A tosse pode persistir após um quadro infeccioso: nesses casos, o jeito é esperar o corpo se recuperar. | Bigstock
A tosse pode persistir após um quadro infeccioso: nesses casos, o jeito é esperar o corpo se recuperar.| Foto: Bigstock

Uma das principais queixas nos consultórios médicos, a tosse é um alerta irritante do corpo de que há algo de errado. Pode ser sinal de um problema respiratório simples, de um problema grave que atinge os pulmões ou até mesmo de complicações gástricas. O certo é que, persistindo por mais de três semanas, ela não pode ser ignorada e precisa de avaliação médica.

“A tosse é a queixa mais comum no consultório do pneumologista, até porque ela é sintoma de muitas doenças. Por isso, quem está tossindo há mais de três semanas precisa de uma avaliação médica, para verificar se há algo mais grave”, afirma o pneumologista Marcelo Tuleski, do Hospital Ipo.

O principal a ser descartado num quadro de tosse persistente é um caso de tuberculose. A doença ainda é um problema sério de saúde pública no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 70 mil novos casos de tuberculose são registrados no país por ano. O número faz o Brasil ocupar a 17.ª posição entre os 22 países responsáveis por cerca de 80% dos casos de tuberculose no mundo.

Quanto mais intensa a infecção, mais tempo para o organismo se recuperar.

Bernardo de Almeida,  infectologista do Hospital de Clínicas.

Tuberculose

A doença não costuma ser a principal causa da tosse crônica, mas é a mais perigosa. No ano passado, 2.152 pessoas contraíram tuberculose no Paraná, uma incidência de 19,4 casos para cada 100 mil habitantes. Em todo o país, foram 67.966 novos casos em 2014. O Amazonas é o estado com maior incidência da doença.

“Embora não seja a principal causa das tosses persistentes, a tuberculose é a mais grave delas”, explica o infectologista Bernardo de Almeida, do Hospital de Clínicas de Curitiba. Outras causas comuns para a tosse que dura mais de três semanas são a asma, a sinusite crônica e o refluxo gastroesofágico.

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Nos dois primeiros casos, o inverno é um fator que influencia negativamente. A piora da tosse nos dias mais frios, inclusive, é levada em consideração na hora de fazer o diagnóstico. Quando o médico desconfia de sinusite crônica, pode solicitar uma tomografia. Mas, na maioria das vezes, apenas o exame físico e o histórico clínico do paciente são usados para diagnosticar o motivo da tosse.

Nesse histórico, o médico observa, por exemplo, se o paciente passou por um quadro infeccioso recente das vias aéreas. Em muitas situações, a tosse é só um rescaldo do estrago feito pela infecção. Assim, nada mais é que um quadro pós-infeccioso. Pode durar até um mês, tempo necessário para a reabilitação completa das estruturas afetadas pela infecção.

“Quanto mais intenso o quadro de infecção, maior o estrago e mais tempo para o organismo se recuperar. Daí a tendência de ficar tossindo”, diz Almeida.

Medicação

Quando a tosse é um sintoma pós-infeccioso, o jeito é esperar. Xaropes e receitas caseiras – como gargarejo com água e sal – podem ajudar a aliviá-la. Mas só mesmo a melhora das mucosas afetadas pode eliminá-la. Em outros casos, se o motivo da tosse não for tratado, ela não vai embora.

A tosse só é medicada quando se torna crônica e, mesmo em se tratando a causa base, não melhora. Para esses pacientes, é utilizado um medicamento chamado codeína. Parente da morfina, essa substância age no mecanismo do cérebro que provoca o estimulo da tosse.

O acesso à codeína é controlado, feito apenas com prescrição médica.

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