
O influenciador Lito Sousa, do canal Aviões e Músicas, busca voluntariado em tratamentos experimentais para a doença de Creutzfeldt-Jakob, um distúrbio neurodegenerativo grave. Diagnosticado recentemente e internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, ele entrou na lista de espera da Universidade Harvard, que deve abrir novas vagas para testes clínicos a partir de outubro de 2026.
O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob que afeta o influenciador?
Esta é uma doença muito rara e agressiva causada pelo acúmulo de príons no cérebro. Os príons são proteínas que assumem um formato anormal e acabam infectando outras proteínas saudáveis. Esse processo deixa o cérebro com um aspecto parecido com o de uma esponja, prejudicando rapidamente as funções do corpo. No caso de Lito Sousa, os sintomas começaram de forma incomum pela parte motora, com a perda de controle do braço e da mão esquerda, enquanto sua mente permanece lúcida, permitindo que ele participe ativamente das decisões sobre seu tratamento e futuro com a família.
Como funciona o tratamento experimental desenvolvido em Harvard?
A terapia em teste utiliza uma técnica chamada RNA de interferência. Para entender melhor, imagine que o RNA mensageiro é um manual de instruções que ensina as células a produzirem proteínas. O tratamento experimental tenta 'cortar' ou bloquear esse manual específico que ordena a criação das proteínas nocivas, os príons. O objetivo dos cientistas é atacar o problema na origem, antes mesmo que a proteína estragada seja fabricada pelo organismo. Testes realizados com animais mostraram resultados promissores, reduzindo a quantidade dessas proteínas e aumentando a sobrevida.
Qual é a situação atual de Lito Sousa na fila para esses testes?
A esposa de Lito, Mila Seidl, informou que já recebeu um posicionamento da universidade norte-americana. No momento, o processo de admissão de novos pacientes está pausado, mas a previsão é que seja reaberto em 20 de outubro. Lito já está devidamente registrado na lista de espera oficial. Como a doença avança com muita velocidade — ele já apresenta perda parcial da visão —, a família corre contra o tempo e também analisa outras alternativas. Eles já conseguiram autorização para o atendimento médico domiciliar, preparando a residência para receber o influenciador em breve.
Existem outras pesquisas científicas em andamento contra a doença?
Sim, além do RNA de interferência, Harvard e o Instituto Broad pesquisam uma técnica de edição genética. Esse método tenta modificar diretamente o gene responsável por produzir os príons. Embora tenha tido sucesso em camundongos, prolongando a vida dos animais em 52%, os testes em seres humanos ainda devem demorar alguns anos para começar. É interessante notar que uma das principais pesquisadoras desse campo, Sonia Vallabh, decidiu se tornar cientista após perder a mãe para o mesmo mal e descobrir que também possui o gene que pode desencadear a doença no futuro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





