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Durante dez dias (entre 27 de julho e 5 de agosto), os leitores da Gazeta do Povo enviaram ao jornal suas dúvidas sobre prevenção, sintomas e tratamento da gripe A H1N1. Confira as respostas dos especialistas:

Na compra de frutas e verduras em supermercados há possibilidade de que eles estejam contaminados? Como esses alimentos não são cozidos, como fazer para desinfectar, por exemplo, alfaces e maçãs?(Lafayete dos Santos Luz, por e-mail. Publicada em: 14/08/09) Moacir Gerolomo (13*): Há a possibilidade de estes produtos estarem contaminados, com o vírus da gripe e também com outros microorganismos. Por isto frutas devem ser lavadas com escova, água e sabão antes de serem consumidas ou irem para a geladeira. E as verduras, além de lavadas em água corrente, devem ser colocadas em uma solução de água e água sanitária antes do consumo.

Existe um e-mail divulgando que aniz estrelado e a erva doce são a base natural e o princípio ativo do medicamento Tamiflu. Essa informação procede? Ou é apenas mais um boato da internet e do povo em geral. (Amilton Pryjma, por e-mail. Publicada em: 14/08/09)

Moacir (14*): É mais um boato da internet. Fosfato de oseltamivir é um pró-fármaco ester etil que não possui atividade antiviral. Após a metabolização pelo fígado e trato gastrintestinal é transformado em carboxilato de oseltamivir e assim se torna seletivo contra o vírus influenza dos tipos A e B. O medicamento não impede a contaminação com o vírus (não é uma vacina) e é usado no tratamento da infecção.

A diretora da escola infantil em que minha filha estuda disse que apenas alunos com febre serão impedidos de ingressar no estabelecimento. Mas antes da febre não podem existir outros sintomas (como tosse, coriza,etc) que também sinalizam uma possível existência de gripe H1N1? Afinal, a partir de qual momento começa a transmissibilidade? Qual o critério mais seguro que as escolas devem observar para determinar a permanência, ou não, de algum aluno na escola, especialmente crianças abaixo dos quatro anos?(Rodrigo Asturian, por e-mail. Publicada em: 14/08/09)

Moacir (14*): A Secretaria Municipal de Saúde elaborou um documento para todas as instituições de ensino, indicando que os sintomas mais evidentes (alertas) para gripe incluem face rosada (possível febre), tosse, apatia, olhos avermelhados, entre outros. Em crianças menores de dois anos, observar febre ou temperatura abaixo de 35,7ºC (hipotermia), irritabilidade importante, apatia, tosse persistente, esforço respiratório, recusa da alimentação. Nestes casos a criança deverá ser imediatamente avaliada, inclusive com verificação da temperatura. Solicitamos aos pais que percebam estes sinais que, antes de levarem a criança para a escola, encaminhem-na ao médico para avaliação.

O álcool mata as bactérias, pois penetra na célula e a desidrata. O vírus não é uma célula e sim uma "cápsula" protéica. Sendo assim, o álcool gel ou 70% tem capacidade de tornar o vírus inativo? (Luciana Rezende, por e-mail. Publicada em: 12/08/09.)

Marta Fragoso(*13): O mecanismo de ação do álcool 70% é a desnaturação de proteínas e, portanto, é efetivo na inativação de todos os vírus, conforme a recomendação de uso seguro de todos as Organizações de Saúde Nacionais e Internacionais.

Foi veiculado que o Tamiflu poderia causar efeitos nocivos às crianças menores que 12 anos (de acordo com uma pesquisa da Inglaterra). Isso é verdade? Quais seriam esses malefícios?(Patrícia Scheffer, por e-mail. Publicada em: 12/08/09.)

Marta(*14): Todo e qualquer medicamento apresenta o risco de eventos adversos que podem ser desde sintomas leves até sintomas mais graves, dependendo da reação individual ou do fármaco, tanto em adultos quanto em crianças.Estes eventos adversos são citados na bula de cada medicamento.Especificamente com relação ao Oseltamivir, os eventos adversos relatados com mais frequência são náuseas e vômitos e os menos freqüentes são diarréia, dor abdominal, enxaqueca, insônia, vertigem e fadiga. A possibilidade destes eventos adversos não contraindica o uso apropriado, com indicação e acompanhamento médico, visto que os benefícios proporcionados em larga escala na população que já o utilizou.

A limpeza do ambiente doméstico (como chão, superfície dos móveis, portas, banheiro, cozinha) pode ser feita com desinfetantes normais (os encontrados nos mercados), e ficam desinfetadas, ou precisa ser feita com álcool 70%?(Maria Teresa Freire, por e-mail. Publicada em: 12/08/09.)

Marta(*13): A limpeza do ambiente doméstico pode ser mantida seguramente com os saneantes de uso domiciliar de rotina.

Gostaria de saber se a pessoa que tem cálculo renal se torna um paciente de risco em relação a essa nova gripe?(Mahh Luiza, por e-mail. Publicada em: 12/08/09.)

Marta(*13): Não se inclui a condição simples de portador de calculose renal como de risco para doença respiratória grave, exceto se esta condição clínica apresentar complicações compatíveis com doença renal crônica.

Que alimentos podem aumentar a imunidade do organismo contra a gripe A? (Karina Carbonieri, por e-mail. Publicada em: 11/08/09.)

Marta(*13): Não há alimentos específicos e sim a recomendação de uma alimentação equilibrada com frutas, verduras, proteínas, fibras e a ingesta de muito líquido para manter as mucosas hidratadas, e assim evitar lesões destas, as quais facilitam a penetração do vírus.

O Tamiflu faz efeito somente nas primeiras 72 horas após ter contraído o vírus?(Simone Woiciechowski, por e-mail. Publicada em: 11/08/09.)

Sérgio Penteado(*12): Na verdade os trabalhos mostram resultados significativos quando o tratamento com Tamiflu é iniciado nas primeiras 48 horas. Após este tempo há controvérsia quanto a sua eficácia clínica. Entretanto existem relatos da redução da transmissibilidade com a introdução do medicamento mesmo após 48 horas, além de poder haver um impacto na redução de infecções bacterianas após o quadro de gripe.

As pessoas falam constantemente que devemos nos cuidar até o fim desta pandemia. Mas como o vírus para de infectar? Isso acontece após as pessoas serem vacinadas ou é algo natural? Há alguma previsão de quanto tempo leva para acabar essa pandemia?(Andressa, por e-mail. Publicada em: 11/08/09.)

