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Toyoe Kaieda ajudou a limpar o hospital na inauguração e formou filhos médicos

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O técnico em radiologia Alcides da Rosa voltou ao hospital depois da aposentadoria
No corredor da cardiologia, no segundo andar, Hélio Germiniani, 78 anos, formado em Medicina pela UFPR em 1958, analisa um eletrocardiograma e se orgulha de ter sido o pioneiro no uso deste exame no hospital. Seu aprendizado prático como estudante foi feito na Santa Casa, pois o HC ainda não havia sido construído durante sua época de universitário um período em que, segundo ele, a tecnologia era menos desenvolvida e o trabalho com os pacientes mais intenso. "Aprendíamos uma medicina sólida. Hoje existem muito aparelhos e o médico quase não examina as pessoas. Nós tínhamos que nos esmerar para auscultar o coração e o abdome nas consultas", lembra Hélio. No HC, ele foi professor de cardiologia de 1961 a 2003 e relembra com saudosismo os primeiros tempos de hospital. "Só atendíamos pacientes com interesse científico. Era um período glorioso. Depois começaram a privilegiar o volume de atendimentos", diz ele.
Mas este tempo de filas também ficou no passado, ainda que as consultas possam demorar para ser agendadas. Aposentado há oito anos, o médico não se desliga da sua rotina entre os exames e segue como voluntário na eletrocardiografia. "Aqui exerço atividades de ensino. Não ganho dinheiro, mas ganho juventude no contato com os alunos. Estar no HC é bom para pacientes e médicos", diz ele, que tem um filho neurologista que atende no hospital.
O técnico em radiologia Alcides Franco da Rosa, lembra de cabeça seu primeiro dia no HC: 20 de junho de 1961. A aposentadoria veio 38 anos depois, mas não durou muito. Alcides foi chamado de volta ao batente, pois os residentes estavam sem um técnico para orientá-los durante as aulas de radiologia. Com 75 anos, ele faz de 15 a 20 exames de raio-x por dia de braços, pernas, cabeça e órgãos do sistema respiratório. "Tentei ser médico, mas não deu. Já vi muita tristeza e muita alegria aqui dentro", conta ele, que se orgulha de ter um filho que seguiu seus passos no HC. Seu único pesar ali dentro é o desejo de ver o hospital ter mais aparelhos e não conseguir. "Quando eu entrei tínhamos 12 equipamentos de raio X. Hoje temos apenas quatro, alguns com mais de 40 anos de uso", diz.
Vida no elevador
O som de música japonesa acompanha a subida e a descida do elevador que serve o centro cirúrgico do hospital no período da tarde. Sempre na companhia de seu toca-fitas, Toyoe Kaieda, 76 anos, paulista e filha de imigrantes japoneses, também vive o ambiente do HC há 50 anos. Na década de 1960, ela ajudou a limpar o prédio para o evento de inauguração e até 1984 suas mãos bordavam o tecido branco dos guarda-pós usados pelos médicos. Depois, Toyo como é chamada passou a trabalhar nos elevadores. Mesmo fora do hospital, a rotina ao redor de doutores continua, pois ela formou seus três filhos em Medicina: o mais velho é ginecologista e obstetra, a filha do meio é anestesiologista e o caçula é infectologista. "Entrei aqui como servente e só tinha o primário. Trabalhei muito, assim como meus filhos, que faziam plantão em tudo o que era clínica", fala.



