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| Foto: Joanathan Campos/Gazeta do Povo

Escolha

O calçado deve ter a forma dos pés e não o contrário. Confira outras dicas para não errar na compra:

- Eles devem ser confortáveis desde a primeira pisada. Sapato nem sempre lasseia com o uso. Ou ele é ideal para o seu pé ou não.

- Compre calçados no fim da tarde, pois é neste momento que os pés estão um pouco inchados e mais sensíveis.

- Experimente-os com meias macias e veja se também apresentam conforto.

- Os sapatos devem ter espaço suficiente para movimentar os dedos.

- Os modelos devem possuir solas aderentes e macias para absorver os choques externos.

- A cobertura do calçado deve permitir a ventilação dos pés.

Fonte: Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé.

Que salto alto faz mal aos pés, provoca dores e outros problemas não é nenhuma novidade. O que muitas mulheres não sabem é que os calçados com salto rasteiro não são certeza absoluta de pés saudáveis. A maioria dos pacientes que sente dores e usa diariamente sapatilha ou sandália rasteirinha dificilmente as relaciona com esse incômodo. "Mas, não é exatamente assim", diz o médico ortopedista, especialista em pé e tornozelo, Adriano Zahdi Cavassim, da Clínica de Fraturas Hauer e Fraturas Norte. O salto baixo é melhor porque ocasiona uma distribuição harmônica do peso do corpo sobre o pé, mas se for de má qualidade pode causar lesões e doenças musculoesqueléticas.Um dos principais problemas deste tipo de calçado é a falta ou o pouco amortecimento, o que pode impactar no calcanhar, explica o ortopedista. A fáscia plantar, uma estrutura fibrosa espessa que fica na planta do pé, é uma das partes que mais sofre com o uso de um calçado mal escolhido, podendo ocasionar a fascite plantar, uma inflamação neste local.

Além disso, como a principal característica deste sapato é a flexibilidade, pode forçar demais os ossos da frente do pé, completa. "Com as irregularidades das calçadas, pode haver pontos de hiperpressão, tornando algumas partes do pé mais suscetíveis a inflamações", diz. Outra dica de Cavassim é o uso de palmilha para ajudar no amortecimento deste tipo de calçado.

Anatomia do sapato

Então, o que fazer? O ortopedista diz que depende da rotina de cada um. "Se a pessoa precisa andar várias quadras com sapato baixo, sem amortecimento, certamente vai sentir", comenta. "Agora, se ela trabalha sentada o dia todo, dificilmente um sapato assim vai incomodar", conclui.

Quem for fazer a escolha de um bom calçado também deve levar em conta alguns termos técnicos do mercado. Um deles é o contraforte, que fica na parte de trás do calçado. Segundo o especialista em pé e tornozelo, o contraforte não pode ser muito flexível porque assim não irá proteger devidamente o tornozelo caso a pessoa vire o pé, por exemplo, e deve ter um desenho anatômico para que não machuque esta região cuja pele não é tão espessa. Ele concorda, no entanto, que na fase de adaptação do calçado pode haver algum incômodo na região e vale lançar mão de protetores específicos ou até esparadrapo e curativos adesivos.

A câmara interna do sapato também deve ser levada em consideração. O ortopedista lembra que um sapato muito apertado pode contribuir para a famosa joanete, mesmo tendo salto baixo. A altura desta câmara interna deve ser avaliada também por quem possui os dedos dos pés curvados. Neste caso, calçados com esta região mais alta são os indicados.

Estética e proteção

Dados da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé revelam que mais de 70% da população mundial têm al­­gum problema ou dor nos pés ao longo da vida. Esta parte complexa do corpo – são nada menos do que 26 ossos e 33 juntas, além de ligamentos, músculos e tendões – merece toda a atenção, principalmente na hora de escolher um sapato.

"O foco de quem vai comprar um calçado deve ser a proteção do pé", explica. Mas, muitas ve­­zes, esta proteção é deixada de lado em detrimento à estética. Para se ter ideia, se­­gundo o ortopedista, 80% das mu­­lheres que usam salto alto sentem dor no pé.

Apesar dos pro­blemas causados pela má escolha dos sapatos, Ca­­vassim diz que tem sentido uma maior preocupação das pacientes na escolha de um calçado confortável. "É uma mudança sutil, mas existe", completa.

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