Sérgio(*12): A Gripe se disseminará apesar das medidas de controle, pois o vírus é altamente contagioso. A maior parte das pessoas irão apresentar a doença com poucos sintomas ou mesmo com ausência de sintomas, e uma porcentagem menor necessitará de hospitalização e desenvolverá doença grave. Mas, com o passar do tempo a maior parte das pessoas desenvolverão imunidade devido ao contato com o vírus e haverá um momento em que existirão poucas pessoas suscetíveis (que não apresentam imunidade, pois não estiveram em contato com o vírus). Neste caso fica mais difícil que uma pessoa doente entre em contato com uma pessoa suscetível dando continuidade à infecção.

O desenvolvimento de uma vacina eficaz pode encurtar o período de epidemia. Atualmente a previsão é de que a transmissão deva durar por meses com uma redução progressiva, especialmente após o término do inverno.

Tenho uma filha que tem uma síndrome de baixa imunidade devido à baixa taxa de Imunoglobulina A (IgA). Qual o procedimento a ser adotado para que ela possa tomar o remédio? (Wilson Candeias, por e-mail. Publicada em: 11/08/09.)

Sérgio(*12): Déficit de imunoglobulinas é um fator de risco para infecção bacteriana, se ela apresentar sinais de gripe deve procurar atendimento médico especializado o mais rápido possível. Se o quadro for realmente compatível com gripe, o tratamento com Tamiflu deve ser iniciado. É importante ficar atento à velocidade de instalação da doença, pois a gripe apresenta-se de forma abrupta , o que é diferente do resfriando comum (não causado pelo vírus Influenza) e se apresenta de forma mais lenta. Neste ultimo caso não há indicação do uso de Tamiflu.

No momento embora seja possível utilizar Tamiflu de forma profilática, se houver contato com alguém sabidamente com gripe, ele não esta disponível para esta indicação. Por isto é importante investir em medidas preventivas especialmente no diz respeito ao bom estado nutricional e controle da hipogamaglobulinemia. Recomendo também que ela seja avaliada por um imunologista experiente.

Seria contraindicado tomar a vacina da gripe comum neste período? Pois se diz que ela reduz a imunidade da pessoa até a formação dos anticorpos (5 a 15 dias). Isto poderia ser um fator de risco acaso a pessoa seja contaminada pela gripe suína justamente nesta fase de baixa imunidade causada pela vacina? (Kleber Sampaio Joffily, por e-mail. Publicada em: 11/08/09.)

Sérgio(*12): Não. Não há contraindicação para vacinação contra a gripe sazonal.

Gostaria de saber se em locais em que há pessoas que fumam existe risco maior de ter o vírus da nova gripe? Os fumantes têm mais chances de contraírem o vírus? (Fabiano Betim, por e-mail. Publicada em: 11/08/09.)

Sérgio(*12): Não. A fumaça do cigarro não favorece a transmissão viral, porém estar em ambiente fechado favorece a disseminação do vírus. As pessoas que fumam ou que tem doença crônica pulmonar estão mais propensas a desenvolver doenças pulmonares graves e, portanto, podem apresentar quadros mais severos relacionados ao vírus Influenza, especialmente pneumonias bacterianas. Interromper o tabagismo é uma boa medida para reduzir o risco de doenças pulmonares graves.

Em todas as mídias é divulgado que a Influenza A apresenta índices de letalidade até menores do que a gripe comum (sazonal). Por que um tratamento diferenciado, como por exemplo a suspensão das aulas, se o que tem sido divulgado na mídia "tenta" demonstrar uma igualdade no que se refere a gravidade deste vírus?(Denise Chemin, por e-mail. Publicada em: 10/08/09.) Carla Regina Martins(*11): Em relação à gravidade realmente os vírus são equivalentes. Porém o vírus da Influenza A apresenta maior transmissibilidade, o que tem direcionado as diferentes ações das autoridades de saúde pública. A letalidade do vírus H1N1 também é baixa, parecida com o vírus da gripe comum.

Gostaria de saber se eu tiver contato com alguém com gripe suína, existe a possibilidade de eu não contrair a nova gripe? (Diego Soares, por e-mail. Publicada em: 10/08/09.)

Carla(*11): Sim. Existe a possibilidade de não desenvolver a doença após contato com o paciente doente. O contágio depende de vários fatores, como o tempo de exposição ao paciente com a doença, o tipo de contato e a imunidade da pessoa. O risco é muito maior se houver contato com secreções do paciente que tiver a nova gripe.

É possível estar infectado com gripe A e não apresentar febre?(Vanessa Sguario, por e-mail. Publicada em: 10/08/09.)

Carla(*11): Os estudos mostram que a presença de febre é um sinalpresente em praticamente todos os casos. Em média, 98% dos pacientes com a gripe A tiveram febre alta. Dessa forma, esse sintoma é caracterizado como "sintoma maior".

Quem tem bronquite asmática faz parte do grupo de risco? Quais são os riscos?(Camila Maria dos Santos Dias, por e-mail. Publicada em: 10/08/09.)

Carla(*11): Sim. Os principais riscos são as complicações pulmonares, como insuficiência respiratória, e as complicações infecciosas, como pneumonia.

Quais são os riscos para bebês dentro de um avião? Existe máscaras para eles e é recomendável a utilização? Caso o bebê contraia a gripe, qual será o tratamento? (Edilene Rohrbach, por e-mail. Publicada em: 07/08/09.)

Clóvis Arns da Cunha(*10): Normalmente o antiviral pediátrico é recomendado apenas para bebês a partir de um ano. Entretanto, em meio a uma pandemia como essa, recomenda-se que essa medicação seja dada também para bebês com menos tempo de vida. O pediatra deverá prescrever uma dosagem do remédio compatível ao peso da criança. Os bebês fazem parte do grupo de risco porque o sistema imunológico deles ainda não alcançou a maturidade, ou seja, ainda não está pronto.

A máscara deve ser utilizada apenas se tiver algum paciente com sintomas da nova gripe no avião. No entanto, será difícil fazer com que o bebê permaneça de máscara.

No caso das gestantes, os riscos são os mesmos para grávidas no início e no final da gestação? Tanto no caso de infecções quanto de complicações? (Karina Dias, por e-mail. Publicada em: 07/08/09.)

Clóvis(*10): De modo geral, as gestantes fazem parte do grupo de risco dessa pandemia. No entanto, as maiores complicações costumam aparecer a partir do 4º mês de gravidez. Isso porque muitas pacientes apresentam pneumonia viral, que causa falta de ar progressiva.

