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Após receberem células-tronco adultas, ratos fazem exercícios seis vezes por semana e recuperam parte dos movimentos | Walter Alves/Gazeta do Povo
Após receberem células-tronco adultas, ratos fazem exercícios seis vezes por semana e recuperam parte dos movimentos| Foto: Walter Alves/Gazeta do Povo
  • Os pesquisadores, Katherine Teixeira de Carvalho e Ricardo Cunha
  • Veja os procedimentos da pesquisa

Um estudo desenvolvido por pesquisadores do Instituto Pelé Pequeno Príncipe fez com que ratos paraplégicos voltassem a recuperar os movimentos, quase totalmente, em aproximadamente seis semanas. A técnica utilizada para regeneração da lesão crônica na medula espinhal uniu células-tronco adultas e exercícios físicos condicionados.Criada pela neurologista e doutora em Bioprocessos Katherine Athayde Teixeira de Carvalho e pelo educador físico e doutorando em biotecnologia aplicada à saúde da criança e do adolescente Ricardo Cunha, a técnica utiliza a terapia autóloga. Ou seja, a célula é retirada do organismo do próprio animal que será tratado, o que evita, segundo Katherine, rejeição ou possível necessidade de utilização de remédios.

A técnica consiste em, por meio de um corte, provocar uma lesão na vértebra T10 na medula espinhal do rato anestesiado. Logo depois, são recolhidas células-tronco do mesmo animal. Cerca de 140 ratos foram usados na pesquisa, em diferentes grupos. O procedimento é um protocolo internacional e foi acompanhado por três comitês de diferentes universidades.

A aplicação das células-tronco foi feita 48 horas depois de realizada a lesão em um grupo, e 14 dias depois, noutro, apenas uma vez. Já os exercícios físicos, realizados em uma espécie de "piscina" e também com pesos, que equivalem a 1% do peso corporal, foram parte da rotina das cobaias seis vezes por semana. Segundo Cunha, o exercício é diferente da fisioterapia, que trabalha focada na lesão e tem o objetivo de contribuir para a recuperação. Os dois grupos comportaram-se e tiveram a recuperação no mesmo período. Em uma escala que vai de zero (totalmente paralisados) a 21 (mobilidade excelente), os ratos submetidos à combinação de terapia celular e exercícios alcançaram índices de 18, aproximadamente.

Os pesquisadores analisaram outros três grupos: lesionados e sem nenhum tratamento, somente com terapia celular ou apenas com exercícios. Os dois últimos também apresentaram algum resultado, mas muito aquém do grupo que realizou a terapia combinada.

Trauma

A lesão tratada na pesquisa é apenas a causada por trauma, não foram utilizados animais que já nasceram com o problema. Isso significa que em humanos a aplicação do estudo também só ocorrerá em casos de lesões causadas por traumas, como acidentes automobilísticos, de mergulho, quedas e com arma de fogo.

Todos os animais têm a mesma idade (90 dias), o que equivale, de acordo com Ricardo, a um jovem adulto na faixa etária entre 25 a 30 anos. A escolha não foi coincidência. "Por estatísticas, observamos que são pessoas dessa idade que mais sofrem esse tipo de acidente." Outro fator importante relacionado à idade é a recuperação. "Ratos de 30 dias, por exemplo, se os lesionarmos e não fizermos nada, se regeneram", explica.

Humanos

Os pesquisadores vão apresentar a possibilidade de aplicação da pesquisa em humanos ao comitê da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), em fevereiro de 2011. Caso aprovada, o instituto pode iniciar os experimentos em maio, com 10 pessoas que tiveram a medula lesionada por meio de trauma. O período da terapia, no entanto, será maior (de um ano). Em humanos, existe a necessidade de fazer reaplicações das células-tronco. A partir dessa pesquisa, pretende-se elaborar estudos para tratamento de doenças degenerativas do sistema nervoso central, como isquemias cerebrais e doença de Parkinson.

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