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Especial

Quando a coluna fica doente

Apesar de os problemas musculares serem as causas mais frequentes das dores nas costas, há casos de comprometimento na coluna vertebral propriamente dita

Apesar de os problemas musculares serem as causas mais frequentes das dores nas costas, há casos em que há comprometimento da estrutura óssea, ou seja, da coluna vertebral propriamente dita. Entre os mais conhecidos estão os desvios posturais.

"A coluna vertebral tem curvas naturais. O ideal é que a primeira e a última vértebras sempre estejam alinhadas. Quando isso não ocorre, pode haver um desvio", explica o médico ortopedista Emiliano Vialle. Ele afirma que quando a curvatura é acentuada na cervical (corcunda) é chamada de cifose; quando é localizada na lombar (projetando o abdome para frente) é denominada lordose; enquanto o desvio lateral (que faz com que a coluna se pareça com a letra "s") é chamado de escoliose.

De acordo com os especialistas, a má-postura não é capaz de causar esses desvios. "Grande parte deles é de origem genética e ainda desconhecida, como a escoliose idiopática, que tem maior incidência entre meninas e começa a se manifestar na adolescência", diz Edson Puddles, membro da Sociedade Brasileira de Coluna, que presidiu o último Congresso Brasileiro de Coluna, ocorrido no fim do mês de abril, em Foz do Iguaçu. Ele afirma ainda que além de causarem dores, os desvios podem comprometer outras funções, como a capacidade respiratória.

Exemplo disso é a dona de casa Licer Zambone Zeni, de 33 anos. "Desde pequena tive dificuldade ao fazer atividades físicas e muitas dores nas costas. Aos 17 anos fiz uma radiografia e o diagnóstico foi de cifose, lordose e escoliose. Só comecei a sofrer mesmo aos 23 anos, depois que minha segunda filha nasceu: passei a sentir falta de ar e a ter dores cada vez mais fortes", conta. Atualmente, Licer faz fisioterapia para fortalecer a musculatura e reduzir as dores, já que os tratamentos conservadores não são capazes de regredir as curvaturas.

Se a Licer cabe apenas aprender a conviver com seu problema, o avanço da medicina poderá um dia evitar que outras pessoas sofram tanto com os desvios posturais. Entre as novidades apresentadas no Congresso, um artigo de médicos americanos merece destaque, segundo Pudles. "Ele apresenta os genes envolvidos na escoliose idiopática, o que pode ser útil nos casos em que a doença se repete em uma família. Com a descoberta precoce, é possível retardar o avanço da doença com algumas medidas, como o uso de coletes durante a fase de crescimento", explica.

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