Quais são os riscos de contaminação pelo vírus A H1N1 nos ônibus de viagens interestaduais? Pois os ônibus são fechados internamente e equipados com ar condicionado. Deve-se usar máscaras? É preciso trocá-las?(Daniela C. Lima, por e-mail. Publicada em: 07/08/09.)

Clóvis(*10): Não é necessário usar máscaras nas viagens interestaduais, pois o ar condicionado representa um risco mínimo de disseminação do vírus. Mas, deve-se sempre levar uma máscara na bagagem. E se algum passageiro estiver espirrando ou tossindo, nesse caso é aconselhável colocar a máscara. Ela deve ser trocada a cada duas horas.

Em alimentos, após o cozimento, o vírus também resiste?(Eleni da Silva, por e-mail. Publicada em: 07/08/09.)

Clóvis(*10): O vírus não resiste ao cozimento dos alimentos. Por isso, não há risco de contaminação em alimentos cozidos, mesmo que alguém com o vírus da nova gripe - anteriormente - tivesse contaminado esse alimento.

É recomendável administrar doses de vitamina C em gotas para crianças, como meio de profilaxia para aumentar a resistência contra o vírus da gripe? (Luiz Farah, por e-mail. Publicada em: 07/08/09.)

Clóvis(*10): Não há necessidade de prescrever vitamina C para crianças saudáveis. Os outros casos têm que ser avaliados por um pediatra. Além disso, foram feitos estudos com a vitamina C e houve comprovação científica de que a vitamina aumenta a resistência do corpo ao vírus.

O clima e as baixas temperaturas de Curitiba podem favorecer a disseminação do vírus? (Natália, por e-mail. Publicada em: 07/08/09.)

Clóvis(*10): Sim. O vírus tende a se multiplicar mais em locais frios e úmidos. No entanto, ele sobrevive por mais tempo nas superfícies de localidades com baixa umidade (secos).

[O inverno de Curitiba normalmente é seco. No entanto, o inverno desse ano tem sido mais úmido do que o normal para a época. Essa umidade ocorre por causa da grande quantidade de chuva na região de Curitiba nas últimas semanas. Fonte: Instituto Tecnológico Simepar.]

Se a pessoa for infectada com a nova gripe, depois de quanto tempo (em média) aparecem os sintomas e qual é o primeiro sintoma?(Aldo Cesar Prigol, por e-mail. Publicada em: 06/08/09.)

Felipe Francisco Tuon(*9): O período de incubação do vírus é de 24 a 48 horas. Portanto, após um contato, os sintomas iniciam em no máximo três dias. Os sintomas iniciais são mialgia (dor no corpo) e horas depois a febre. Mas, geralmente, eles aparecem simultaneamente. Sintomas respiratórios e oculares aparecem junto com a febre, mas a febre e dor muscular são tão importantes que o paciente não percebe os sinais respiratórios, que são inicialmente leves, piorando nos dias seguintes, entre o 2º e o 5o, dias depois do inicio da febre.

Além do risco de estar em ambiente fechado em restaurantes e lanchonetes, existe algum risco em usar os talheres, copos e pratos onde são servidas as refeições? Existe alguma coisa que podemos fazer para prevenir a contaminação pela gripe A através destes utensílios? Existe alguma orientação especifica de higienização destes utensílios para os donos destes estabelecimentos, que seja eficaz na prevenção?(Marilise Brandão, por e-mail. Publicada em: 06/08/09.)

Felipe(*9): Os utensílios de cozinha são lavados com água e sabão, o que é suficiente para eliminar o vírus. Portanto, não há necessidade de cuidados adicionais.

Quem manuseia pratos, após terem sido limpos, dever ter cuidado de estar com as mãos higienizadas. Funcionários com sintomas de gripe devem ser afastados.

Na falta do álcool gel (difícil de se encontrar nos dias de hoje), o álcool líquido disponível em supermercados pode substituí-lo? Em caso positivo, como usá-lo? (Sandro Miguel, por e-mail. Publicada em: 06/08/09.)

Felipe(*9): O álcool líquido 70% tem a mesma eficácia que o álcool gel. Portanto, esse pode ser usado da mesma forma, através da fricção das mãos por pelo menos 30segundos.

Os antigripais que combatem a gripe comum mascaram os sintomas da gripe H1N1? (Simone Woiciechowski, por e-mail. Publicada em: 06/08/09.)

Felipe(*9): Quando falamos de antigripal, o único que temos no Brasil é o oseltamivir (Tamiflu). Os demais medicamentos que são vendidos como antigripais, na realidade, são analgésicos, antitérmicos ou descongestionantes. Esses medicamentos que - em propagandas - são denominados de "antigripais" podem atenuar os sintomas de qualquer gripe, diminuindo a febre e diminuindo dor muscular, assim como aliviar a tosse. Isso vale para as duas gripes, mas esses medicamentos não eliminam o vírus.

Pessoas com machucados e cortes nas mãos correm risco de contrair a doença ao manusear objetos infectados ou colocar as mãos em superfícies contaminadas pelo vírus H1N1? É recomendável o uso de luvas nesses casos?(Luciane Rolim de Moura Vilain, por e-mail. Publicada em: 06/08/09.)

Felipe(*9): O vírus H1N1 só é transmitido pelas vias respiratórias. Ele precisa das células que estão presentes no trato respiratório para causar a doença. Desta forma, não há necessidade do uso de luvas.

O vírus da gripe A pode perder seu potencial de transmissibilidade de acordo com o nível de disseminação, ou seja, ele fica mais fraco quando se espalha para maior número de pessoas, ou o fato de ele poder sofrer mutações descarta essa teoria? (Cassiano , por e-mail. Publicada em: 06/08/09.)

Felipe(*9): A transmissibilidade é persistente. O vírus sofre mutações pequenas durante o passar das semanas, mas não é suficiente para perder a sua chance de causar doença. As mutações podem prejudicar a eficácia do antiviral e da vacina.

Além da tosse e coriza, como e o que devemos fazer para identificar outros sintomas da gripe A em bebês? Qual é a taxa de mortalidade em bebês? (Cláudia, por e-mail. Publicada em: 05/08/09.)

Heloísa Ihle Giamberardino(*8): Além da tosse e coriza, deve ser observado – principalmente - a febre maior ou igual a 38ºC. Ainda não temos dados disponíveis sobre taxa de mortalidade em crianças. Porém, segundo o Ministério da Saúde (MS), crianças abaixo de cinco anos encontram-se dentro do grupo de risco e têm 3,4 vezes mais risco de morte.

