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Um mal traiçoeiro, ainda pouco conhecido pelos brasileiros, que facilmente leva o paciente à perda de funções importantes do cérebro – e, consequentemente, do corpo – e ainda pode causar a morte. Esse é o Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame cerebral, um problema que matou quase 100 mil brasileiros em 2008, segundo últimos dados do Ministério da Saúde. Para evitar consequências mais graves, a palavra de ordem é rapidez e qualidade no atendimento aos pacientes, segundo o neurocirurgião Murilo Meneses (foto), que é professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), chefe da Unidade Neuro­vascular do Instituto de Neurologia de Curitiba (INC) e membro das Sociedades Brasileira e Francesa de Neurocirurgia,

Qual a importância de um atendimento rápido para vítimas de AVC?

Existe uma expressão utilizada, inicialmente nos EUA, que é "tempo é cérebro". Quando uma pessoa tem um AVC, como na obstrução de uma artéria cerebral, quanto mais cedo for tratada num centro de referência, muito maior a chance de recuperação, inclusive sem sequelas. No caso de um AVC, com a suspensão do aporte de sangue ao tecido cerebral, inicia-se um processo de isquemia que vai levar rapidamente à morte das células. É muito importante que a artéria seja desobstruída antes de ocorrer o enfarte [a morte das células]. Dentro de três a quatro horas e meia do início dos sintomas, a desobstrução pode ser feita com medicação injetada pela veia. A partir desse tempo, um exame de ressonância magnética especial pode determinar a possibilidade de desobstrução direta por cateterismo, isto é, removendo o coágulo diretamente por dentro da artéria por meio de um microcatéter. Por isso, a pessoa que sofre um AVC deve ser levada a um centro de referência o mais rápido possível.

Quando o paciente dá entrada em um hospital com suspeita de AVC, qual o procedimento do corpo médico?

Imediatamente devem ser iniciadas manobras para preservar adequadamente funções como a respiração e a pressão arterial. Um exame clínico permite avaliar a gravidade do AVC. Enquanto uma tomografia computadorizada define o tipo do problema, exames complementares vão demonstrar a necessidade de tratar alterações sanguíneas, como na diabete. Com esses exames, é estabelecida a necessidade de realizar a desobstrução da artéria (trombólise), seja por via venosa ou arterial, ou outro tratamento, como nos casos de AVC hemorrágico, que pode necessitar de cirurgia ou embolização.

Como pode-se identificar que uma pessoa está tendo um AVC?

O aparecimento de paralisias no corpo, diminuição da sensibilidade, alteração na fala, sonolência excessiva são exemplos de sintomas de um AVC. As cefaleias (dores de cabeça) súbitas e diferentes das usuais, vômitos e rigidez de nuca são características de AVC hemorrágico. Em caso de suspeita, o paciente deve ser levado a um centro especializado imediatamente.

Há como evitar esse problema?

É muito importante combater o tabagismo, cuidar da alimentação evitando comida gordurosa, muito calórica e com excesso de sal, fazer atividade física regularmente, controlar e, se necessário, tratar os níveis elevados de glicemia e colesterol, assim como a hipertensão arterial, e tentar evitar o estresse.

Quais as novidades nas pesquisas a respeito de AVC? Há novas formas de tratamento?

Diferentes medicamentos para evitar e tratar esse problema estão sendo pesquisados, alguns já em fase adiantada. O uso de células tronco também faz parte das pesquisas nessa área. Diversos dispositivos para remoção dos trombos têm sido desenvolvidos, assim como novos stents [tubos que ajudam a impedir a interrupção do fluxo sanguíneo] para manter as artérias abertas também. No caso de doenças que provocam hemorragias, como os aneurismas, a tecnologia avança constantemente, com diversas micromolas para ocluir essas malformações e novos stents que podem dispensar o uso de embolização ou cirurgia.

Pode-se dizer que o AVC é um problema que inspira preocupação?

Progressivamente, ele passou a ser uma das maiores causas de morte e de invalidez. É extremamente importante combater suas principais causas. O AVC representa atualmente nos Estados Unidos a terceira causa de morte e a primeira causa de invalidez, com uma incidência de aproximadamente 500 mil casos por ano. As estatísticas no Brasil devem ser bem semelhantes.

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