O ministro André Mendonça, do STF, determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro no âmbito da Operação Compliance Zero, ao apontar indícios de que o empresário teria atuado para obstruir as investigações, intimidar testemunhas e manter a estrutura de um suposto esquema financeiro sob apuração. Na decisão, o magistrado destaca risco à ordem pública, possibilidade de interferência na instrução criminal e necessidade de resguardar a coleta de provas, além de autorizar buscas, apreensões e bloqueio de bens para preservar eventual ressarcimento e impedir a continuidade das práticas investigadas. A nova ordem de prisão ocorre após o surgimento de elementos considerados graves pela investigação, incluindo mensagens que indicariam monitoramento e ameaças a envolvidos no caso.
Vorcaro agia para monitorar e intimidar testemunhas
Nos desdobramentos da investigação da Operação Compliance Zero, a PF apurou que Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, teria articulado, por meio de mensagens em grupos de celular, ações para monitorar, coagir e ameaçar testemunhas envolvidas nas apurações — incluindo jornalistas e outras pessoas consideradas adversárias ao seu caso. Segundo a PF, essas mensagens indicam ordens para constranger e intimidar alvos para dificultar o andamento das investigações sobre um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, e também apontam para planos que incluíam estratégias violentas, como simular situações de assalto como pretexto para agressões reais contra críticos, conforme citado por apurações de veículos que repercutem essas conversas apreendidas no telefone do ex-banqueiro.
O conjunto de mensagens interceptadas foi determinante para que a Justiça autorizasse uma nova fase da operação e a prisão preventiva de Vorcaro, que já havia sido detido anteriormente no contexto dessas investigações. As conversas revelam não apenas tentativas de obstrução da Justiça mas também a possível participação de integrantes com vínculos institucionais, como um policial civil e um ex-diretor do Banco Central, no planejamento de monitoramento e ações agressivas — reforçando a gravidade das manobras investigadas pela PF. Os fatos mostram uma conexão direta entre a tentativa de intimidar e silenciar testemunhas e a estratégia geral de resistência de Vorcaro às investigações sobre o caso do Banco Master.
Nikolas ironiza uso de jato "de Vorcaro" por crime futuro
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu com ironia à denúncia de que teria usado, durante a campanha eleitoral de 2022, um jatinho ligado ao empresário investigado Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para percorrer o país em apoio ao então candidato Jair Bolsonaro. Ferreira admitiu ter usado a aeronave na caravana “Juventude pelo Brasil”, mas afirmou que na época não sabia quem era o dono do avião, e comparou a acusação a uma exigência absurda de perguntar a cada motorista de Uber se ele planeja cometer crimes no futuro. A divulgação dos voos e gerou críticas de adversários políticos.Uma investigação do jornalista David Ágape revelou uma engrenagem coordenada e hierarquizada: centenas de grupos de WhatsApp operando de forma dissimulada, plataforma própria de comando e difusão, manual jurídico para blindagem de militantes e indícios consistentes de automação para inflar narrativas e constranger críticos.
Alcolumbre mantém quebra de sigilos de Lulinha
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, decidiu manter a votação da CPMI do INSS que determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, rejeitando o pedido de parlamentares governistas para anular a decisão. Apesar das críticas da base aliada que alegava supostos vícios na contagem de votos na sessão da comissão, Alcolumbre considerou que não houve desrespeito ao regimento interno ou à Constituição que justificasse a anulação, consolidando a decisão aprovada em votação simbólica e impondo uma derrota ao governo ao permitir que os dados de Lulinha sejam acessados para investigação.
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