Minha filha tem um ano e cinco meses, desde os cinco meses ela toma vitaminas A e D, e há dois meses começou a tomar um outro polivitamínico (vitaminas A, C, D, B6, entre outras). Com isto, ela poderá ter uma proteção maior contra o vírus H1N1?(Valdinei Klaumann, por e-mail. Publicada em: 05/08/09.)

Heloísa(*8): O uso das vitaminas não previne contra as infecções pelo H1N1. Porém, um bom estado nutricional auxilia numa boa resposta imunológica, deixando a criança com mais resistência contra as infecções.

Crianças vacinadas contra pneumonia ficam imunizadas contra a pneumonia ocasionada pelo H1N1?(Lucimar Fernandes, por e-mail. Publicada em: 05/08/09.)

Heloísa(*8): Crianças vacinadas contra a pneumonia (pneumococo) têm proteção para a pneumonia causada pelo próprio pneumococo. E esse é o agente mais frequente dessa patologia, inclusive nos casos de complicações pelo H1N1.

Minha filha está com quatro anos, tem bronquite e é hipertensa. Além da idade, a hipertensão e a bronquite seriam agravantes, no caso de ela ser contaminada pelo vírus H1N1? Quais são os riscos por causa da hipertensão e por causa da bronquite? (Maria Madalena, por e-mail. Publicada em: 05/08/09.)

Heloísa(*8): Sim, principalmente a bronquite é um fator complicador nos casos de infecção por H1N1. Portanto, com essas condições, recomenda-se para ela o uso do Tamiflu em caso de apresentar sintomas de gripe A.

Se a mulher estiver amamentando e apresentar os sintomas da gripe A, a amamentação deve ser suspensa? E se for preciso tomar antiviral, há algum risco para o bebê ou para a mãe? (Anelise Alves, por e-mail. Publicada em: 05/08/09.)

Heloísa(*8): A mãe que está amamentando com síndrome gripal estabelecida deverá procurar o seu médico e obter orientações quanto ao uso do antiviral. Recomenda-se suspensão da amamentação pelo período de febre e até 48 horas do início do uso do antiviral. Neste período, o leite poderá ser esgotado e oferecido ao bebê. A mãe deverá intensificar a higiene das mãos, usar máscara e, preferencialmente, ter uma pessoa para auxiliar no cuidado com o bebê nas 48 horas depois do início da medicação. No entanto, não há problema em amamentar e tomar o antiviral.

Minha esposa está grávida e dará à luz nessa semana. Gostaria de saber quais são as recomendações e os cuidados que deveremos ter no período que estaremos no hospital e para os dias após alta hospitalar? (Ricardo Ferreira da Silva, por e-mail. Publicada em: 05/08/09.)

Heloísa(*8): Recomendamos número restrito de visitantes, uma vez que tanto a mãe quanto o filho estão mais propensos a infecções. Também deve haver intensificação de medidas de higiene no ambiente e uso de álcool gel nas mãos.

Estou no primeiro trimestre de gravidez. Caso venha a contrair o vírus H1N1, o remédio contra a gripe suína poderá ser administrado neste estágio da gravidez ou oferece riscos de má-formação do feto? (Renata Pimentel, por e-mail. Publicada em: 04/08/09.)

Mônica Gomes da Silva(*7): A medicação oseltamivir já foi usada por várias pacientes no mundo que eram gestantes e não houve relato de má-formação comprovada pelo seu uso. Deve-se - sempre que possível - evitar o uso de medicações durante a gravidez. Porém, frente aos riscos da influenza (gripe) nas gestantes, o benefício é maior do que os riscos.

Por que pessoas que já possuem alguma doença correm mais riscos? O que acontece se uma pessoa diabética contrair a nova gripe? Deve-se redobrar os cuidados? (Fernanda Alves, por e-mail. Publicada em: 04/08/09.)

Mônica(*7): A preocupação com as doenças crônicas (entre elas o diabetes) ocorre porque existe uma possibilidade de maiores complicações nessas pessoas, caso peguem gripe. Por isso, considera-se os pacientes com doenças crônicas como "pacientes de risco", sendo esse risco para a ocorrência de doença grave e, especialmente, risco de complicações nas doenças que possuem.

No organismo contaminando pelo vírus A H1N1, normalmente, ocorre agravamento da pneumonia? Existe alguma proteção se a pessoa tomar a vacina para pneumonia, mesmo sem apresentar sintomas da nova gripe? Esta vacina pode imunizar o organismo?(Rafael C. Scolanzi, por e-mail. Publicada em: 04/08/09.)

Mônica(*7): A gripe causa dois principais tipos de complicações: a pneumonia primária pelo vírus Influenza (ou seja, o próprio vírus da gripe causa infecção e inflamação dos pulmões), ou a pneumonia bacteriana secundária (quando o vírus da gripe predispõe o organismo a adquirir uma infecção e inflamação nos pulmões por uma bactéria). Uma das bactérias que causa pneumonia é o pneumococo e existe vacina contra essa bactéria. Porém devemos lembrar que a vacina previne contra algumas cepas de pneumococos, não impedindo completamente a infecção por essa bactéria.

Como o medicamento age no organismo da pessoa que esta com a Gripe A? Ele mata o vírus?(Cerli F. Pereira, por e-mail. Publicada em: 04/08/09.)

Mônica(*7): O medicamento oseltamivir é um antiviral, ou seja, tem ação específica contra o vírus Influenza (vírus da gripe). O da gripe tipo A (Inlfuenza A) apresenta duas estruturas na sua superfície chamadas neuraminidase e hemaglutinina. O oseltamivir inibe a neuraminidase e, assim, "atrapalha" a multiplicação do vírus, fazendo com que ele não consiga infectar novas células.

Como funciona a "resistência viral"? A resistência bacteriana ocorre porque a bactéria possui uma estrutura bioquímica que facilita o processo de sobrevivência da célula. No caso do vírus (que praticamente não possui estruturas complexas) como isso ocorre?(Paulo Abrahão, por e-mail. Publicada em: 04/08/09.)

Mônica(*7): A neuraminidase do vírus Influenza auxilia-o a sair da célula contaminada e infectar novas células. Essa neuraminidase é inibida pelo uso do oseltamivir. Quando o local de ação do oseltamivir sofre uma mudança no seu formato, o medicamento não consegue se ligar aquele local e então a multiplicação do vírus ocorre normalmente. Isso configura a resistência à atividade do medicamento.

