
Ouça este conteúdo
No programa Última Análise desta terça-feira (03), os convidados falaram a respeito das duas operações que tomaram conta de Brasília. De um lado, o mais pressionado dos ministros, o ex-advogado do PT, Dias Toffoli. A solução pode envolver até mesmo a disputa eleitoral pelo governo de Minas Gerais. De outro, Fábio Luís da Silva, o "Lulinha", para salvar sua pele, vai repetir a tática do seu pai.
O senador Rodrigo Pacheco (União-MG) é o favorito do presidente Lula na disputa estadual, porém, ele parece estar mesmo interessado na vaga de Toffoli. "Em troca da candidatura, Lula poderia prometer uma vaga no Supremo, caso Pacheco perca. Porém, o senador quer algo mais concreto. E o que de mais concreto pode surgir é uma vaga a partir do afastamento de Toffoli", explica o ex-procurador Deltan Dallagnol.
Nesta terça-feira (3), o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP) manteve a quebra do sigilo das informações bancárias e fiscais de Lulinha. E, de acordo, com o portal Metrópoles, a defesa do filho do presidente pretende jogar a culpa em outra pessoa, a lobista Roberta Luchsinger, apontada pela Polícia Federal como integrante do núcleo político da organização criminosa montada para desviar recursos.
"O sigilo já foi quebrado. Ou seja, eles podem construir a tese que quiserem, porque inevitavelmente as transferências vão aparecer. A polícia vai fazer o caminho do dinheiro e verificar que Lulinha recebia uma mesada", diz a advogada Júlia Lucy.
A negociação dos "penduricalhos" do STF
O presidente do STF, Edson Fachin, instituiu nesta segunda-feira (2) uma comissão para discutir o pagamento de benefícios que ficam de fora do teto do funcionalismo público, os chamados "penduricalhos". Nos bastidores, discute-se até mesmo a possibilidade um aumento do teto salarial dos ministros, hoje estabelecido em R$ 46,3 mil reais.
"É uma imoralidade. Ainda que fôssemos um país rico, mas nós somos um país pobre, em que as pessoas recebem, em média, R$ 2.500 mil. É vergonhoso um servidor público receber R$ 100 mil, ou até mais. Os penduricalhos precisam acabar", afirma Lucy.
O Executivo também deve participar da negociação, porém, Lula demonstrou não ter interesse em tratar disso agora, sobretudo pela proximidade das eleições. Além disso, um eventual reajuste do teto salarial causaria um "efeito cascata" por todo o funcionalismo público.
Dallagnol explica que a questão dos "penduricalhos" é mais complexa do que parece. "O STF quer ter a carreira do Judiciário e do Ministério Pùblico nas mãos. Porque, assim, eles passam a depender de um 'beijo na mão' dos ministros para que estes possam negociar um reajuste no Congresso Nacional", ele explica.
O programa Última Análise faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a sexta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.







