade para cidade, mas o comportamento tende a ser o mesmo”, diz.

Saúde

Idosos mais frágeis significam mais problemas de saúde, garante a pesquisadora. Isso porque com a fragilidade vêm problemas decorrentes dela. O estudo mostrou que 46% dos analisados que apresentavam o quadro já sofreram quedas. Deles, metade teve de ser hospitalizada pela gravidade do acidente. Além disso, 30% dos idosos frágeis são dependentes. “São pessoas que precisam de um cuidador, alguém que os auxilie, pois não conseguem realizar sozinhos atividades simples, como se levantar, tomar banho ou comer”, diz Yeda.

Ainda de acordo com a pesquisadora, um problema pode levar a outro. Ela explica que a dificuldade para se alimentar, por exemplo, leva à perda involuntária de peso. Com menos massa muscular, o idoso tem dificuldade para realizar atividades físicas e se torna ainda mais frágil. “Conhecer esse comportamento serve de alerta. Mostra que é preciso estar atento à saúde do idoso para que ele não tenha esse sofrimento múltiplo. Ainda não podemos definir categoricamente porque a fragilidade acontece mais frequentemente no Brasil, mas sabemos que é importante fazer um diagnóstico precoce para diminuir as consequências.”

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