Gostaria de saber se as pessoas podem ser curadas da gripe AH1N1 sem usar o medicamento Tamiflu? A jornalista Sandra Annemberg disse que toda a sua famíliapegou gripe, sendo que a dela foi comprovada como AH1N1 e apenas ela tomou Tamiflu, pois tem histórico de doença respiratória. Como é o tratamento dos demais, se não foi comprovado que se tratava da nova gripe? (Vera Alves, por e-mail. Publicada em: 04/08/09.)

Mônica(*7): A Influenza (gripe) é uma infecção - na grande maioria das vezes - autolimitada, ou seja, resolvida sem necessidade do uso de antiviral. Estudos mostraram que o uso da medicação pode fazer com que a doença dure menos dias e que a intensidade dos sintomas seja menor.

O que acontece com a pessoa que adquire o vírus H1NI e fica gravementedoente? Porque é necessário internamento em UTI? Isso ocorre na maioria doscasos? (Flavia Luiza Nogueira, por e-mail. Publicada em: 03/08/09.)

Jaime Rocha(*6): É uma raridade ter um quadro grave com necessidade de internação em UTI ou com risco de óbito. A absoluta maioria dos pacientes fará um quadro de influenza clássico. Os poucos pacientes que evoluem de forma grave apresentam uma pneumonia viral, o que significa que seu pulmão ficou doente e tem dificuldade de respirar. Um número ainda menor terá o seu pulmão muito doente a ponto de necessitar internação na UTI, para então receber suporte ventilatório (ou seja, colocação de um tubo no sistema respiratório e auxílio de um aparelho ventilador). Grande parte destes pacientes graves com necessidade de ventilação deverá se recuperar, enquanto outros têm risco de óbito.

O principal sintoma da gripe A H1N1 é a febre alta? Só quem tem febre acima de 38°C deve procurar um médico? E a pessoa que tem todos os outros sintomas, mas não tem febre? Pode ficar despreocupada?(Janise Assumpção, por e-mail. Publicada em: 03/08/09.)

Jaime(*6): A presença de febre é uma constante no diagnóstico de influenza (gripe) sazonal (aquela que ocorre todos os anos) e pandêmica (H1N1). Sempre há presença de temperatura acima de 38ºC e por isso é um critério diagnóstico e de triagem inicial. Seria uma raridade um quadro de gripe sem febre, sendo observado somente em situações muito particulares de pacientes imunodeprimidos ou na vigência de medicamentos que possam evitar a presença da febre. O que é comum ocorrer é o paciente não aferir ou aferir de maneira inadequada (a temperatura). A presença de todos os outros sintomas pode ocorrer em uma diversidade de diagnósticos. Portanto a pessoa que apresentá-los e não estiver em boas condições deverá buscar diagnóstico médico.

Gostaria obter informações quanto aos riscos de contaminação em locais detrabalho que envolvem grande número de pessoas em ambiente fechado, comocall centers, nos quais a ventilação é somente por ar condicionado. Há comose proteger?(Camila C. Alves Pereira, por e-mail. Publicada em: 03/08/09.)

Jaime(*6): As aglomerações são constantes nos grandes centros urbanos, seja no ambiente de trabalho ou em diversas outras situações como: shopping, teatros, cinemas, restaurantes, estádios de futebol, transportes coletivos, eventos religiosos, festas, bares... Desta forma, fica muito difícil evitar ambientes com grande número de pessoas o tempo todo e portanto devemos considerar as medidas preventivas. Entre as principais destaco: higienização das mãos constante (lavar as mãos com água e sabão ou álcool 70%); não frequentar estes ambientes em caso de doença; não compartilhar copos e utensílios domésticos; manter o ambiente o maisventilado possível; cobrir a boca e o nariz ao tossir, utilizando preferencialmente lenços descartáveis (nunca usar as mãos e caso ocorra, lavá-las imediatamente).

Profissionais do comércio entram em contato direto com dezenas de pessoasdiariamente. Eles podem estar com o vírus e não saberem? Essas pessoas precisam usar máscaras?(Valdriane Carvalho da Costa, por e-mail. Publicada em: 03/08/09.)

Jaime(*6): As pessoas que são infectadas pelo vírus H1N - habitualmente em um prazo de três dias - desenvolvem os sintomas clássicos de gripe (febre alta acima de 38oC, tosse seca, dores pelo corpo e de cabeça, entre outros). Poucos evoluirão para quadros mais graves do que aqueles percebidos todos os anos na gripe sazonal. O uso de máscara é uma medida de eficácia questionável, apesar de habitual nestes últimos dias, pois a maioria das pessoas não usam as máscaras de forma adequada (não lavam as mãos após tocar a máscara, ficam com a mesma máscara dias, estocam de forma inadequada, não usam de forma constante). Gaste suas energias na higienização das mãos, pois esta sim é uma medida altamente eficaz. A máscara deve ser usada por quem entra em contato com pessoas doentes e também por aqueles que estão doentes, com a finalidade de evitar que esse paciente elimine grandes quantidades de secreção no ambiente através de tosse e espirros.

A administração de medicamentos que aumentam as defesas do organismo (comoimunoglobulinas) são eficazes na tentativa de combater o vírus H1N1? Essesmedicamentos podem ser dados às pessoas do grupo de risco (como crianças eidosos)?(Cristiane Rangel Rossetim de Souza, por e-mail. Publicada em: 03/08/09.)

Jaime(*6): Apesar da ideia ser bastante atraente, não é viável. O uso de imunoglobulinas, além de extremamente caro, é restrito a um número muito pequeno de doenças e têm diversos riscos no seu uso. Isso sem mencionar que se estaria infundido imunoglobulinas que não possuem anticorpos específicos contra o H1N1. Outros medicamentos que aumentam as defesas são comumente divulgados, porém a quase totalidade deles não têm comprovação científica. A melhor forma de se aumentar sua imunidade e ter qualidade de alimentação, de sono e de vida.

Queria saber se pessoas que não comem carne - mas que consomem laticínios eovos -, têm maior ou menor chance de serem infectadas pelo vírus H1N1? (Phelipe Heinzen, por e-mail. Publicada em: 03/08/09.)

Jaime(*6): As pessoas comumente confundem os riscos de infecção com os riscos de complicação. As chances de ser infectado são basicamente iguais para todos (aumentadas para profissionais de saúde e pessoas com contato frequente com doentes). Já os riscos de complicação são maiores para gestantes, idosos, imunodeprimidos e crianças pequenas. Vegetarianos não entram neste grupo (dos casos de risco).

Se uma pessoa contaminada espirrar ou tossir e manusear os alimentos com as mãos contaminadas, o vírus H1N1 ficará vivo e poderá contaminar outras pessoas, através da ingestão desses alimentos?(Viviane Voos, por e-mail. Publicada em: 31/07/09.)

José Luiz de Andrade Neto(*5): Sim, havendo o vírus nestes alimentos a transmissão pode ocorrer. Isso porque haverá ingestão do vírus, o qual se reproduzirá e contaminará a pessoa que ingeriu esse alimento.

Gostaria de saber se animais domésticos, como cachorros e gatos, podem pegar a gripe suína? Se sim, podem retransmitir o vírus aos humanos?(Noemi, por e-mail. Publicada em: 31/07/09.)

José(*5): Não. O vírus não se reproduz no organismo desses receptores – animais de companhia. Não há nenhum caso registrado de contaminação de cães e gatos pelo vírus H1N1.

O álcool gel para higienização das mãos pode ser o comum - comprado nos supermercados (álcool etílico hidratado 46º INPM) ou tem que ser necessariamente o 70% - comprado nas farmácias? (Márcia B. Rodrigues, por e-mail. Publicada em: 31/07/09.)

José(*5): Tem que ser necessariamente o álcool 70%. Entretanto, a correta lavagem das mãos com sabão comum também é aceitável e eficaz.

Tenho uma dúvida sobre a pessoa que não está contaminada com a nova gripe. Ela não deve usar a máscara? Fica sem efeito e ainda pode deixar a pessoa mais vulnerável ao vírus? Se a máscara for usada por mais de duas horas, sem trocar, perde a proteção? (Gisele Alves, por e-mail. Publicada em: 31/07/09.)

José(*5): A máscara protege e deve ser utilizada nas situações indicadas pelas autoridades sanitárias. Entretanto, após algumas horas de uso, a máscara pode umedecer e, nesta situação, perde a capacidade de proteção.

Quais precauções devem ser tomadas pelas pessoas que utilizam o transporte público diariamente?(Claudia Márcia de Lima, por e-mail. Publicada em: 31/07/09.)

José(*5): O cuidado de lavar as mãos quando chegar ao seu destino - após o uso do transporte coletivo - é fundamental. Também se deve manter as janelas dos ônibus abertas.

Gostaria de saber quais são as superfícies que podem manter o vírus H1N1 vivo? A roupa, o ferro do ônibus, cadeiras e mesas entram nessas superfícies em potencial?(Willian Diego Pedrozo, por e-mail. Publicada em: 31/07/09.)

José(*5): Se houver o vírus na superfície destes materiais, sempre há risco de transmissão. Os materiais oferecem maior risco na proporção direta da dificuldade de limpeza e higienização.

Qual é o impacto da nova gripe sobre as gestantes? A mídia noticia várias mortes no caso de gestantes e a impressão que se tem é que todas que pegam a nova gripe morrem. Existe algum caso de gestante que foi tratada e se recuperou?(Regiane Pelaquini, por e-mail. Publicada em: 30/07/09.)

Alceu Fontana Pacheco Júnior(*4): Não temos casos suficientes de gripe suína em gestantes para dar um parecer conclusivo sobre a questão. Além disso, costuma-se divulgar os casos de morte e não aqueles em que a paciente se recupera. As grávidas naturalmente precisam de cuidados especiais.

O organismo prepara o sistema imunológico da grávida para permitir a instalação de um corpo estranho – que nesse caso é o bebê. Por esse motivo, o vírus A H1N1 também pode atingi-la com mais facilidade.

A orientação às gestantes é para que procurem os seus obstetras – nos postos de saúde ou os médicos particulares -, e os profissionais médicos irão examiná-las e prescrever o antiviral, o qual não representa nenhum risco ao bebê.

O novo protocolo determina que pessoas do grupo de risco recebam o antiviral e as grávidas fazem parte desse grupo.

Tenho dois filhos e gostaria de saber se o pediatra particular poderá prescrever o Tamiflu, se diagnosticar a gripe suína? Caso não possa, o que deverá ser feito nesse caso?(Cláudia Cardoso Machado, por e-mail. Publicada em: 30/07/09.)

Alceu(*4): As crianças menores de cinco anos fazem parte do grupo de risco e nesse caso o pediatra particular irá prescrever o antiviral e irá entrar em contato com a Vigilância Sanitária, para que eles tragam o medicamento.

Para as outras crianças – que não fazem parte do grupo de risco – será preciso apresentar sintomas de doença respiratória grave, para que então haja a prescrição do remédio. Nesse caso o pediatra particular também deverá chamar a Vigilância Sanitária, para que eles tragam o antiviral. A Vigilância Sanitária avaliará o caso e decidirá sobre a necessidade do remédio. Em grande parte dos casos o medicamento é dado ao paciente, pois a Vigilância Sanitária se baseia no laudo do médico, pois foi ele que examinou o paciente.

Se houver contato com local contaminado, água e sabão são suficientespara eliminar o vírus? Ou somente o álcool gel é eficaz nesse caso? (Fabiane, por e-mail. Publicada em: 30/07/09.)

Alceu(*4): A água e sabão são os meios mais eficientes para eliminar o vírus A H1N1 e outros. A questão é a forma correta de lavar as mãos e a repetição desse procedimento várias vezes ao dia. Tem-se que esfregar bem as mãos – não só a "palma", mas também a parte superior. É importante também lavar entre os dedos e manter a higiene das unhas.

O álcool gel deve ser utilizado quando não há possibilidade de lavar as mãos. Esse produto deve ser encarado como uma alternativa para eliminação do vírus.

A gripe A H1N1 se manifesta somente no inverno? Ou há possibilidade de contaminação em dias quentes, como na primavera e no verão? Esta epidemia pode se estender até a chegada dessas estações?(Vanessa, por e-mail. Publicada em: 30/07/09.) Alceu(*4): A disseminação do vírus H1N1 não tem relação com a estação do ano, pode ocorrer em qualquer uma delas. É o que está ocorrendo no Hemisfério Norte – lá é verão – e houve contaminação de pessoas nos Estados Unidos e México.

O que acontece é que o inverno no Hemisfério Sul facilita a disseminação do vírus, por isso houve um grande número de casos da doença na Argentina e no Chile, que depois chegou ao Brasil. No inverno as pessoas tendem a fechar todas as janelas e impedir a circulação do ar nos ambientes, e isso facilita a contaminação e a disseminação do vírus. Todos os locais devem ser bem ventilados, e ficar com as janelas abertas.

Quais hospitais destinam alas exclusivas para pacientes com a nova gripe em Curitiba?(Júnior, por e-mail. Publicada em: 30/07/09.) Alceu(*4): Os hospitais referências do tratamento da nova gripe em Curitiba são o Hospital de Clínicas e o Hospital do Trabalhador. Mas, todos os hospitais – como o Evangélico, Cajuru e Santa Casa e também os particulares - estão fazendo o tratamento aos pacientes em áreas isoladas. Nem sempre há uma ala, mas sempre há um local em que se faz o isolamento dos pacientes com a gripe A H1N1, para evitar uma possível disseminação do vírus.

Ao frequentar o velório de alguém que morreu infectado pelo vírus influenza A H1N1, corre-se o risco de pegar o vírus do falecido? Este vírus fica ativo por quanto tempo no corpo? São necessários cuidados especiais na preparação do corpo para o velório? (Angélica Santos, por e-mail. Publicada em: 30/07/09.)

Alceu(*4): O vírus morre com a pessoa. Não há risco de pegar o vírus tocando no falecido, por exemplo. Não é necessário que aqueles que forem ao velório tomem cuidados especiais por causa do corpo. Mas, deve-se estar atento se outra pessoa da família não está com o vírus, pois nesse caso pode haver a disseminação da doença.

No entanto, a orientação é para que se tenha cuidado no momento da preparação do corpo para o velório. É preciso evitar o contato com a secreções daquele que morreu por causa da gripe suína, pois pode haver contaminação, caso a pessoa levar a mão aos olhos, nariz e boca.

Entre a manifestação dos sintomas, o diagnóstico e confirmação por exames laboratoriais, já transcorreu o prazo de até 48 horas necessárias para a aplicação de medicação como o Oseltamivir (Tamiflu) ou o Zanamivir. Portanto, o problema do aumento da letalidade do vírus - em indivíduos que não tem características agravantes - não seria a confirmação tardia do diagnóstico e tratamento tardio com o Oseltamivir ou Zanamivir?(Vandixon Richard de Lemos, por e-mail. Publicada em: 29/07/09.)

Stefan Cunha Ujvari(*3): O paciente que apresentar sintomas de gripe deve procurar o médico o quanto antes, assim será avaliado antes de 48 horas do início dos sintomas. O médico pode confirmar a gripe suína apenas pelos sintomas e exame físico. Se o paciente manifestar alguma alteração que indique gravidade, o médico iniciará o tratamento com antiviral. Portanto, em alguns casos não é necessária a confirmação por exames de laboratório, para que o médico inicie o antiviral.

O vírus tem maior chance de complicações nos grupos de risco, mas podem ocorrer casos graves em pessoas saudáveis.

A pessoa que já foi infectada com o vírus da gripe A H1N1, e se curou, pode ser infectada novamente pelo mesmo vírus, ou ela fica imune, como no caso dealgumas doenças (sarampo, cachumba, reubéola, etc...)?(Gabriele, por e-mail. Publicada em: 29/07/09.)

Stefan(*3): Uma vez infectado pelo vírus H1N1 adquire-se imunidade e não se adoece mais. Porém, ainda não sabemos se o vírus permanecerá circulando no planeta e sofrerá mutações pequenas no próximo ano. Nesse caso tornaria as pessoas novamente susceptíveis, mesmo aquelas que foram curadas anteriormente. Isso é o que ocorre com a gripe comum que - por causa das mutações - pode acometer a população novamente no próximo ano e requer vacinas novas todos os anos.

Gostaria de saber se quem tomou a vacina da gripe comum está imune ao vírus da gripe do tipo A(H1N1)? Se não, já existe vacina para gripe suína?(Anderson Lorenzetti, por e-mail. Publicada em: 29/07/09.)

Stefan(*3): Não. No começo da epidemia pelo H1N1 os idosos não apresentavam os mesmos índices de contaminação do que os mais jovens. Por isso, aventou-se a possibilidade de que estariam parcialmente protegidos por terem tomado a vacina para a gripe comum. Porém, os estudos posteriores mostraram que isso não ocorre. A vacina da gripe comum não protege contra o vírus da gripe suína. Ao que tudo indica, os idosos entraram em contato com um vírus geneticamente semelhante ao H1N1 no passado, antes de 1957, e podem ter certa imunidade. Mas isso é uma hipótese. Portanto, todos - incluindo os idosos - devem tomar os cuidados para evitar a infecção. Ainda não existe vacina para o H1N1. Talvez surgirá em setembro desse ano.

O índice de "contaminação" do vírus A H1N1 é diferente nas faixas etárias? Os idosos têm maior propensão do que as crianças, por exemplo, ou não?(Marcelo Stankievcz Saboia, por e-mail. Publicada em: 29/07/09.)

Stefan(*3): As crianças, adolescentes e jovens apresentam maior chance de infecção. Esta faixa etária é a responsável pela maioria dos casos. Uma hipótese seria porque circulam mais, viajam mais.

Para os praticantes de natação em piscina de escola e clubes existe risco de contrair a gripe A H1N1? (Fábio Pontes, por e-mail. Publicada em: 29/07/09.)

Stefan(*3): Não. A piscina não dissemina o vírus, pois ele é facilmente "eliminado" no cloro. Porém, muito cuidado nas maçanetas das portas dos vestiários, nas torneiras das pias, na superfície de bancos. Esses locais podem receber o vírus, o qual permanece vivo por horas. Desta forma, você contamina as mãos e depois as leva aos olhos, boca, nariz.

É possível contrair a gripe A H1N1 e não apresentar sintomas? Ou ter sintomas de gripe comum e contagiar outras pessoas, sem mesmo saber que teve a gripe suína?(João Roberto Cassiano da Cruz, por e-mail. Publicada em: 29/07/09.)

Stefan(*3): Sim. A grande maioria dos casos de gripe suína são leves e moderados. Na maioria das situações não precisa internação e nem receber antiviral. Os pacientes são curados com cuidados gerais e repouso em casa. Portanto, as mortes que são relatadas acontecem em raríssimos casos, os quais se complicaram - na maioria dos casos - por se tratar de pessoas doentes. Sabe-se que há casos em que a doença se manifesta de forma bem leve e sem febre, podendo portanto nem se desconfiar que está com a gripe suína.

Gostaria de saber se a pessoa infectada com o vírus da gripe comum pode ser contaminada, ao mesmo tempo, com o vírus da gripe A H1N1?(Maria Celeste Correa, por e-mail. Publicada em: 28/07/09.)

Cleia Elisa Lopes Ribeiro(*2): Até hoje não existem relatos na literatura médica de infecção "dupla" ou concomitante pelo Influenza H1N1 e Influenza sazonal (gripe comum), apesar dos dois vírus estarem circulando no momento.

O que é verdade sobre o uso da máscara? Está sendo dito que ela somente pode ser usada por quem já está infectado. Isso é correto? Em quais circunstâncias ela deve ser utilizada?(Ricardo Borges Lacerda, por e-mail. Publicada em: 28/07/09.)

Cleia(*2): A máscara deve ser usada pelo paciente que tem sintomas, para evitar que ele - ao espirrar ou tossir - lance vírus no ambiente, sobre as superfícies e principalmente nas mãos.

Os profissionais de saúde - que atendem o paciente e fazem a assistência e coleta de exames - também devem usar máscaras.

Qual o tipo de remédio combate a gripe A H1N1? Já está disponível nas farmácias de todo o país? E em Curitiba?(Antônio Pinheiro, por e-mail. Publicada em: 28/07/09.)

Cleia(*2): No momento, o medicamento indicado para o tratamento da gripe pelo vírus H1N1 é o oseltamivir. Trata-se de um antiviral que, no Brasil, está sendo indicado para os casos graves e pessoas com sintomas de influenza pertencentes a grupos de risco (idosos, gestantes, crianças com menos de 5 anos). Este medicamento não está disponível nas farmácias.

Qual a causa principal da morte de pessoas saudáveis pela gripe A H1N1?(Joel, por e-mail. Publicada em: 28/07/09.)

Cleia(*2): Os pacientes morreram por causa de pneumonia, que pode ser determinada por vírus, por bactéria ou mista. Quanto tempo o vírus permanece vivo no ar e nas superfícies?(Tatiana Kozdra , por e-mail. Publicada em: 28/07/09.)

Cleia(*2): O tempo médio é de 2 a 10 horas nas superfícies. No ar ele não sobrevive.

Se for procurar um médico - tenho plano de saúde -, procuro médico do plano ou tem de ser do SUS?(Leone Sul, por e-mail. Publicada em: 28/07/09.)

Cleia(*2): O atendimento do paciente pode ser feito também pelo médico do convênio.

Quantas pessoas morrem da gripe comum no Brasil? A gripe dita suína é tão comentada por que é novidade ou ela é mais assustadora que a gripe comum?(Jamur, por e-mail. Publicada em: 27/07/09.)

Marion Burger(*1): A taxa de mortalidade por influenza A (H1N1) no país é de 0,015 por 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde. Estima-se que o porcentual de mortalidade da gripe sazonal varie entre 0,01% e 0,4%. Essa gripe está em evidência porque esse tipo de vírus não circulava entre humanos há mais de 50 anos e, em decorrência disso, as pessoas não têm imunidade contra ele.

Quais as formas de nutrir o organismo fortalecendo o mesmo em caso de contágio? Quais os remédios ou vitaminas que podem ser dados para crianças entre 1 e 6 anos? (César Augusto Leitão, por e-mail. Publicada em: 28/07/09.)

Marion(*1): Basta manter uma alimentação equilibrada, à base de vitaminas, proteínas e calorias que estão presentes nos legumes, verduras, frutas, carnes, cereais. Isto deve ser mantido durante o ano inteiro, na dieta normal. Nada de exageros e nem de carências.

Sou mãe de uma criança de 4 anos que fica em escola. Falo em nome de todas as mães desse Brasil: por que o governo não agiliza estas vacinas para a população em massa? Sabemos que é possível fabricar esta vacina, por que não o fazem? (Scheila, por e-mail. Publicada em: 28/07/09.)

Marion(*1): Por enquanto, é fornecida a vacina contra a gripe sazonal para grupos de risco (idosos entre eles). Para a nova gripe, porém, não existe vacina. Ela ainda está sendo testada e, para ser oferecida às populações, precisa dar garantias de segurança. Ainda não há consenso sobre isso no meio científico. Oferecê-la assim, sem garantias, poderia ser mais danoso à saúde pública do que a própria pandemia.

(*14)- Fonte: Moacir Gerolomo, médico, doutor em Epidemiologia. Diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Curitiba

(*13)- Fonte: Marta Fragoso, médica infectologista e epidemiologista. Presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HC-UFPR e coordenadora do Núcleo de Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar dos Hospitais VITA Curitiba e Batel

(*12)- Fonte: Sérgio Penteado, infectologista, coordenador do Serviço de Clínica Médica e Infectologia do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba. Professor de Infectologia da Faculdade Evangélica do Paraná

(*11)- Fonte: Carla Regina Martins, infectologista do Hospital Pilar. Especialista em Epidemiologia Hospitalar e Controle de Infecção Hospitalar

(*10)- Fonte: Clóvis Arns da Cunha, chefe do Serviço de Infectologia do Hospital Nossa Senhora das Graças. Professor de Infectologia da Universidade Federal do Paraná

(*9)- Fonte: Felipe Francisco Tuon, infectologista do Hospital Evangélico de Curitiba e do Hospital Pilar. Doutorando em Doenças Infecciosas pela Universidade de São Paulo (USP)

(*8)- Fonte: Heloísa Ihle Giamberardino, pediatra e coordenadora do Serviço de Epidemiologia e Controle de Infecção do Hospital Pequeno Príncipe. Especialista em Epidemiologia e Controle de Infecção

(*7)- Fonte: Mônica Gomes da Silva, infectologista e coordenadora do Programa de Residência em Infectologia do Hospital Nossa Senhora das Graças (Curitiba). Membro da Sociedade Brasileira de Infectologia

(*6)- Fonte: Jaime Rocha, infectologista do Hospital Vita Curitiba. Especialista em Clínica Médica, Infectologia e Medicina do Viajante

(*5)- Fonte: José Luiz de Andrade Neto, médico infectologista e consultor do Ministério da Saúde. Professor do curso de Medicina da PUCPR e da UFPR

(*4)- Fonte: infectologista Alceu Fontana Pacheco Júnior, médico-chefe do Serviço de Epidemiologia do Hospital Evangélico e presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia

(*3)- Fonte: infectologista Stefan Cunha Ujvari, médico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo. Autor dos livros "A História e suas Epidemias" e "A História da Humanidade contada pelos Vírus"

(*2)- Fonte: infectologista Cleia Elisa Lopes Ribeiro, médica do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde

(*1)- Fonte: infectologista Marion Burger, médica da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba e membro do Departamento de Infectologia da Sociedade Paranaense de Pediatria

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